Racismo ambiental: contextualização, exemplos e livros sobre a problemática

Foto: Pexels

O racismo ambiental é um fenômeno complexo que se refere à injustiça ambiental sofrida por comunidades marginalizadas com base em sua raça, etnia ou origem socioeconômica. Essas comunidades são habitualmente expostas a uma série de condições ambientais negativas, como poluição do ar, contaminação da água, depósitos de resíduos tóxicos e falta de acesso a recursos naturais.

Uma das principais características do racismo ambiental é a localização dessas comunidades próximas a áreas industriais, incineradores, instalações de armazenamento de resíduos e outras fontes de poluição. Isso ocorre porque, muitas vezes, essas comunidades não têm influência política ou econômica para se opor a esses empreendimentos ou não têm outra opção de moradia devido a fatores socioeconômicos. Como resultado, elas se tornam vulneráveis à degradação ambiental e à exposição a produtos químicos perigosos.

Essas comunidades já sofrem com uma série de desafios sociais e econômicos, e o racismo ambiental só agrava essas desigualdades. A exposição crônica a poluentes pode ter um impacto significativo na saúde dessas pessoas, levando a taxas mais altas de doenças respiratórias, câncer, problemas neurológicos e problemas de desenvolvimento em crianças.

Além disso, o racismo ambiental também está intrinsecamente ligado a questões de justiça social. Muitas vezes, as comunidades afetadas são historicamente marginalizadas e possuem menos acesso a educação de qualidade, emprego, sistemas de saúde adequados e outras oportunidades. Isso cria um ciclo de desigualdade persistente, onde as comunidades mais vulneráveis são relegadas a uma qualidade de vida inferior.

Para enfrentar o racismo ambiental, é necessário um esforço conjunto entre governos, organizações não governamentais, ativistas e pesquisadores. É essencial criar políticas que protejam as comunidades marginalizadas contra a exposição injusta a poluentes e estabelecer regulamentações mais rígidas para as indústrias. Também é importante aumentar a conscientização sobre a discriminação ambiental e o impacto que ela tem sobre a vida das pessoas.

A luta contra o racismo ambiental não beneficia apenas as comunidades mais afetadas, mas sim toda a sociedade. Devemos trabalhar juntos para construir um mundo mais justo e igualitário, onde todos tenham o direito de viver em um ambiente seguro e saudável, independentemente de sua raça, etnia ou classe social. Só assim poderemos alcançar um futuro sustentável e equitativo para todos.

Exemplos

1) Em muitas cidades, é comum que áreas mais pobres e habitadas majoritariamente por pessoas negras e de minorias étnicas estejam mais expostas a poluição ambiental. Isso acontece devido à instalação de indústrias e fábricas que poluem o ar e a água nessas regiões, prejudicando diretamente a saúde dessas comunidades.

2) Em algumas regiões, é comum que a infraestrutura básica, como fornecimento de água potável e coleta de resíduos, seja menos eficiente em áreas habitadas por populações de baixa renda, em sua maioria negras e latinas. Isso faz com que essas comunidades sejam mais vulneráveis a doenças e problemas de saúde relacionados ao acesso insuficiente a recursos básicos.

3) A disposição de depósitos de resíduos tóxicos e lixões nas proximidades de comunidades marginalizadas também caracteriza um exemplo de racismo ambiental. Essas áreas são frequentemente escolhidas para o descarte inadequado de resíduos, pois os residentes possuem menos poder político e recursos para se opor a essas práticas prejudiciais à saúde.

4) Em várias partes do mundo, como no Brasil, a expansão de grandes projetos de mineração e agronegócio tem desencadeado conflitos territoriais com comunidades indígenas e tradicionais. Esses projetos muitas vezes causam danos ambientais significativos, como desmatamento e poluição dos rios, prejudicando diretamente a qualidade de vida dessas comunidades.

5) O planejamento urbano desigual também pode ser considerado um exemplo de racismo ambiental. Por exemplo, a falta de investimento em infraestrutura, áreas verdes e espaços públicos em bairros periféricos habitados majoritariamente por pessoas negras e de minorias étnicas, resulta em menor qualidade de vida e menor acesso a oportunidades de lazer e recreação, em comparação com áreas mais privilegiadas.

Livros sobre o racismo ambiental

Direito e racismo ambiental na diáspora Africana, de Arivaldo Santos de Souza

Fazendo um recorte temático de negros descendentes de africanos que vieram ao território das Américas no período colonial, o livro apresenta um conceito aprofundado do racismo ambiental, além de abordar a concepção de justiça ambiental. Portanto, a obra traz importante contribuição para a compreensão da dimensão social das questões ambientais, que sempre afetarão mais fortemente grupos mais vulneráveis.

Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil: o mapa de conflitos [Organizadores: Marcelo Firpo Porto, Tania Pacheco, Jean Pierre Leroy]


"O meticuloso e mundialmente pioneiro trabalho dos pesquisadores que deu origem a esta coletânea revela um fenômeno estrutural: estão aumentando o número e a gravidade dos conflitos ambientais em todo o mundo, principalmente no 'sul global' exportador de commodities. Isso ocorre em razão da explosão dos monocultivos com seus agrotóxicos, da extração de recursos naturais, do transporte de materiais e da produção de rejeitos. Assim, sofrem as populações pobres, indígenas, quilombolas e tantas outras, que perdem seu sustento e sua saúde, e, por isso, mobilizam-se e protestam. Até mesmo a esquerda política mostra-se cada vez menos empenhada em reconhecer a ecologia popular e o movimento global por justiça ambiental. Enquanto isso, o comércio injusto e insustentável continua a gerar inúmeros problemas ambientais, de saúde e violação dos direitos fundamentais. Os inventários e os mapas de conflitos ambientais, como os abordados nesta obra, ajudam, com vigor científico e moral, a dar visibilidade a essa realidade indignante. Mais que isso, mostram a forma como instituições e pesquisadores engajados podem, ao se aliar aos movimentos por justiça e contra o racismo ambiental, contribuir para a construção de um mundo mais solidário, justo e sustentável." Joan Martínez-Alier, professor da Universidade Autônoma de Barcelona e da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) de Quito/Equador


Racismo Ambiental e Emergências Climáticas no Brasil, de Mariana Belmont


Livro originado da Formação em Racismo Ambiental e Emergência Climática. Um chamado organizacional junto com à Coalizão Negra por Direitos, movimentos e coletivos negros, intelectuais e militantes negras/os. A emergência climática está trazendo à tona demandas urgentes dos movimentos negros e visibilizando as dimensões de vulnerabilidade social e ambiental de grupos historicamente excluídos a terem direitos. A formação falou do Brasil do hoje para o de amanhã. Esta obra é uma provocação ao movimento ambientalista branco, para que a as desigualdades, em especial o racismo seja tema central nas discussões climáticas, mas é principalmente a busca para que o Estado seja responsabilizado pela inoperância nos territórios vulnerabilizados.

Meio ambiente em foco – racismo ambiental: conflitos, territórios e resistências [Cláudio Ubiratan Gonçalves et. al. (Organizadores)]


“Pois por sua maior mobilidade, o capital especializa gradualmente os espaços, produzindo uma divisão espacial da degradação ambiental e gerando uma crescente coincidência entre a localização de áreas degradadas e de residência de “classes ambientais” dotadas de menor capacidade de se deslocalizar. Os grupos sociais que resistem a esta divisão espacial da degradação ambiental dificultam, conseqüentemente, a rentabilização esperada dos capitais, ao reduzir para estes a liberdade de escolha local e o índice de mobilidade de seus componentes técnicos. As lutas por justiça ambiental mostram, neste contexto, toda a sua potência como barreira organizada a este instrumento de subordinação política próprio à acumulação em sua forma flexível – a mobilidade espacial dos capitais” (ACSELRAD, 2002).

© all rights reserved
made with by templateszoo