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[RESENHA #535] Nazistas entre nós, de Marcos Guterman

a trajetória dos oficiais de Hitler depois da guerra
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Guterman, Marcos/Nazistas entre nós: a trajetória dos oficiais de Hitler depois da guerra. Marcos Guterman. - 1ed., 2ª reimpressão. - São Paulo: Editora Contexto, 2022.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Klaus Barbie, Josef Mengele, Albert Speer, Franz Stangl, Gustav Wagner e Adolf Eichmann foram responsáveis por cometerem atrocidades indescritíveis. Esses homens, conhecidos por seguirem a ideologia nazista, eram responsáveis por aplicar a "solução final" para minorias consideradas impuras, o que resultou na morte de milhões de inocentes. Apesar de seus crimes, eles se safaram de uma punição adequada, deixando a humanidade chocada com a falta de justiça. 

"Como explicar que esses vilões tenham conseguido encontrar um lugar entre nós, desfrutando a liberdade como se não tivessem cometido nenhum crime contra a sociedade civilizada que tanto buscavam destruir?"

Após a Segunda Guerra Mundial, enquanto 7 milhões de pessoas buscavam abrigo em um novo país, os Estados Unidos emitiram 40 mil vistos, mas infelizmente recusaram o acesso aos judeus que haviam escapado do Holocausto. Por outro lado, cerca de 10 mil nazistas conquistaram o direito de viver nos Estados Unidos como refugiados de guerra.

Klaus Barbie (1913-91), conhecido como "O açougueiro de Lyon" pelos atos de terror e crueldade que cometera durante a Segunda Guerra Mundial, conseguiu se estabelecer na Bolívia, onde tornou-se um empresário bem sucedido. Apesar de ter sido acusado de crimes de guerra, suas tentativas de deportação foram frustradas devido ao regime ditatorial vigente no país. Durante o período em que viveu lá, Barbie estabeleceu um partido político com simpatizantes do nazismo e afirmava que sua consciência estava tranquila. Porém, a caça a nazistas acabou sendo reativada, e Barbie foi finalmente deportado para a Alemanha Ocidental, onde foi julgado e condenado por seus crimes.

Quando ele entrou na prisão de Montluc, em Lyon, os ecos dos gritos das suas vítimas ainda ecoavam. Barbie foi julgado lá também, e este caso serviu como exemplo de que a Justiça deve ser implacável quando se trata de crimes contra a humanidade, mesmo que seja muito tarde.

Famoso por seus experimentos médicos cruéis nos campos de concentração, Joséf Mengele (1911-79) ficou conhecido como o "Anjo da Morte". Ele foi responsável por selecionar quem seria enviado para trabalhos forçados ou para a morte imediata. Além disso, realizou experimentos médicos desumanos em vários prisioneiros dos campos de concentração Nazista.

Albert Speer (1905-81) foi considerado o "bom nazista" e foi o responsável pela criação do projeto de Germânia, que seria a capital do mundo. Speer era o ministro favorito de Hitler, e segundo o livro Conversas com Albert Speer, de Joachim Fest, "ninguém tinha acesso a Hitler como ele". Após a guerra, Speer foi sentenciado a 20 anos de prisão por omitir fatos de seu papel no regime nazista, segundo reportagem da DW Brasil.

Durante o regime nazista, Albert Speer e muitos outros ajudaram a encobrir histórias de atrocidades nos campos de prisioneiros de guerra e trabalho forçado. Fest, um historiador alemão, foi um dos incentivadores para limpar a ficha de Speer e outros envolvidos. No entanto, a verdade foi descoberta e Speer foi condenado por crimes de guerra.

Em 1960, Adolf Eichmann (1906-62) foi capturado na Argentina e levado para Jerusalém, onde foi julgado. Seus anos na Argentina foram descritos na obra de Hannah Arendt, Eichmann em Jerusalém.

A existência de uma narrativa que comprove a falta de punição dos envolvidos nos faz pensar que, talvez, ainda existam uma grande parcela de pessoas que são coniventes com o ocorrido, no final de tudo, a lista de culpados e merecedores de uma punição é ainda maior. Assim como. o autor, me questiono: como pode que pessoas tenham vivido tão livremente (e acolhidos) por um mundo em. que almejavam destruir?

Uma obra profunda e uma análise complexa. Indicado para professores de história e leitores aventureiros do gênero não-ficção.

O AUTOR


Marcos Guterman é historiador formado pela PUC-SP, mestre pela mesma instituição, doutor em História pela Universidade de São Paulo e membro da Rede Internacional de Estudos dos Fascismos, Autoritarismos, Totalitarismos e Transições para a Democracia (Refat). É especialista em nazismo e antissemitismo. Jornalista profissional desde 1989, é professor de Jornalismo Político e Econômico na Faculdade Cásper Líbero e trabalha como editorialista no jornal O Estado de S. Paulo. É autor dos livros O futebol explica o Brasil e Nazistas entre nós (premiado com o Prêmio Jabuti de 2017 na categoria Reportagem e Documentário) e Holocausto e memória, publicados pela Editora Contexto.

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