companhia das letras

Resenha: O Guarani, de José de Alencar

domingo, 8 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


No cenário monumental e selvagem do Brasil do século XVII, encontram-se Peri e Ceci para viver uma envolvente história de amor neste romance indianista de José de Alencar. Expressão épica maior do nacionalismo romântico, O Guarani é essencial para a compreensão das origens da prosa de ficção em nosso país.

ISBN-13: 9788508040797
ISBN-10: 8508040792
Ano: 2003 / Páginas: 320
Idioma: português
Editora: Ática

RESENHA
O Guarani é uma história, de romance e aventura. Narrada no ano de 1604, no interior do Brasil onde vivem dois jovens com realidades distintas. Peri cacique da tribo goitacá e Cecília uma portuguesa de bom coração, que cativa a todos a seu redor, em especial ao aventureiro Álvaro e a um dos vilões da trama Loredano um ex-frade.

A história inicia quando Peri salva a vida de Ceci, e se torna seu escravo. A partir daquele instante o jovem herói decide colocar sua vida em risco, para satisfazer as vontades de sua senhora. Mesmo que no início ela não aprovava a sua presença. O índio devoto à Ceci seguia a todos os lugares, até mesmo quando ela e sua prima Isabel iam se banhar. Em uma destas idas ao rio as moças caíram em uma armadilha de dois guerreiros da tribo Aimorés, que foram mandados para vingar a morte de uma indiazinha de sua tribo, que foi morta acidentalmente por dom Diego irmão de Cecília.
No entanto a vingança dos Aimorés não era a única preocupação de Peri. Porque dias antes do atentado a vida de Ceci, ele havia ouvido Loredano e dois membros da bandeira combinarem raptar Cecília e matar seu pai Dom Antônio de Mariz. Nosso herói então decidiu ficar de guarda perto da casa para proteger Ceci e a família. Mas por medo de não conseguir proteger a todos, Peri decidiu pedir a Álvaro que caso ele morresse Dom Antônio deveria ser avisado do perigo.

O fidalgo imaginando que o ataque dos índios era eminente, decidiu enviar Dom Diego e quatro aventureiros para a capital pedir ajuda. O chefe da bandeira Álvaro ficou encarregado de escolher quem seriam estes quatro homens. Dentre eles Loredano foi escolhido com a intenção de impedir o plano do vilão. No entanto o ex-frade arrumou uma desculpa para voltar. E assim como o planejado, sem que ninguém na casa notasse ele invadiu o quarto de Ceci, mas foi surpreendido por Peri que disparou uma flecha que atravessou a mão do vilão que fugiu de tanta dor.

Ao mesmo tempo o ataque dos Aimorés já havia começado. E todos na casa sabiam que a morte era inevitável. Os homens da casa ficaram de prontidão, esperando a chegada dos inimigos. No entanto Peri tinha outro plano. Como conhecia a fúria dos inimigos, sabia que a única forma de acabar com aquilo seria matando todos. E foi por este motivo que ele tomou um velho veneno guarani, que era mortal quando ingerido. E como os Aimorés eram canibais nosso herói planejou ser devorado pela tribo, envenenando assim todos que de sua carne provassem.

Quando Ceci soube que seu amigo havia sido pego pelos canibais, pediu a Álvaro que fosse salva-lo. No entanto ele foi ferido, e Peri foi obrigado a esquecer seu plano e salvar seu amigo. Depois deste ocorrido os Aimorés voltaram mais bravos, e agora com a intensão de matar todos. Peri não podia permitir que sua amada morresse, por isso pediu a Dom Antônio que permite-se que ele a leva-se embora, mas antes ele precisa se batizar.

Antes da chegada dos selvagens, Peri e Cecília fugiram pela floresta, mas o perigo ainda não havia terminado, pois no fim da tarde Peri percebeu que uma tempestade estava avançando. De repente um barulho quebrou o silêncio. Uma tempestade caiu e para se salvarem Peri e Ceci se seguraram em uma palmeira, que fugia arrastada pelo torrente, e sumiu no horizonte.

Sobre o Autor

Biografia, estilo e obras

O escritor brasileiro José de Alencar nasceu no Ceará, região nordeste do Brasil, no ano de 1829. Antes de iniciar sua vida literária, atuou como advogado, jornalista, deputado e ministro da justiça. Aos 26 anos publicou sua primeira obra: “Cinco Minutos”. Podemos considerar Alencar como o precursor do romantismo no Brasil dentro das quatro características: indianista, psicológico, regional e histórico.

Este autor brasileiro utilizou como tema o índio e o sertão do Brasil e, ao contrário de outros romancistas de sua época que escreviam com se vivessem em Portugal, Alencar valorizava a língua falada no Brasil. Escritor de obras com estilos variados, este escritor cearense criou romances que abordam o cotidiano. Deste estilo literário, também conhecido como romance de costumes, destacam-se os livros: Diva, Lucíola e A Viuvinha. Foram também de sua autoria os romances regionalistas: O Sertanejo, O Tronco do Ipê, O Gaúcho e Til. Dos romances históricos fazem parte: As Minas de Prata e A Guerra dos Mascates.

No romance indianista de José de Alencar, o índio é visto em três etapas diferentes: antes de ter contato com o branco, em Ubirajara; um branco convivendo no meio indígena, em Iracema e o índio no cotidiano do homem branco, em O Guarani. É dentro do estilo indianista do escritor José de Alencar que está sua obra mais importante: Iracema. Outra obra também considerada de grande valor literário é O Guarani, pois aborda os aspectos da formação nacional brasileira.

Apesar de ser mais conhecido por suas obras literárias, o escritor brasileiro José de Alencar fez também algumas peças de teatro: Nas Asas de um Anjo, Mãe, O Demônio Familiar. Faleceu aos 48 anos de idade, em 1877, deixando inúmeras obras que fazem sucesso até os dias atuais.

Postagem mais recente
Next Story Postagem mais antiga Página inicial
siga-nos no Instagram: @postliteral
Leia[+]
© all rights reserved
made with by templateszoo