Como escreve: Christian Dancini, autor de dialeto das nuvens


Em uma entrevista exclusiva, o renomado autor de poesia Christian Dancini nos revela os segredos por trás de suas obras inovadoras e encantadoras. Com apenas 15 anos, ele entrava no mundo literário com o lançamento de seu primeiro livro em formato digital, 'Fragmentos de uma aurora'. Ao longo dos anos, Dancini se consolidou como um dos nomes mais promissores da poesia contemporânea, conquistando reconhecimento nacional e internacional. Seu mais recente livro, 'Dialeto das Nuvens', transporta o leitor para um universo desconhecido e repleto de sensações, explorando desde a fragilidade humana até mergulhos no surrealismo. Prepare-se para conhecer a mente brilhante por trás dessas obras e se encantar com as palavras poderosas de Christian Dancini.


Foto: Editora Patuá / Divulgação

1. Quando decidiu que se tornaria um escritor?

Resposta: Desde muito cedo eu escrevia. Eu costumava escrever histórias sobre detetives aos 8 anos, inspirado pelo livro “O Cão dos Baskervilles” de Arthur Conan Doyle. Mas foi somente aos 11 ou 12 anos que de fato eu soube que era isso que eu queria. Ao ler um poema sobre a morte, de Junqueira Freire, eu me encantei, descobri que a poesia podia alcançar o patamar do inenarrável com simples combinações de palavras. Mas foi aos 14 que comecei de fato a entrar em um projeto de escrita do livro Fragmentos de uma Aurora, logo após ler Rimbaud e o Poema Sujo de Ferreira Gullar.



2. Qual foi o seu primeiro livro escrito? Você chegou a concluí-lo? Já abandonou algum projeto de escrita?

Resposta: Meu primeiro livro foi o Fragmentos de uma Aurora, finalizado aos 15/16 anos e postado por um site chamado Projeto Livro Livre, chefiado por Iba Mendes. Porém, eu já havia abandonado dois outros livros que comecei a escrever mas não finalizei e acabei perdendo o caderno, se chamava O Momento Entre o Dia e a Noite e Crepúsculo dos Corpos (títulos que acabei reutilizando no livro Reminiscências, que junta todos os meus livros da adolescência em um livro só). 



3. Como você escolhe os temas e o enredo dos seus livros?

Resposta: Bom, tenho diversas formas de escolher o tema do livro inteiro, ou de uma parte do livros, ou de um poema do livro. Um dos meus métodos é ler algo como um poema e nele tentar imergir, me perguntar por quê o escritor usou tal palavra? Ou mesmo me perguntar o que essa palavra ou poema reflete em mim? Fora isso, costumo escrever sobre o que sonho e vivo, buscando dos meus delírios e alucinações uma fonte de palavras verborrágicas.



4. Você se inspira em algum autor ou obra específica para escrever?

Resposta: Sim. Eu me espelho em (só para citar alguns) Herberto Helder; Rimbaud; Mário Cesariny; Álvares de Azevedo; Baudelaire; Lautreamont e William Blake. Mas minha primeira inspiração (além do poema do Junqueira Freire e também Ismália de Alphonsus Guimarães) foi o cantor e compositor Jim Morrison do The Doors.



5. Existe algum ritual para se escrever um livro? Qual funciona para você?

Resposta: Sim. Normalmente eu ponho uma música instrumental que me inspire (post rock, ambient music, música erudita, etc.); além disso, eu tenho que estar sozinho em um cômodo, não consigo escrever quando têm pessoas ao meu redor; e, por fim, pegar palavras que me inspirem e utilizar elas no texto. E eu costumo rever o texto diversas vezes até eu achar que está bom o suficiente.



6. Quais são seus livros publicados atualmente? Qual foi o mais complexo?

Resposta: O mais complexo acredito ser o último. Eu já publiquei três livros, dois por editora e um de forma independente com uma prestadora de serviço de Embu das Artes. São eles: Reminiscências (que é o meu primeiro), onde eu junto meus três livros escritos dos 14 aos 19/20, se não me engano; Pleroma (pela editora Ópera) em 2023, e em 2024 o Dialeto das Nuvens. Este último sendo o mais complexo, pois eu revisitei esses textos diversas vezes, troquei palavras, reescrevi... além de ter sido emocionalmente difícil de escrever.




7. Você utiliza rascunhos, anotações ou esboços para não se perder na escrita?

Resposta: Sim. Quando me vem uma ideia, eu costumo anotar, ou se eu, por exemplo, achar uma palavra interessante, guardo ela em algum lugar e utilizo-a depois em algum texto.




8. O que não pode faltar durante seu processo criativo? Como você lida com a ausência de inspiração?

Resposta: O que não pode faltar é música e outros livros de poemas e, claro, a quietude. Quando eu não tenho inspiração, eu costumo não me forçar a escrever, acredito que alguma ideia irá maturar em meus pensamentos até o momento em que ela deva se tornar concreta.



9. O que podemos esperar para os seus próximos livros?

Resposta: Poemas oníricos e com cada vez mais conteúdo surreal; e palavras que se encaixam como quebra cabeças, parecendo, num primeiro momento, sem sentido, mas lotada de emoções e sensações. 



10. Como você enxerga a vida dos autores no cenário político atual?

Resposta: Estamos vivendo um momento político extremamente delicado, com guerras ao redor do mundo, financiadas pela indústria armamentista. O autor e, se me der licença para eu dizer mais sobre o meu lado, o poeta é tremendamente necessário. O poeta pode através das imagens e dos sentimentos, resgatar o sonho de uma utopia, não sendo necessariamente uma válvula de escape, mas sim uma oportunidade para sonhar com um mundo melhor. É isso, acredito no sonho como uma ferramenta de transmutação.



11. Que conselho você daria para alguém que quer escrever o primeiro livro?

Resposta: Escreva. Se não escrever, nunca irá sair do lugar. Mesmo que seja sem pretensão nenhuma, mesmo que apenas como exercício. Ler muito, sobre tudo que encontrar. E ser verdadeiro, escrever aquilo que lhe toca.


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