companhia das letras

Dançando com o Diabo, documentário ► (2008)

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


Diretor: Jon Blair
Data: Setembro de 2008
Duração: 105 minutos
Origem: Reino Unido (Filmado no Brasil)

O documentário trata sobre o dia a dia das favelas cariocas controladas pelo tráfico de drogas e da relação dos moradores, traficantes e policiais. São abordados, como personagens principais, o traficante Juarez Mendes, conhecido como “Spider man”, que controla favelas no Rio de Janeiro, o Pastor evangélico Dione dos Santos, que luta para retirar pessoas da marginalidade e o policial Leonardo da Silva Torres, que combate diariamente o tráfico e o crime. Os objetivos secundários mostram a realidade de uma população pobre do Rio de Janeiro, expondo as dificuldades de pessoas que sofrem por causa da desigualdade social, sendo que muitas são atraídas para o lado do crime.

Há uma abordagem específica para cada um dos personagens “principais”, sendo que todos são abordados com a mesma importância, por se tratar de uma realidade complexa. Dessa forma, o diretor tenta manter um distanciamento do mérito social que ele expõe, deixando que cada parte retrate sua forma de ver os fatos. Há, durante o documentário, relatos de várias outras pessoas que fazem parte do universo retratado. O grupo ou comunidade é especificamente as favelas do Rio de Janeiro e Baixada fluminense, que é controlada pelo crime, onde traficantes ditam as leis.

Todo o documentário tem como fato principal os desdobramentos do tráfico de drogas nas vidas das pessoas envolvidas, quer para o combate entre polícia e traficantes, ou mesmo para os moradores, que ficam no meio do “fogo cruzado”. Esse tema principal é muito pertinente e importante, pois trata a realidade vivida em vários morros cariocas. Quando vemos que foi filmado por um diretor inglês, temos a idéia do grau de importância, pois é a visão que se tem, no exterior, sobre o Rio de Janeiro e do Brasil.

Há vários documentários e filmes tradicionais sobre o tema. Um que obteve grande destaque foi o ‘TROPA DE ELITE’, que aborda de uma maneira um pouco diferente da realizada no Dancing With the Devil. Há outros documentários com temática parecida, como o “Morros cariocas”, entre outros. O filme não faz parte de uma série.

Como tipologia utilizada, o filme utiliza mais o modo observativo, por não interferir nos fatos, não narrar e não fazer as entrevistas diretas com os personagens, deixando-os livres para contarem sua história e versão dos fatos. Com esse modo, temos sempre a impressão, durante o documentário todo, que os personagens estão sempre falando espontaneamente. Com o tipo observativo e, pelo fato da maioria das cenas se darem em ruas e becos do Rio de Janeiro, o equipamento leve facilitou o deslocamento para as tomadas, dando agilidade aos câmeras e ao diretor. Isso fica evidente durante o acompanhamento feito ás incursões da polícia nos morros e também no “passeio” de carro feito pelo traficante “Spiderman” na favela por ele controlada.

O diretor Jon Blair já realizou outros documentários e reportagens especiais para TV, séries e produções. Ele não trabalhou com filmes de ficção. Não há uma locução aparente, sendo que a equipe não aparece no filme, apesar de, em alguns momentos, ficar claro a presença de alguém “questionando ou perguntando”. Não é abordado o universo vivido pelo diretor e equipe, uma vez que eles são de um país estrangeiro e com uma vida (em termos sociais e culturais) muito diferente das vividas pelos personagens abordados.

Sobre o ponto de vista, não há uma supervalorização de um personagem em específico. Todos são levados em conta da mesma maneira, buscando retratar os vários lados dos envolvidos. Uma opinião sempre vai contrastar com as outras, formando os contrapontos que quem assiste, interpretará à sua maneira. São feitas entrevistas com os personagens principais, com cenas de rua nos locais ou “habitat” de cada um, mostrando toda sua rotina. As fontes utilizadas para o filme são confiáveis, uma vez que são reconhecidas publicamente, tanto como os traficantes procurados e que ostentam armas que só podem ser encontradas com o crime e os policiais, quase se tratando de uma resposta oficial do governo. Não há no filme nenhum trecho de ficção.

No que tange ao som, são mesclados alguns outros sons ou trilhas, mas tudo dentro do ambiente em que se passa.
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