companhia das letras

Resenha: A tempestade, de William Shakespeare

domingo, 29 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


SINOPSE: Última peça escrita por Shakespeare, A tempestade é uma história de vingança, é uma história de amor, é uma história de conspirações oportunistas e é uma história que contrapõe a figura disforme, selvagem, pesada dos instintos animais que habitam o homem à figura etérea, incorpórea, espiritualizada de altas aspirações humanas, como o desejo de liberdade e a lealdade grata e servil.

Uma Ilha é habitada por Próspero, Duque de Milão, mago de amplos poderes, e sua filha Miranda, que para lá foram levados à força, num ato de traição política. Próspero tem a seu serviço Caliban, um escravo em terra, homem adulto e disforme, e Ariel, o espírito servil e assexuado que pode se metamorfosear em ar, água ou fogo. Os poderes eruditos e mágicos de Próspero e Ariel combinam-se e, depois de criar um naufrágio, Próspero coloca na Ilha seus desafetos (no intuito de levá-los à insanidade mental) e um príncipe, noivo em potencial para a filha. Se o amor acontece entre os dois jovens, se a vingança de Próspero é bem-sucedida, se Caliban modifica-se quando conhece os poderes inebriantes do vinho numa cena cômica com outros dois bêbados, tudo isso Shakespeare nos revela no enredo desta que por muitos é considerada sua obra-prima – uma história de dor e reconciliação.

Drama / Aventura / Crônicas / Entretenimento / Fábula / Fantasia / Ficção / História / Literatura Estrangeira / Política

Doze anos antes da acção da peça, António, irmão de Próspero, o duque de Milão, aproveitou-se da dedicação daquele pelos seus livros de magia e ciências ocultas para seduzir os cortesãos e organizar um golpe de Estado e, assim, tomar a coroa do Ducado.

Próspero é desterrado, com a filha ainda bebé, numa remota ilha e, durante longos anos, apurou as suas artes num plano de vingança.

A peça abre com uma tempestade no mar, provocada por um “espírito dos ares” comandado por Próspero, chamado Ariel, servo leal e dedicado. Miranda, a mesma que em bebé chegara à ilha, agora donzela, observa a tempestade com terror.

Próspero e Miranda vivem nesta ilha encantada, que vamos descobrindo. Conhecemos um outro habitante do lugar, Calibã, filho de uma bruxa, Sycorax, que outrora ali também tinha sido abandonada. Ariel tinha sido prisioneiro da bruxa. Próspero libertou-o e ganhou a sua lealdade, como a de muitos espíritos daquela ilha “cheia de cores e sons”. Calibã, verdadeiro herdeiro da ilha, tornara-se o serviçal de Próspero. Um passado de afecto entre os dois, em que Calibã aprendera a falar, fora destruído no dia em que Calibã, escravo dos instintos, tentou violar Miranda.

Permanentemente castigado, retorce-se de rancores e tem saudades da antiga liberdade. Outro que quer ser livre é o servo leal, Ariel, mas ainda está preso ao compromisso de ajudar Próspero a cumprir o seu plano.

Próspero, sabendo da proximidade da embarcação dos seus inimigos, António e seus cúmplices, o rei de Nápoles, Alonso, e seu irmão, Sebastiano, causa o naufrágio que os traz à ilha, separados do príncipe Ferdinando e dos outros navegantes. Ariel atormenta-os com visões e segue-os até impedir a sua conspiração ambiciosa contra o rei Alonso, para “herdarem aquele lugar”.

Ferdinando, filho de Alonso, é seduzido pela música de Ariel e encaminhado até encontrar-se com Miranda. Numa redoma de artifício, apaixonam-se. Mas Próspero faz de Ferdinando um escravo, e obriga-o a trabalhar para testar a sua índole.

Entretanto, noutra parte da ilha, Calibã, Trínculo, o bobo da corte, e Stéfano, o mordomo beberrão, encontram-se com Calibã. Este, depois de beber vinho pela primeira vez, ‘endeusa’ Stéfano e torna-se o seu novo súbdito. Calibã incita os dois a matarem Próspero. Mas, Ariel encaminha-os numa série de aventuras desastrosas que os conduzem, bêbados, à gruta onde vive Próspero. Ao descobrir a conspiração de Calibã e dos seus novos confederados, Próspero envia Ariel para os afugentar com espíritos disfarçados de cães de guarda.

Os nobres Alonso, António e Sebastiano, paralisados com terror pelas palavras de Ariel, são obrigados a contemplar o mal que fizeram doze anos atrás.

Ferdinando prova que o seu amor por Miranda supera a escravidão a que foi reduzido. Próspero consente o noivado e apresenta-lhes um espectáculo de máscaras cujo tema é o amor.

Ariel implora a mercê de Próspero para os viajantes com a mesma paixão com que pedira a sua própria liberdade. Então, Próspero restaura a harmonia, decide abdicar da sua ‘arte’ e poderes mágicos, esquecer a vingança e render-se ao espírito da generosidade. Todos reganham as forças para regressar a Nápoles, onde Miranda e Ferdinando serão a esperança de um futuro melhor.

Próspero liberta Ariel e dá a ilha a Calibã. A história acaba com Próspero pedindo aos espectadores que por intermédio de amor e perdão o libertem a ele...


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