companhia das letras

Resenha/análise: O Cortiço, de Aluísio Azevedo

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta

ISBN-13: 9786599044540
ISBN-10: 6599044549
Ano: 2020 / Páginas: 232
Idioma: português
Editora: Pé da Letra

A série Prazer de Ler apresenta, em seu novo volume, a principal referência da estética realista-naturalista na literatura brasileira, a obra-prima de Aluísio de Azevedo, O Cortiço. Ambição e exploração se misturam nessa envolvente e sombria história de uma habitação coletiva da capital do Segundo império. De um lado, a burguesia gananciosa e interesseira, disposta a tudo para enriquecer e subir na vida. De outro, personagens estereotipados, cheios de vícios e patologias, comparados a animais e movidos pelo instinto e pela fome. Todas as existências entrelaçadas e cruzadas em torno do cortiço de São Romão. Pela espetacular representação da vida cotidiana da cidade do Rio de Janeiro, esboçada com um colorido e com uma objetividade quase fotográficos, esta obra continua como um dos mais poderosos retratos da realidade brasileira. Um clássico da literatura nacional que, passado mais de um século de sua publicação, ainda tem o poder de emocionar e inquietar.

RESENHA

Logo no inicio do livro, todas as ações estão envolvidas em volta do personagem João Romão, um português muito miserável, ganancioso comerciante que engana uma escrava chamada Bertoleza e faz com que ela trabalhe de graça, então, ela passa p ser a sua amante. João Romão era uma pessoa extremamente ambiciosa e privava-se de luxo, gastando seu dinheiro apenas com coisas que o faziam ganhar mais dinheiro. Com isso, ele começa a construir um cortiço e seu vizinho Miranda, um rico português questiona as riquezas de Romão e vive invejando-o.
Com um tempo, Miranda consegue o título de Barão, o que faz com que os papeis se invertam e que João passe a ter inveja dele. Nisso, ele começa a gastar dinheiro com si mesmo, coisa que nunca tinha feito antes, pois o que mais importava para ele eram seus negócios. No cortiço, a vida segue como sempre. As lavadeiras continuam fazendo sua tarefas, os domingos continuam animados, os trabalhadores continuam a sua rotina, e as crianças continuam aprontando.

Jerônimo, que João contratou para controlar os serviços na pedreira, é uma ótima pessoa, pois era um esposo fiel e pai preocupado. Mas isso muda quando ele conhece Rita Baiana, uma mulata que acaba o conquistando e o leva a se transformar em um malandro brasileiro. Pombinha que sempre foi um exemplo de menina, por conta de influências, acabou infelizmente virando uma mulher da vida, mais conhecida hoje em dia como prostituta. Diversos personagens morreram ou tiveram fins trágicos.

Um novo cortiço foi construído na mesma rua, e os moradores do São Romão apelidão de Cabeça-de-gato. Há uma rixa enorme entre os moradores dos dois cortiços. Mas, depois de um incêndio que toma conta do São Romão, a realidade acaba mudando. João o reconstrói, mudando seu nome para Vila São Romão e ele se torna voltado à classe média, o que faz com que a maioria dos seus inquilinos se mude para o Cabeça-de-gato. Ele finalmente consegue seu título de Barão, e pede a mão da filha de Miranda. Mas ainda há um problema, como se livrar de Bertoleza, que era totalmente grata a João, pois acreditava que ele tinha comprado sua carta de liberdade, e que ele havia guardado seu dinheiro para “investir”.

João acaba tendo uma ideia, foi atrás dos herdeiros do senhor que era dono de Bertoleza, e denuncia a escrava fujona. Esses herdeiros vão busca-la, e quando chegam a escrava se mata, pois não aguentaria virar propriedade de uma pessoa novamente. E assim a obra chega ao fim.
Comentários á respeito:

Características do livro:

Neste livro, Aluísio Azevedo deixa na cara muitas características de seu estilo literário e objetivos como o cientificismo, a miséria, crimes, adultérios, dilemas sociais, e os seres humanos descritos como os animais e seus instintos selvagem, ou seja, desejo carnal. Além disso, fala sobre a desigualdade social e descreve uma classe social nunca vista antes em livros: o proletário, que é consequência da ambição excessiva do capitalismo. Aluísio faz uma descrição que explicam como o meio e o lugar influenciam no comportamento humano, neste caso, ilustrado por um cortiço. O cortiço é uma importante obra da literatura naturalista do Brasil, que aborda os problemas sociais e econômicos que o Brasil era e é, envolvido na época em questão.

Tipo de narração: A obra é narrada pela terceira pessoa. Possui um poder na estrutura da história, e muitas vezes parecem ser imparciais, mas ele entra em diversos momentos na história.

Período Literário: Esse livro foi escrito em 1890, no contexto do Realismo-Natulalismo e Aluísio Azevedo consegue mostrar com clareza como era a realidade social da época.

Espaço: São dois os espaços explorados na obra. O primeiro é o cortiço, amontoado de casebres mal-arranjados, onde os pobres vivem. Esse espaço representa a mistura de raças e a promiscuidade das classes baixas. Funciona como um organismo vivo. Junto ao cortiço estão a pedreira e a taverna do português João Romão. O segundo espaço, que fica ao lado do cortiço, é o sobrado aristocratizante do comerciante Miranda e de sua família. O sobrado representa a burguesia ascendente do século XIX. Esses espaços fictícios são enquadrados no cenário do bairro de Botafogo, explorando a exuberante natureza local como meio determinante. Dessa maneira, o sol abrasador do litoral americano funciona como elemento corruptor do homem local.


Estilo do livro:
Naturalista, o autor usa da figura de linguagem denominada zoomorfismo atribuindo a pessoas e coisas adjetivos e ações de animais e plantas, como por exemplo, nessa frase citada na obra:

“Um dia, porém, o seu homem, depois de correr meia légua, puxando uma carga superior às suas forças, caiu morto na rua, ao lado da carroça, estrompado como uma besta.”


Análise:
A obra relata fatos que infelizmente nossa sociedade viveu na época que ainda se tinham escravos, mas até hoje muito dos fatos relatados na obra acontece, mas não é uma realidade para todos. O autor Aluísio de Azevedo relata seus personagens como se fossem animais, dando assim um impacto maior ao ler a obra. Nas noites em que João e Bertoleza passavam juntos, os detalhes que ele te da na obra é uma coisa absurda e difícil de se acreditar.

A intenção do método naturalista era fazer uma crítica contundente e coerente de uma realidade corrompida. Zola e, neste caso, Aluísio combatem, como princípio teórico, a degradação causada pela mistura de raças.

Por isso, os dois romances naturalistas são constituídos de espaços nos quais convivem desvalidos de várias etnias. Esses espaços se tornam personagens do romance. É o caso do cortiço, que se projeta na obra mais do que os próprios personagens que ali vivem.

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