[RESENHA #953] A Deusa Tríplice: Em busca do Feminino Arquetípico, de Adam McLean

A Deusa é um dos arquétipos mais eternos da psique humana. Ela sempre está ao nosso lado, mesmo quando desprezada, reprimida ou negada exteriormente como em nosso mundo atual.

Este livro é um valioso recurso para quem se interessa pela natureza do Feminino Sagrado que reside dentro de nós.

Ele descreve e examina a estrutura da Deusa Tríplice e mostra como, mediante o relacionamento com esse arquétipo, as mulheres (bem como os homens) podem vencer e compensar a tendência interior de dualismo alinhando suas energias dentro de si, por meio da unificação com os três aspectos do ser: corpo, alma e espírito. O autor Adam Mclean apresenta também uma visão inédita das várias deusas da Antiguidade.

RESENHA


Um arquétipo feminino é uma imagem simbólica que representa um aspecto da essência feminina, como a donzela, a mãe, a feiticeira ou a anciã. Essas imagens são parte do inconsciente coletivo, que é um reservatório de experiências e memórias compartilhadas pela humanidade. Os arquétipos femininos podem ajudar as mulheres a se reconhecerem, se expressarem e se fortalecerem em diferentes fases da vida. Eles também podem ser usados para criar personagens e histórias que reflitam a diversidade e a complexidade da feminilidade. Os arquétipos fazem parte da história da humanidade, como podemos observar em pinturas rupestres, restos mortais ou documentações históricas. Algumas das histórias dos arquétipos mais conhecidas são:

A Grande Mãe: Uma história que representa esse arquétipo é a de Deméter, a deusa grega da agricultura e da fertilidade, que perde sua filha Perséfone para o deus do submundo, Hades. Deméter fica tão triste e desesperada que faz com que a terra se torne estéril e fria, até que consiga recuperar sua filha por uma parte do ano. Essa história simboliza o amor maternal, o ciclo da vida e da morte, e a relação entre a natureza e a humanidade.

A Mulher Selvagem: Uma história que representa esse arquétipo é a de Lilith, a primeira mulher criada por Deus na tradição judaica, que se recusa a se submeter a Adão e foge do Paraíso. Lilith é considerada a mãe dos demônios, uma sedutora e uma rebelde, que desafia a autoridade patriarcal e busca sua liberdade e independência. Essa história simboliza o aspecto selvagem, instintivo e natural da mulher, que não se conforma com as normas sociais e busca sua própria essência.

A Esposa: Uma história que representa esse arquétipo é a de Penélope, a esposa fiel de Ulisses na Odisseia, que espera por seu marido por 20 anos, enquanto ele vive suas aventuras pelo mundo. Penélope é assediada por vários pretendentes, mas ela os engana com sua astúcia, tecendo e destecendo uma mortalha para seu sogro, prometendo que escolherá um deles quando terminar. Penélope é a personificação da lealdade, da paciência, da inteligência e da devoção conjugal.

O livro A Deusa Tríplice: Em busca do Arquétipo Feminino, de Adam McLean, é uma obra que explora a estrutura interna da Deusa Tríplice e mostra como, ao se relacionar com esse arquétipo, é possível superar e redimir a tendência interna ao dualismo. O autor oferece insights originais sobre a natureza da Deusa Tríplice e descreve várias formas de trabalhar com sua mitologia e simbolismo. O livro é um panorama único das diversas Deusas da antiguidade e se apresenta como um recurso valioso para quem se interessa pela natureza do Feminino.

O livro é dividido em três partes, correspondentes às três faces da Deusa Tríplice: a Virgem, a Mãe e a Anciã. Essas divisões não são claras, pois as narrativas ocorrem de forma linear, não dependendo de uma divisão em capítulos ou uma introdução elaborada. Em cada parte, o autor analisa os aspectos psicológicos, espirituais e simbólicos dessas faces, bem como suas manifestações nas diferentes culturas e tradições. O autor também apresenta exercícios práticos para se conectar com a energia da Deusa Tríplice e integrá-la na vida cotidiana.

O livro é escrito em um estilo claro e acessível, com referências a fontes primárias e secundárias. O autor demonstra um amplo conhecimento sobre o tema e uma abordagem respeitosa e sensível ao Feminino. O livro é recomendado para quem busca uma compreensão mais profunda e holística da Deusa Tríplice e de seu papel na psique humana.

Na primeira parte, o autor explora a face da Virgem da Deusa Tríplice, que representa a potencialidade, a criatividade e a inspiração. Ele cita o mito grego da criação, onde a Deusa surge do Caos e dá origem ao Cosmos. Ele também discute o papel das Musas, das Graças e das Moiras como expressões da Virgem.

Na segunda parte, o autor se dedica à face da Mãe da Deusa Tríplice, que simboliza a fertilidade, a abundância e a proteção. Ele analisa o mito de Deméter e Perséfone, que mostra a relação entre a Mãe e a filha, bem como o ciclo das estações. Ele também aborda o tema da dualidade entre a Mãe e a esposa, exemplificado pela rivalidade entre Hera e Zeus.

Na terceira parte, o autor se concentra na face da Anciã da Deusa Tríplice, que expressa a sabedoria, a transformação e a transcendência. Ele descreve o mito do Julgamento de Páris, que envolve as três Deusas: Atena, Afrodite e Hera. Ele também fala sobre o papel de Hécate, a guardiã dos mistérios, e das Erínias, as vingadoras do sangue.

Muitas religiões e caminhos espirituais neopagãos veneram a Deusa Tríplice, uma divindade ou um arquétipo que tem três faces ou aspectos diferentes em uma só entidade. Essas faces são a Donzela, a Mãe e a Anciã, que representam cada uma um momento diferente do ciclo feminino e uma etapa da Lua, e que dominam cada uma um dos domínios do céu, da terra e do inferno. 

A Deusa Tríplice: Em busca do Feminino Arquetípico, de Adam McLean, é um livro que explora a riqueza e a diversidade do arquétipo da deusa em suas três manifestações: a Donzela, a Mãe e a Anciã. O autor, um renomado pesquisador do simbolismo espiritual das tradições do Ocidente, apresenta uma visão inédita das várias deusas da Antiguidade, mostrando como elas expressam os diferentes aspectos da essência feminina, associados às fases da lua, aos ciclos da vida e aos reinos cósmicos. O livro é um valioso recurso para quem se interessa pela natureza do Feminino Sagrado que reside dentro de nós, e que pode nos ajudar a superar o dualismo que nos fragmenta e nos afasta de nossa verdadeira identidade. Por meio do relacionamento com o arquétipo da deusa, as mulheres (bem como os homens) podem alinhar suas energias dentro de si, por meio da unificação com os três aspectos do ser: corpo, alma e espírito. O livro é uma obra inspiradora, profunda e iluminadora, que nos convida a redescobrir e a celebrar a deusa que habita em cada um de nós.

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