companhia das letras

análise crítica: Laços de família, de Clarice Lispector

domingo, 22 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta



 BIOGRAFIA DA  AUTORA
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia, na aldeia Tchetchenilk, no ano de 1925. Os Lispector emigraram da Rússia para o Brasil no ano seguinte, e Clarice nunca mais voltou á pequena aldeia. Fixaram-se em Recife, onde a escritora passou a infância. Clarice tinha 12 anos e já era órfã de mãe quando a família mudou-se para o Rio de Janeiro. Entre muitas leituras, ingressou no curso de Direito, formou-se e começou a colaborar em jornais cariocas. Casou-se com um colega de faculdade em 1943. No ano seguinte publicava sua primeira obra: “Perto do coração selvagem”. A moça de 19 anos assistiu à perplexidade nos leitores e na crítica: quem era aquela jovem que escrevia "tão diferente"? Seguindo o marido, diplomata de carreira, viveu fora do Brasil por quinze anos. Dedicava-se exclusivamente a escrever. Separada do marido e de volta ao Brasil, passou a morar no Rio de Janeiro. Em 1976 foi convidada para representar o Brasil no Congresso Mundial de Bruxaria, na Colômbia. Claro que aceitou: afinal, sempre fora mística, supersticiosa, curiosa a respeito do sobrenatural. Em novembro de 1977 soube que sofria de câncer generalizado. No mês seguinte, na véspera de seu aniversário, morria em plena atividade literária e gozando do prestígio de ser uma das mais importantes vozes da literatura brasileira.

2. RESUMO DO ENREDO DE LAÇOS DE FAMÍLIA

2.1 Devaneio e amor de uma rapariga
Uma portuguesa, sozinha em casa devido a ausência dos filhos e marido, passa a criar devaneios em frente de um espelho, a pensar sobre si própria e o quão estava triste devido a insatisfação com sua vida, e logo deita-se e dorme sem importar-se que logo o marido chegaria para o jantar. Ele chega, mas ela estava tão aborrecida que nem se importou com ele nem aceitou seus carinhos, e por isso o marido julgou que ela estava doente. Foi a um jantar com o marido e o patrão dele, lá acabou embriagando-se mas ficou sobre os cuidados do marido, mas percebe-se cortejada pelo patrão do marido e sente inveja ao ver uma mulher loira de chapéu bonito, mas compara-se com ela, que não aparente ser uma mulher dona de casa, reassume sua autoestima, e quando os filhos chegam em casa, resolve voltar a sua vida normal e faz uma faxina para compensar seus devaneios.

2.2 Amor
Ana é esposa e mãe de dois filhos, sempre muito decida, amorosa e cuidadosa com sua casa e sua família, vê-se perturbada ao ver um cego mascando chicletes no bonde. Ela sente-se incomodada com a cena e ela se vê tomada por grandes sensações de ódio, piedade, bondade por aquele cego em sua triste realidade. Conturbada, ela acabada descendo do bonde no ponto errado e vai até o Jardim Botânico e lá fica refletindo sobre sua vida, em delírios ao observar a natureza e o sofrimento humano. Mas estes pensamentos são interrompidos quando lembra-se da família, então ela volta pra casa e prepara um jantar para todos, o mesmo é um sucesso e sua vida volta ao normal ao deitar-se para dormir com o marido.

2.3 Uma galinha
Uma galinha seria morta no domingo, e as vésperas, no sábado, estava quieta encolhida em um canto, até que resolve fugir e pousa no telhado de uma mulher, Perseguiram a galinha, e ela corria assustada, desesperada, até que um rapaz alcançou-a e a levou para casa, ficando no chão da cozinha. Por pura afobação e cansaço, a galinha pôs um ovo e toda a família ficou surpresa e decidiu não mata-la. Passando um tempo tratando esta galinha como a rainha da casa, preservando-a, até que um dia, esquecidos de tudo, matam ela e a comem no jantar.

2.4 A imitação da rosa
Laura, casa e sem poder ter filhos, acabara de sair de um internamento em uma clínica psiquiátrica e se prepara enquanto espera o marido para ir jantar na casa de Carlota. Enquanto prepara-se, analisa sua postura de mulher submissa e obediente, até que sai para jantar com Armando. Outro dia, exausta e feliz, tira um cochilo e quando acorda, depara-se com as rosas que a empregada colocou na sala, as rosas que comprara na feira por pura insistência do vendedor. Sentiu-se incomodada com as rosas e a beleza esplêndida delas a ameaçava, e ela resolve manda-las para a amiga Carlota. Pouco depois arrepende-se e quer muito ter as rosas, tão belas e ao mesmo tempo tão ameaçadoras. Mas como já havia dito, deixou que a empregada ás levasse, ficando bastante arrependida mas sem poder voltar atrás. Então continua ali na sala, sentada, até que seu marido chega.

2.5 Feliz Aniversário
No dia em que completa 89 anos, a velha Anita, mãe de 7 filhos, é homenageada com uma festa organizada por sua filha Zilda, com quem ela mora. Lá se fazem presente seus filhos, noras, netos, todos movidos por uma rivalidade entre irmãos, que acaba acarretando o mesmo sentimento em torna de toda a família. Lá ficam na hipocrisia de comemorar o aniversário de Anita, ela é coloca a beira da mesa de frente ao bolo açucarado, e lá fica a observar a hipocrisia de sua própria família, por não se gostarem mas estarem lá, unidos, não por um laço de amor familiar, mas por ser um hábito social. Incomodada e aborrecida, Anita cospe no chão, o que assustada todos, a qual atribuem a sua faixa etária. A festa acaba e todos vão embora.

2.6 A menor mulher do mundo
Marcel Petre, homem vivido e explorador do mundo, encontrou na África uma tribo de pequenos seres chamados de Pigmeus. Ele fica indignado com a pequenitude desses seres, até que encontra uma mulher negra e peluda como um macaco, de apenas 45 cm, e e a apelida de pequena flor. Ele tira uma foto de pequena flor e coloca em tamanho real nos jornais, causando surpresa e deboche e várias famílias que a veem. Ela percebe-se apaixonada por Petre, ela também ama sua bota e seu anel.

2.7 O jantar
O narrador observa entrar em um restaurante, um homem alto, corpulento, de cabelos brancos, sobrancelhas espessas, mãos potentes e aparentava ter uns sessenta anos. Ele senta-se e começa a jantar, e o narrador fica no decorrer do conto, a observar suas ações. Observa que o homem come com fúria, desespero, até que percebe que ele deixa escorrer uma lágrima. O narrador acha estranho um homem que aparenta ser tão forte, deixar-se levar por uma lágrima. Ele fica indignado ao observar o comportamento do velho e decide não comer mais.

2.8 Preciosidade
O conto fala sobre uma menina de quinze anos, feia e que tinha medo de crescer e se tornar uma mulher. Ela tinha sapatos barulhentos e tinha medo de que as pessoas a olhassem e descobrissem seu segredo, que é o medo de crescer. Até que um dia de madrugada, ela sai de casa para pegar o ônibus para ir a escola e se depara com dois homens, que a tocam e derrubam seu caderno. Ela se atrasa para a aula e fica o resto do dia apavorada, a noite exige sapatos novos, pois havia deixado de lado a preciosidade: tinha se tornado uma mulher.

2.9 Laços de família
A mãe de Catarina, assim chamada de Severina por Antonio, marido de Catarina, passara duas semanas com a família. Chega o dia de sua partida e ela, que não se dava bem com o genro, por um momento se despede amorosamente do genro, As duas vão até a estação, e distantes uma da outra, percebem que falta afeto entre ambas mas não conseguem demonstra-lo a tempo. O trem parte. Em casa o filho de Catarina chama-a de mãe pela primeira vez, e surpresa, ela sai para passear com seu filho e Antônio fica a analisar esse comportamento não habitual de Catarina, mas acaba deixando de lado e decidindo que quando voltassem, iam ao cinema.

2.10 Começos de uma fortuna
Um menino adolescente e solitário, chamado Arthur, procura compensar sua carência pensando instantaneamente em dinheiro. No início do conto mostra seu déficit de afeto e seu desejo por dinheiro. Logo depois ele vai ao cinema com um amigo e duas meninas, e paga a entrada de Glorinha no cinema. Inicialmente ele acusa ela de ser “fácil”, depois, no seu inconsciente ele a chama de Ingrata, por ele ter pago sua entrada e não ter acontecido carícias entre eles. O menino sente-se explorado a troco de nada, e na mesa de jantar conversando com o pai, começam a falar de dinheiro e dívidas.

2.11 Mistérios em São Cristóvão
Num tranquila noite de Maio, uma família composta por o pai, a mãe, uma vó, três crianças e uma mocinha de dezenove anos. Após o jantar, eles vão dormir, e no meio da noite, três homens invadem o jardim da casa para furtar os jacintos: Um cabeça de galo, outro vestido de touro e o ultimo, vestido de cavalheiro antigo com máscara de demônio. Enquanto tentavam arrancar os jacintos, a mocinha apareceu na janela e eles fugiram. Ela gritou, e logo apareceram sua mãe, seu pai e sua vó. Acalmaram menina, e passado o susto, voltaram a dormir.

2.12 O crime do professor de matemática
Um professor de matemática, de meia idade, míope e frio, chega ao topo da colina para enterrar um cão que encontrou morta na rua. Ele tira o cão do saco e cava um buraco onde imagina ser o melhor ligar para enterrá-lo, e lá senta a refletir sobre o cão que tivera e o abandonara por causa da família e do amor incondicional que o cachorro tinha por ele. Ele sente-se mal por ter abandonado seu cão, um crime que quase ninguém desconfiava, mas que ele se arrependera e hoje sente saudades de José, o nome humano que o dera. Pensando na sua covardia, com um gesto súbito ele desenterra o cão desconhecido, observa-o e desce da colina em direção ao seio da família.

2.13 Búfalo
Uma mulher desesperada, que não entende por que foi abandonada por o homem que ela ama, vai ao zoológico em busca de um sentimento parecido ao que ela estava sentindo, ai ao zoológico cheia de rancor e ódio por ter sido abandonada. Anda pelo zoológico com um casaco marrom e observa os animais, tomada pelo ódio de vê-los regidos pelo amor, por ver as demonstrações de afeto, bondade e ingenuidade até no reino animal, e isso a enfurece mais ainda, que pensa em matar os macacos e despreza os outros bichos. Vai na montanha russa mas nada satisfaz sua raiva ,até que encontra um búfalo e nos seus olhos vê todo o ódio que procurava.

3. PERSONAGENS
A narrativa concentra-se no espaço mental das personagens. Características físicas das personagens ficam em segundo plano. Muitas personagens não apresentam sequer nome.
3.1 A mulher portuguesa: Nota-se que ela é uma mulher fatigada da vida, cansada da vida rotineira e sem estímulos para sair da cama e cuidar do seu marido. A princípio não está feliz com seu papel de dona de casa, começa a devanear sobre sua vida dupla, de mulher e esposa, triste. Acaba embriagando-se e logo percebe o quão pode estar enganada, insatisfeita mas tendo motivos para estar satisfeita. E assim, trás de volta sua autoestima.
3.2 Ana: Ana é uma mulher cansada da sua rotina incessante e cansativa, porém excelente mãe, esposa e dona de casa, cuida da sua casa e de sua família com todo carinho e afeto, mas ao decorrer do conto demonstra ser também uma pessoa assustada, que vê seu mundo desmoronar ao se incomodar intensamente com um cego que masca chicletes, porém piedosa, por saber que a humanidade sofre.
3.3 Galinha: Uma galinha solitária, até então sem importância para a família, e com medo de virar janta das pessoas, ela desesperada resolve fugir. Corre bastante, se vê aterrorizada ao ser alcançada pelo rapaz e de susto e cansaço, põe um ovo.
3.4 Laura: Mulher casa, de pele morena e suave, olhos marrons, cabelos marrons presos com grampos atrás das orelhas grandes e pálidas, mulher afeita à rotina, de coxas grossas, baixas, sem filhos, chata e desinteressante. Havia saído a pouco de uma clínica psiquiátrica, mas ela era uma mulher feliz na sua vida a dois com o marido Armando, e seu gosto minucioso pelo método a fazia se arrumar todo dia antes que Armando chegasse do trabalho, para sentar-se numa poltrona e espera-lo calmamente para o jantar.
3.5 Anita: Idosa de 89 anos, insatisfeita e brava com a mediocridade, rivalidade e egoísmo dos seus familiares. Uma mulher horrorizada com o que seus filhos, netos, noras e genros semearam, a hipocrisia de não se gostarem mas estarem reunidos em uma aniversário só por meras convenções socais. Anita fica cada vez mais irritada e durante todo seu aniversário demonstra sua raiva e insatisfação com tudo que estava acontecendo, ficando imóvel, quieta, de olhos arregalados. Até quando não aguenta mais e explode, amarga e feroz, contrariando seus familiares.
3.6 Pequena Flor: Uma pequena mulher, de 45 centímetros, escura e peluda como um macaco, vive em uma aldeia com seu povo nas profundezas da África. Pequena flor é selvagem, dotada de hábitos ligados a floresta, mas mesmo assim é capaz de amar, e assim se apaixona pelo explorador francês que a vê e fica indignado com seu pequeno tamanho.
3.7 Homem de sessenta anos: o velho era alto, corpulento e de cabelos brancos, sobrancelhas espessas e um anel no dedo. Pelo que o narrador observa, ele é um homem solitário, esfomeado, que come com uma bravura insana, aparenta ser um homem forte mas logo deixa cair uma lágrima em seu rosto, que acusa o provável fato de que ele pode estar passando por problemas, por isso age de uma forma rude e estranha ao jantar, enfatizando a questão de pessoas que fogem dos seus sentimentos, se escondendo atrás de uma casca dura, que é o caso do velho no conto.
3.8 Adolescente de 15 anos: Ela tinha quinze anos e não era bonita. Tinha sapatos de madeira barulhentos, com ruídos feios assim como ela. A jovem era quieta, amedrontada, complexada com si mesma, e temia que a olhassem e assim desvendassem o medo secreto que tinha de crescer, de se tornar mulher. Ela era inteligente e dedicada aos estudos, como uma maneira de ser respeitada e manter os homens afastados) Até que ela sente que crescera e resolver ter sapatos novos, e atitudes de mulher.
3.9 Catarina: Casada com Antônio e mãe de um filho, ela é uma mulher de olhos escuros e feliz no seu casamento. Porém, não tem uma relação amorosa com sua mãe, não há carinho direto entre as duas, demonstração de amor. E na partida de sua mãe, dona Severina, ela sentem a vontade de demonstrarem seu afeto mas acabam ficando retraídas. Pela procedência do conto, percebe-se também que o mesmo acontece com Catarina e seu filho, já que o menino nunca a tinha chamado de mãe.
3.10 Artur: Filho adolescente que devido a ausência de carinho dos pais, o rapaz transforma sua carência afetiva em ânsia pelo dinheiro. É um garoto de certo modo ambicioso, quer a todo custo enricar, mas isso se deve a falta de conversas e demonstrações de afeto dos pais para com o garoto.
3.11 Três mascarados: Um era alto e tinha a cabeça de um galo. Outro era gordo e vestira-se de touro. E o terceiro, mais novo, vestira-se de cavalheiro antigo e pusera máscara de demônio, através da qual surgiram seus olhos cândidos. Os três cavalheiros mascarados tentaram roubar os jacintos no jardim da família pois pretendiam fazer uma surpresa num baile tão longe do carnaval. Mocinha de 19 anos: Ela os viu tentando roubar os jacintos, e seu rosto branco olhando-os da janela, assusto os três cavalheiros, que fugiram. A mocinha ficou assustada, apenas gritara e nada sabia explicar. “Seu rosto apequenara-se claro- toda a construção laboriosa de sua idade se desfizera, ela era de novo uma menina.” Mas a mocinha aos poucos recuperou sua verdadeira idade.
3.12 Professor de Matemática: Um homem de meia idade, míope, frio. Ele abandonara seu cão, José, pois ele não suportava o amor do cão por ele. Acabou abandonando o animal que tanto gosta mas depois arrependeu-se e jugou a si mesmo como criminoso, tentando compensar desenterrando o cachorro desconhecido que acabara de enterrar.
3.13 Mulher cheia de ódio: Com um casaco marrom, ao decorrer do conto ela se mostra uma mulher magoada, triste e rancorosa, por ter sido abandonada pelo homem a quem amava. Ela procura ódio nos animais, pensa em mata-los, fica em uma busca incansável por ódio, pois ela precisava dele para não morrer de amor. No entanto, encontra o ódio. Mas não se satisfaz como queria.

4. ESPAÇO
Uma característica marcante das obras de Clarice Lispector, é o romance urbano, exatamente como está presente no livro laços de família. Ela prioriza o espaço externo, para que o personagem mergulhe em si mesmo, que é o verdadeiro espaço destacado na obra. Os contos presentes no livro se passem em cidades, exceto o último conto, Búfalo, que se passa em um jardim zoológico.

5. TEMPO
A narrativa ocorre em tempo cronológico, em que a autora enfatiza domingos, tardes e manhãs suspensas no ar. Se passa em um tempo passado, devido a algumas características do livro percebe-se que estão presentes algumas características do passado em que vivia Clarice Lispector.

6. FOCO NARRATIVO
Todos os contos do livro são escritos em terceira pessoa, exceto o conto número 7, Jantar, que foi escrito em primeira pessoa, com um narrador-observador. Grande parte dos contos, tem como temática principal a condição feminina no contexto familiar, a exemplo: Devaneios e embriaguez de uma rapariga; Amor; A imitação da rosa; laços de família; preciosidade; feliz aniversário; Búfalo e Mistérios em São Cristóvão. Todos os contos restantes (exceto Jantar) também falam do ambiente familiar, mas priorizam outros membros da família, e não somente a figura da mulher. O narrador em terceira pessoa procura sempre desvendar o interior, o íntimo dos personagens, mergulhando nos seus sentimentos, mostrando seus insatisfações e seus problemas ora psicológicos, ora externos.

7. ESTILO
A obra de Clarice aborda verdades tidas como absolutas, suas personagens procuram respostas as suas dúvidas. Mergulham no seu interior, buscando analisar seu comportamento e o porquê de algum fato ter acontecido. Nada passa despercebido pela autora. O foco do livro é a vida cotidiana das pessoas, sendo o título bastante irônicos, pois nos contos esses laços de família geralmente são fontes de aprisionamento e afeto entre os personagens, em muitos deles causadores da tristeza e da mesmice da vida.

8. VEROSSIMILHANÇA
No fim da década de 1940,a prosa de ficção brasileira passa por uma transformação grande. A exploração da linguagem, favorece novas experiências que rompem com a estrutura tradicional e permitem um mergulho na mais funda intimidade do ser humano, que é que está presente nesta obra de Clarice Lispector. Ela mergulha no íntimo do ser humano, mostrando suas fraquezas e virtudes, analisando as características que constituem o indivíduo e tem forte presença da epifania pós-modernista, que é a descoberta da própria identidade pelo indivíduo.

9. MOVIMENTO LITERÁRIO
Passados mais de 50 anos, pela terceira vez no século XX, as letras brasileiras apresentaram novo ciclo de renovação, tanto na prosa quanto na poesia, expressando o estilo personalista de cada autor. A partir de 1945, surge uma geração de escritores que inaugura uma nova etapa na historia do Modernismo. Esse período é chamado de pós Modernismo. É difícil descrever todas as correntes literárias contemporâneas, mas, podemos apontar tendências que nos possibilitem a compreender os caminhos trilhados pela prosa desde a segunda metade do século XX. Essa Característica é bem visível nas obras de Clarice Lispector, a princípio, destaca-se o interesse pela analise psicológica das personagens, onde leva a autora à uma abordagem profunda em razão dos problemas gerados pelas tensões existentes entre o individuo e o contexto social. Clarice Lispector desenvolve um universo ficcional em que investiga os processos que tornam o ser humano único, eu lhes dão identidade. Submete os personagens a uma processo de individualização que permite a elas reconhecer a própria identidade e isso as fazem avaliar o contexto em que se encontram e questionar a sua submissão às expectativas familiares e sociais.

11. CONCLUSÃO
O livro Laços de Família nos remete análises comportamentais das pessoas, da consciência que por alguns momentos fogem da vida rotineira, do aprisionamento cotidiano. As formas de vida estereotipadas, movidas pelas convenções sociais são passadas de geração para geração, fazendo com que as pessoas sigam padrões já estabelecidos pela sociedade.
Clarice Retrata em sua obra, as fraquezas e virtudes do seu humano, fazendo nós leitores viajar pelo interior de cada personagem, seus devaneios, suas reflexões, tudo faz-nos entender a complexidade do seu humano, e as transformações capazes de abalar a estrutura de suas vidas. Ela foca na descoberta do “eu” na família, onde coloca a mulher como dona-de-casa e insatisfeitas com esse papel. Viaja pelo íntimo dos personagens, analisa cada acontecimento de sua vida, com bastante minuciosidade e curiosidade em desvendar seu íntimo. Desse modo, fecho meu trabalho percebendo que Clarice Lispector mostra as relações familiares e os laços que unem os personagens dos seus contos, mostrando na maioria deles um lado não idealizado de amor familiar, mas sim os fatores verdadeiros da rotina que ligam as pessoas para passarem sua vida inteira juntas.

“Nasci para escrever. Minha Liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo.”
Clarice Lispector. (1926 – 1977)

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