5 livros essenciais sobre o racismo

O racismo é um tema recorrente e desafiador que ainda permeia muitas sociedades ao redor do mundo. Para entender melhor as suas raízes, complexidades e impactos, a leitura de livros que abordam essa questão de maneira honesta e sensível é essencial. Nesta matéria, iremos apresentar cinco livros indispensáveis sobre o racismo, que exploram desde narrativas históricas até experiências pessoais, proporcionando insights valiosos para todos que desejam compreender e combater essa forma de discriminação. Através dessas obras, será possível ampliar horizontes, promover a empatia e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

1. Como o racismo criou o Brasil, de Jessé Souza

O tema do racismo é reconstruído desde o início da civilização ocidental até nossos dias, de modo a permitir uma compreensão fundamental: a de que todo processo de desumanização e animalização do outro assume as formas intercambiáveis de racismo cultural, de gênero, de classe e de raça.

Perceber as diferentes facetas do racismo possibilita não se deixar fazer de tolo, por exemplo, quando o racismo racial assume outras máscaras para fingir que se tornou guerra contra o crime, como se a vítima não fosse sempre negra, ou luta contra a corrupção, usada contra qualquer governo popular no Brasil que lute pela inclusão de negros e pobres.

2. O fascismo da cor: Uma radiografia do racismo nacional, de Muniz Sodré

Em meio ao turbilhão de mudanças do mundo global, o racismo permanece intacto e culturalmente irresolúvel. A sua aparente universalização não deixa evidente que são diversos os seus modos de incidência nas diferentes regiões do mundo. O foco de O fascismo da cor é o racismo brasileiro pós-abolicionista, que Muniz Sodré faz coincidir com a emergência do fascismo europeu e com a vigência de uma “forma social escravista” nativa, em que status e brancura tomam o lugar das antigas formas de segregação. Com nova perspectiva dentro da luta antirracista, este é um livro de leitura incontornável.

3. Racismos: Das Cruzadas ao século XX, de Francisco Bethencourt

Revolucionário em seu escopo cronológico e espacial, este livro traz a primeira análise histórica abrangente e compreensível do racismo ― um fenômeno relacional, que sofre alterações com o tempo e não pode ser compreendido em sua totalidade através de estudos segmentados de breves períodos, de regiões específicas ou de vítimas recorrentes. Nesta obra de fôlego, o renomado historiador Francisco Bethencourt mostra as formas de racismo que precederam as teorias de raça, observando-as no contexto de hierarquias sociais e condições locais. O argumento é de que a prática discriminatória, em suas várias modalidades e aspectos, foi sempre provocada por projetos políticos de monopolização de recursos. O foco de Racismos é o mundo ocidental, mas o autor também propõe comparações com tipos de segregação presentes em outras regiões do mundo. 

4. O racismo e o negro no Brasil: Questões para a psicanálise, de Noemi Moriz, org.

O Brasil é racista, mas eu não. ' No Brasil, a dificuldade de perceber a dimensão da questão racial trava o processo de construção e constituição do país como nação. Sabendo que a psicanálise, e todos os saberes, segue a música dos acontecimentos históricos e culturais, a editora Perspectiva oferece ao leitor um profundo e candente debate sobre o espinhoso tema do racismo e preconceito no Brasil ao tornar livro o ciclo de palestras realizado em 2012, em São Paulo, pelo Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae sobre o assunto, uma reflexão dos tempos e espaços que nos trouxeram ao Brasil do anos 2000. Afinal, em que contexto estamos imersos e quais questões o travessam? Como explicar a cruel tendência de invisibilizar e subjugar, através do ideal da brancura, o não branco? Como tratar a questão do racismo no Brasil, que perdura e se agarra a um passado escravagista que, ainda hoje 'cobre nosso tecido social, sobrevivendo com tenaz resistência aos humores do tempo'?

5. Racismo recreativo, de Adilson Moreira

Neste volume da coleção Feminismos Plurais, pela primeira vez, a relação entre racismo e humor é aprofundada. Por um ponto de vista jurídico, o advogado, doutor em Direito, Adilson Moreira esmiúça os conceitos de racismo e injúria racial, explicitando o viés racista da Justiça brasileira quando sentencia que produções culturais, como programas humorísticos, que reproduzem estereótipos raciais não são discriminatórias por promoverem a descontração das pessoas. (Edição revista em parceria com a Pólen Livros).

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