Meu
nome é Diego, 32, publicitário que trabalha com conteúdo digital há cerca de 10
anos. Nasci e cresci em São Paulo, e apesar de todos os defeitos, adoro a
cidade. Sou apaixonado por cultura pop, esportes e hamburgueres. E tudo que
envolve terror.
Há
quanto tempo você escreve, como começou?
Antes
de escrever, eu era um fanzineiro. Escrevia e desenhava minhas histórias, às
vezes em parceria com meu primo (também escritor), Rodolfo Bezerra. Com o
tempo, acabei deixando os desenhos em segundo plano e focando na escrita.
Comecei para valer em 2013, quando eu e o Rodolfo começamos a escrever meu
primeiro livro, A Última Estação.
Você
teria algum segredo de escrita? Algo que faça com que você se sinta inspirada/o
antes de iniciar um novo livro?
Gosto
muito de trazer o cotidiano para minhas histórias, então muito da minha
inspiração vem da simples observação das ruas e das pessoas. A Última Estação e
CEP nasceram assim.
Quais
foram suas principais referências na literatura, arte e/ou cinema?
Sempre
falo que o Rodolfo Bezerra é uma inspiração para mim, pois foi quem me fez
escrever. Além dele, cito Machado de Assis (meu autor nacional favorito),
Eduardo Spohr (primeiro autor de fantasia brasileira que li), Stephen King e
Neil Gaiman. Shinji Mikami, criador de Resident Evil e The Evil Within, também
é uma influência enorme para mim.
Qual
foi seu trabalho mais desafiador até hoje em relação à escrita?
Meu
livro mais recente, Em Casas: contos, encontros e desencontros em tempos de
pandemia, provavelmente foi o mais difícil pelo fato de fugir do terror (meu
gênero de maior domínio) e me fazer arriscar histórias curtas e baseadas em
fatos reais. Mas foi muito gratificante e um enorme aprendizado para minha
escrita.
Qual
a parte mais difícil de se escrever um livro?
Ter
uma história coesa. Muitas vezes, durante o processo de escrita, deixamos
escapar pontas que, em uma revisão, notamos que podem enfraquecer a história ou
deixá-la incoerente, e aí não há boa premissa que salve. Por isso a revisão é
de suma importância.
Qual
foi seu primeiro livro, o que pensou ao iniciar sua escrita? o que te
incentivou?
A
Última Estação foi o primeiro, e partiu de uma ideia anteriormente fracassada,
mas com o mesmo plot (a história contava o desaparecimento de um trem; mas no
original, isso ocorria nos EUA e não em São Paulo). Meu primo Rodolfo sugeriu
reviver a ideia do livro, mas se propôs a escrevê-lo comigo. E assim ele
nasceu, escrito a quatro mãos.
Tem
algum personagem que você tenha criado ao qual foi difícil desapegar?
Nossa,
muitos. A Última Estação tem uma série de personagens e, inevitavelmente, parte
deles tem um destino trágico nessa caminhada. Nunca pensei que fosse tão duro
dar adeus a eles.
E
quando terminamos o livro, senti saudades real dos protagonistas Gabriel e Alex
(meus personagens favoritos até hoje).
Quais
são suas principais referências literárias na hora de escrever?
São
diversas, mas diria que bebo muito na fonte de Stephen King e Edgar Allan Poe.
Este último, principalmente, quando penso na escrita de contos.
Você
teria algum segredo de escrita? Algo que faça com que você se sinta inspirada/o
antes de iniciar a escrita de um novo livro?
Antes
de iniciar uma nova obra, pesquiso muito. Penso nas ideias que tenho e tento me
aprofundar ao máximo nelas. Em A Última Estação, por exemplo, pesquisei a fundo
a história e funcionamento do metrô de São Paulo, tempo de viagem entre x
regiões, etc., para dar o máximo de verossimilhança. Inclusive, cheguei a
desenhar o mapa da cidade sobrenatural que abriga a maior parte da trama.
Você
reúne notas, anotações, músicas, filmes e/ou fotografias para se inspirar
durante a escrita?
Muitas!
Música sempre me acompanha no processo criativo e na escrita. Costumo criar
playlists de cada livro, inclusive. Faço anotações o tempo todo e costumo
compilar tudo que pesquiso. Incluiria os games também entre essas inspirações.
Jogar melhora muito meu processo criativo.
O
que você faz para driblar a ausência de criatividade que bate e trava alguns
momentos da escrita? Existe algo que você faça para impedir ou driblar estes
momentos?
Costumo
reler tudo que escrevi até ali e entender se tirar ou acrescentar algo pode me
fazer avançar. Se não rolar de imediato, deixo o texto “descansando” um pouco.
Às vezes assistir um filme, ler ou jogar algo nesse meio tempo me traz uma nova
inspiração e consigo retomar.
A
maioria dos autores possuem contatos e amigos de confiança para mostrar o
progresso do seu trabalho durante o percurso da escrita. Você teria um time de
“leitores beta”, para analisar seu livro antes de prosseguir com a escrita?
O
Rodolfo é sempre meu primeiro leitor beta nas obras individuais. Além dele, fiz
parceiros literários valiosos nos últimos tempos que também tem me ajudado com
essas leituras.
Qual
a parte mais complicada durante a escrita?
Começar.
Pode parecer clichê, mas o começo sempre parece solto de tudo e a chance de a
escrita morrer ali é grande. Por isso é importante ter ao menos um primeiro
norte de onde você quer chegar ali no princípio.
Você
prefere escrever diversas páginas por dia durante longas jornadas de escrita ou
escrever um pouco todos os dias? O que funciona melhor para você?
Sem
dúvidas, um pouco todos os dias. Adoraria escrever por mais tempo, mas minha
rotina (a literatura ainda não é meu retorno financeiro) não me dá, ao menos
por enquanto, esse espaço.
Em
relação ao mercado literário atual: o que você acha que deve melhorar?
Acho
que falta maior incentivo ao cenário nacional. Vejo enorme esforço de autores
independentes e pequenas editoras, e inclusive me integrei a algumas
comunidades recentemente que se ajudam de forma mútua, mas é pouco. O mercado
editorial como um todo (reunindo as grandes editoras e os órgãos competentes)
podem criar iniciativas para dar mais visibilidade para os talentos brasileiros
(que são muitos!).
A
maioria das pessoas não conseguem se manter ativas em vários projetos, como funciona
para você, você escreve vários rascunhos de diferentes obras ou se mantém até o
final durante o processo de um único livro?
Tento
me manter fiel a uma obra por vez. A exceção ocorre quando há editais de contos
que me interessam. Nesse caso, como é necessário o envio do texto até X data,
priorizo essa entrega e “pauso” meu projeto principal.
O
que motiva você a continuar escrevendo?
Eu
encontrei na escrita uma forma de dar vida às inúmeras histórias que pingam o
tempo todo na minha cabeça. Sinto prazer em escrever, e quando entendi que
conseguia fazer isso, trazendo essas histórias pro papel e compartilhando com
outras pessoas, descobri que era algo que vai fazer parte da minha vida para
sempre.
Que
conselho você daria para quem está começando agora?
Não
desista. Se você ama escrever, persista, é possível achar seu lugar. Mas também
não deixe de se aprimorar: estude storytelling, escrita criativa, o básico de
marketing. E claro, leia muito!
Para
você, qual o maior desafio para um autor/a no cenário atual? Você tem algum
hábito ou rotina de escrita?
Acho
que é descobrir onde ele/ela pode se encaixar. Existem milhares de autores,
independentes ou não, e isso pode assustar. Mas eles não são necessariamente
concorrentes: um autor de terror não disputa atenção com um leitor de romance
young adult ou de poesia, por exemplo. É preciso achar seu público, e a partir
daí, cavar seu espaço.
Como
você enxerga o cenário literário atual e a recepção dos leitores da atualidade
em relação aos novos autores?
A
literatura é repleta de nichos e há sim, felizmente, uma parcela que dá
oportunidade a obras nacionais e especialmente novas, e não só de gêneros mais
populares. Muito disto se deve aos influencers literários, e eles tem uma
enorme oportunidade (e responsabilidade) em fomentar a leitura de novos
autores.
Se
pudesse indicar quatro obras literárias que te inspiraram, quais seriam?
It:
A Coisa – Stephen King, Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis, Berserk
– Kentaro Miura e A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr.
Que
conselho você daria para quem está começando a escrita do primeiro livro?
Não
se pressione demais. Comece, escreva, deixe as ideias fluírem. Pesquise muito
sobre o que está escrevendo, e, sobretudo, divirta-se com esse processo de
pesquisa. Tornará tudo mais prazeroso.
O
que esperar para o ano de 2023 em relação à sua escrita?
Já
tenho alguns contos selecionados em antologias que serão lançadas esse ano, um
novo livro finalizado e um outro em vias finais que deve pintar ainda em 2023
também.
Primeiramente, fale-nos um pouco sobre você.
Meu nome é Diego, 32, publicitário que trabalha com conteúdo digital há cerca de 10 anos. Nasci e cresci em São Paulo, e apesar de todos os defeitos, adoro a cidade. Sou apaixonado por cultura pop, esportes e hamburgueres. E tudo que envolve terror.
Há quanto tempo você escreve, como começou?
Antes de escrever, eu era um fanzineiro. Escrevia e desenhava minhas histórias, às vezes em parceria com meu primo (também escritor), Rodolfo Bezerra. Com o tempo, acabei deixando os desenhos em segundo plano e focando na escrita. Comecei para valer em 2013, quando eu e o Rodolfo começamos a escrever meu primeiro livro, A Última Estação.
Você teria algum segredo de escrita? Algo que faça com que você se sinta inspirada/o antes de iniciar um novo livro?
Gosto muito de trazer o cotidiano para minhas histórias, então muito da minha inspiração vem da simples observação das ruas e das pessoas. A Última Estação e CEP nasceram assim.
Quais foram suas principais referências na literatura, arte e/ou cinema?
Sempre falo que o Rodolfo Bezerra é uma inspiração para mim, pois foi quem me fez escrever. Além dele, cito Machado de Assis (meu autor nacional favorito), Eduardo Spohr (primeiro autor de fantasia brasileira que li), Stephen King e Neil Gaiman. Shinji Mikami, criador de Resident Evil e The Evil Within, também é uma influência enorme para mim.
Qual foi seu trabalho mais desafiador até hoje em relação à escrita?
Meu livro mais recente, Em Casas: contos, encontros e desencontros em tempos de pandemia, provavelmente foi o mais difícil pelo fato de fugir do terror (meu gênero de maior domínio) e me fazer arriscar histórias curtas e baseadas em fatos reais. Mas foi muito gratificante e um enorme aprendizado para minha escrita.
Qual a parte mais difícil de se escrever um livro?
Ter uma história coesa. Muitas vezes, durante o processo de escrita, deixamos escapar pontas que, em uma revisão, notamos que podem enfraquecer a história ou deixá-la incoerente, e aí não há boa premissa que salve. Por isso a revisão é de suma importância.
Qual foi seu primeiro livro, o que pensou ao iniciar sua escrita? o que te incentivou?
A Última Estação foi o primeiro, e partiu de uma ideia anteriormente fracassada, mas com o mesmo plot (a história contava o desaparecimento de um trem; mas no original, isso ocorria nos EUA e não em São Paulo). Meu primo Rodolfo sugeriu reviver a ideia do livro, mas se propôs a escrevê-lo comigo. E assim ele nasceu, escrito a quatro mãos.
Tem algum personagem que você tenha criado ao qual foi difícil desapegar?
Nossa, muitos. A Última Estação tem uma série de personagens e, inevitavelmente, parte deles tem um destino trágico nessa caminhada. Nunca pensei que fosse tão duro dar adeus a eles.
E quando terminamos o livro, senti saudades real dos protagonistas Gabriel e Alex (meus personagens favoritos até hoje).
Quais são suas principais referências literárias na hora de escrever?
São diversas, mas diria que bebo muito na fonte de Stephen King e Edgar Allan Poe. Este último, principalmente, quando penso na escrita de contos.
Você teria algum segredo de escrita? Algo que faça com que você se sinta inspirada/o antes de iniciar a escrita de um novo livro?
Antes de iniciar uma nova obra, pesquiso muito. Penso nas ideias que tenho e tento me aprofundar ao máximo nelas. Em A Última Estação, por exemplo, pesquisei a fundo a história e funcionamento do metrô de São Paulo, tempo de viagem entre x regiões, etc., para dar o máximo de verossimilhança. Inclusive, cheguei a desenhar o mapa da cidade sobrenatural que abriga a maior parte da trama.
Você reúne notas, anotações, músicas, filmes e/ou fotografias para se inspirar durante a escrita?
Muitas! Música sempre me acompanha no processo criativo e na escrita. Costumo criar playlists de cada livro, inclusive. Faço anotações o tempo todo e costumo compilar tudo que pesquiso. Incluiria os games também entre essas inspirações. Jogar melhora muito meu processo criativo.
O que você faz para driblar a ausência de criatividade que bate e trava alguns momentos da escrita? Existe algo que você faça para impedir ou driblar estes momentos?
Costumo reler tudo que escrevi até ali e entender se tirar ou acrescentar algo pode me fazer avançar. Se não rolar de imediato, deixo o texto “descansando” um pouco. Às vezes assistir um filme, ler ou jogar algo nesse meio tempo me traz uma nova inspiração e consigo retomar.
A maioria dos autores possuem contatos e amigos de confiança para mostrar o progresso do seu trabalho durante o percurso da escrita. Você teria um time de “leitores beta”, para analisar seu livro antes de prosseguir com a escrita?
O Rodolfo é sempre meu primeiro leitor beta nas obras individuais. Além dele, fiz parceiros literários valiosos nos últimos tempos que também tem me ajudado com essas leituras.
Qual a parte mais complicada durante a escrita?
Começar. Pode parecer clichê, mas o começo sempre parece solto de tudo e a chance de a escrita morrer ali é grande. Por isso é importante ter ao menos um primeiro norte de onde você quer chegar ali no princípio.
Você prefere escrever diversas páginas por dia durante longas jornadas de escrita ou escrever um pouco todos os dias? O que funciona melhor para você?
Sem dúvidas, um pouco todos os dias. Adoraria escrever por mais tempo, mas minha rotina (a literatura ainda não é meu retorno financeiro) não me dá, ao menos por enquanto, esse espaço.
Em relação ao mercado literário atual: o que você acha que deve melhorar?
Acho que falta maior incentivo ao cenário nacional. Vejo enorme esforço de autores independentes e pequenas editoras, e inclusive me integrei a algumas comunidades recentemente que se ajudam de forma mútua, mas é pouco. O mercado editorial como um todo (reunindo as grandes editoras e os órgãos competentes) podem criar iniciativas para dar mais visibilidade para os talentos brasileiros (que são muitos!).
A maioria das pessoas não conseguem se manter ativas em vários projetos, como funciona para você, você escreve vários rascunhos de diferentes obras ou se mantém até o final durante o processo de um único livro?
Tento me manter fiel a uma obra por vez. A exceção ocorre quando há editais de contos que me interessam. Nesse caso, como é necessário o envio do texto até X data, priorizo essa entrega e “pauso” meu projeto principal.
O que motiva você a continuar escrevendo?
Eu encontrei na escrita uma forma de dar vida às inúmeras histórias que pingam o tempo todo na minha cabeça. Sinto prazer em escrever, e quando entendi que conseguia fazer isso, trazendo essas histórias pro papel e compartilhando com outras pessoas, descobri que era algo que vai fazer parte da minha vida para sempre.
Que conselho você daria para quem está começando agora?
Não desista. Se você ama escrever, persista, é possível achar seu lugar. Mas também não deixe de se aprimorar: estude storytelling, escrita criativa, o básico de marketing. E claro, leia muito!
Para você, qual o maior desafio para um autor/a no cenário atual? Você tem algum hábito ou rotina de escrita?
Acho que é descobrir onde ele/ela pode se encaixar. Existem milhares de autores, independentes ou não, e isso pode assustar. Mas eles não são necessariamente concorrentes: um autor de terror não disputa atenção com um leitor de romance young adult ou de poesia, por exemplo. É preciso achar seu público, e a partir daí, cavar seu espaço.
Como você enxerga o cenário literário atual e a recepção dos leitores da atualidade em relação aos novos autores?
A literatura é repleta de nichos e há sim, felizmente, uma parcela que dá oportunidade a obras nacionais e especialmente novas, e não só de gêneros mais populares. Muito disto se deve aos influencers literários, e eles tem uma enorme oportunidade (e responsabilidade) em fomentar a leitura de novos autores.
Se pudesse indicar quatro obras literárias que te inspiraram, quais seriam?
It: A Coisa – Stephen King, Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis, Berserk – Kentaro Miura e A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr.
Que conselho você daria para quem está começando a escrita do primeiro livro?
Não se pressione demais. Comece, escreva, deixe as ideias fluírem. Pesquise muito sobre o que está escrevendo, e, sobretudo, divirta-se com esse processo de pesquisa. Tornará tudo mais prazeroso.
O que esperar para o ano de 2023 em relação à sua escrita?
Já tenho alguns contos selecionados em antologias que serão lançadas esse ano, um novo livro finalizado e um outro em vias finais que deve pintar ainda em 2023 também.
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