companhia das letras

Resenha: Gabriela Cravo & Canela, de Jorge Amado

domingo, 8 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta

O romance entre o sírio Nacib e a mulata Gabriela, um dos mais sedutores personagens femininos criados por Jorge Amado, tem como pano de fundo, em meados dos anos 1920, a luta pela modernização de Ilhéus, em desenvolvimento graças às exportações do cacau. Com sua sensualidade inocente, Gabriela não apenas conquista o coração de Nacib como também seduz um sem-número de homens ilheenses, colocando em xeque a lei que exigia que a desonra do adultério feminino fosse lavada com sangue.
Publicado em 1958, o livro logo se tornou um sucesso mundial. Na televisão, a história se transformou numa das novelas brasileiras mais aclamadas mundo afora.

ISBN-13: 9788535920987
ISBN-108535920986
Ano: 2012 / Páginas: 336
Idioma: português

RESENHA

Em terra de adaptações duvidosas, quem leu o livro adaptado é rei. No próximo ano, mais uma vez os leitores viverão a incerteza da fidelidade dos filmes adaptados às obras literárias. Dentre as adaptações cinematográficas esperadas para 2013, estão Em chamas (Suzanne Collins), O Hobbit (J.R.R. Tolkien), Percy Jackson e o Mar de Monstros (Rick Riordan), Os Miseráveis (Victor Hugo) e A Hospedeira (Stephenie Meyer). É uma lista de adaptações que, dependendo do resultado, podem destruir sonhos e lares em grande quantidade pelo mundo. Mas se por um lado está a completa descaracterização dos personagens (ver Justin Bieber cotado para viver Christian Grey nos cinemas), pelo outro está a porta de entrada para a literatura a partir do cinema.

Mais ou menos assim que aconteceu comigo, só que não foi pelo cinema, fui puxado para as páginas pelos tentáculos da televisão. Não foi preciso ir tão longe, bastou que eu fizesse o trajeto quarto-cozinha para buscar alguns quitutes que na volta cozinha-quarto a voz da Gal Costa me pegou. Sentei no sofá, ainda com o olhar desconfiado, enquanto a abertura da minissérie Gabriela corria: "Quando eu vim para esse mundo/ Eu não atinava em nada/ Hoje eu sou Gabriela". Não deu outra, me encantei pelos personagens e me apaixonei pelas interpretações. Como nunca tinha lido nada do Jorge Amado, enxerguei no seriado a chance de adentrar nos livros do baiano.

Gabriela, Cravo e Canela, livro de 1958 escrito por Jorge Amado, narra o romance entre Gabriela e o sírio Nacib. Nacib é dono de um bar, o bar Vesúvio, que concentra os coronéis da cidade de Ilhéus e é o ponto de encontro dos homens da cidade (junto com o cabaré Bataclan). O sírio vive dias de cão quando sua cozinheira, Filomena, decide ir embora de Ilhéus. Sua única salvação para fazer as comidas do bar são as irmãs Dos Reis, que cobram caro demais e começam a lhe trazer prejuízo.  Em uma busca incensante pela cidade por cozinheira, Nacib encontra no "mercado de escravos" Gabriela, uma retirante com quase nada além de sua trouxa que chegou em Ilhéus fugindo da seca.

O pano de fundo da história entre os dois é a ascensão da produção de cacau na cidade de Ilhéus e as mudanças sociais impulsionadas pelo declínio da sociedade patriarcal dirigida pelos velhos coronéis. O livro é constituído de vários núcleos e não se limita apenas ao romance entre Gabriela e Nacib. Personagens cativantes, como a jovem revolucionária Malvina, ou intrigantes, como a luxuriosa Glória, permeiam a obra e a deixam ainda mais interessante. A partir de alguns personagens mais tradicionais, Jorge Amado descreve costumes antigos: a honra lavada com sangue, o machismo que imperava, a tecnologia que assustava e o preconceito que desde aquela época já estava cravado na sociedade brasileira. 

"Falava-se muito em progresso, o dinheiro corria solto, o cacau rasgava estradas, erguia povoados, mudava o aspecto da cidade, mas conservavam-se os costumes antigos, aquele horror."

"Malvina odiava aquela terra, a cidade dos cochichos,  do disse-que-disse. Odiava aquela vida e contra ela passara a lutar. Começara a ler e descobriu outro mundo mais além de Ilhéus, onde a vida era bela, onde a mulher não era escrava."

No romance de Jorge Amado, a oposição entre modernidade e costumes tradicionais, o culto e o popular é representada, respectivamente, pelos personagens Nacib e Gabriela. Essa diferença de temporalidades históricas marca a relação entre os dois. Gabriela vive com pouco, quase nada e se julga feliz. Nacib, de vida feita, casa e comida,  não encontra a felicidade de jeito nenhum, só entre o perfume de cravo e a cor de canela de Gabriela.

O livro é um primor, nunca li nada do Jorge Amado e já penso que comecei com o pé direito. Uma leitura leve e sem rodeios com uma escrita envolvente e apaixonante. Eu lia e parava, pensava e gargalhava. Livros históricos sempre me fascinaram, mas esse em especial merece um espaço destacado na minha estante. Fiquei tão encantado com o estilo do autor que na biblioteca da universidade já cuidei de emprestar Tieta do Agreste. 

Por causa de tempo não deu pra assistir os episódios da minissérie, mas já baixei e estão todos no computador, cada dia que passa vou vendo mais um. O enredo principal não teve grande alteração, o que aconteceu na minissérie foi apenas a exploração de alguns núcleos que no livro são apenas citados. Uns personagens tiveram uns dramas adicionais que de acordo com alguns estudiosos não prejudicaram a obra original, pois o grande comprometimento do Jorge Amado era com as questões da atualidade, e, portanto, a série manteve o mesmo comprometimento. No entanto, tanto a obra televisiva quanto a literária possuem suas particularidades e seus sabores e ambas merecem atenção, mas ainda assim, para o livro eu deixo todo o especial destaque.

Jorge Amado nasceu numa fazenda de cacau em Itabuna, Bahia, em 10 de agosto de 1912. Passou a infância em Ilhéus, onde assistiu à luta entre fazendeiros e exportadores de cacau, que lhe inspirariam temas e tipos romanescos. Em Salvador, onde fez o curso secundário, ligou-se à Academia dos Rebeldes, grupo que, chefiado por Pinheiro Viegas, propunha uma literatura voltada para as raízes nacionais.

Radicado desde 1930 no Rio de Janeiro, Amado estudou direito e estreou logo a seguir em livro, publicando com notável regularidade os romances de sua primeira fase, todos marcados pela técnica do realismo socialista: O país do carnaval (1932), Cacau (1933), Suor (1934), Jubiabá (1935), Mar morto (1936), Capitães de areia (1937), Terras do sem fim (1942), São Jorge dos Ilhéus (1944), Seara vermelha (1946), Os subterrâneos da liberdade (1952). Ora surge nesses livros o drama vivido nas plantações de cacau do sul da Bahia, ora, na cidade de Salvador, a vida da infância abandonada, do proletariado, dos saveiristas, dos negros e marginais, dos desprezados, malandros, com os conflitos e injustiças sociais em destaque. Tal fundamento sociológico confere aos romances um cunho de documentário dos problemas brasileiros, agravados pela transição da sociedade agrária para a industrial, narrativas que sempre denunciaram os males regionais intencionalmente.

Em 1945 Jorge Amado foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), porém todos os membros da bancada do partido tiveram o mandato cassado, e ele sofreu fortes pressões políticas. Durante cinco anos, viajou pela Europa e Ásia, voltando ao Brasil em 1952. Em 1956 fundou o semanário cultural Para todos, que dirigiu, e em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (cadeira n. 23).

Começa em Gabriela, cravo e canela (1958), o início da segunda fase de suas obras, caracterizada pelo tratamento satírico e humorístico dos textos, sem prejuízo das intenções de crítica social. Seguiram-se, na mesma linha, obras sempre muito bem recebidas, como Os velhos marinheiros (1961), Os pastores da noite (1964), Dona Flor e seus dois maridos (1966), Tenda dos milagres (1969), Teresa Batista cansada de guerra (1973), Tieta do Agreste (1977), Farda, fardão, camisola de dormir (1979), Tocaia grande - a faca obscura (1984), O sumiço da santa (1988). Ao completar oitenta anos, em 1992, publicou o "romance autobiográfico" Navegação de cabotagem.

São 32 livros, traduzidos para 49 idiomas. Já vendeu desde O País do
Carnaval, o primeiro livro, de 1931, quase 20 milhões de exemplares no Brasil e no exterior. Capitães de Areia de 1937 é o recordista: quatro milhões. Nada mal para um “contador de histórias”, como ele gostava de se definir, que não tinha muitas pretensões na vida. O pai era um proprietário de terras na região do cacau no sul da Bahia, e Jorge fez o primário em Ilhéus. Foi cursar direito no Rio e na mesma época publicava os livros que lhe deram projeção nacional; Cacau, de 1933, e Jubiabá, de 1935.

“Avô, mesmo que a gente morra, é melhor morrer de repetição na mão, brigando com o coronel, que morrer em cima da terra, debaixo de relho, sem reagir. Mesmo que seja pra morrer nós deve dividir essas terras, tomar elas para gente. Mesmo que seja um dia só que a gente as tenha, paga a pena de morrer".(Os Subterrâneos da Liberdade - Agonia da Noite). O grande mestre baiano continua na memória de milhares de leitores.

No dia 21 de junho de 2001, Jorge Amado é internado com uma crise de hiperglicemia e tem uma fibrilação cardíaca. Após alguns dias, retorna à sua casa, porém, em 06 de agosto volta a se sentir mal e falece na cidade de Salvador às 19h30min. A seu pedido, seu corpo foi cremado e suas cinzas foram espalhadas em torno de uma mangueira em sua residência no Rio Vermelho.

5 INFORMAÇÕES DA OBRA

Gabriela, cravo e canela inaugura uma nova fase na obra de Jorge
Amado. A partir deste romance, o autor atenua o conteúdo político que marcou seus primeiros livros para dar ênfase à mistura racial, ao erotismo e a uma percepção sensorial do mundo. Ganham destaque as personagens femininas: as mulheres passam ao centro das narrativas como mito sexual, mas também como agentes do próprio desejo, são elas as protagonistas de suas histórias.

Gabriela foi o primeiro livro escrito por Jorge Amado depois de deixar o
Partido Comunista. Publicado em 1958, o romance recebeu no ano seguinte os prêmios Machado de Assis e Jabuti. Em 1961, Jorge Amado seria eleito para a Academia Brasileira de Letras, em grande parte graças ao estrondoso sucesso do livro. Gabriela virou novela da TV Tupi, em 1961, e mais tarde da rede Globo, em 1975, logo após repetiu o sucesso em filme, mais precisamente em 1983 com Sônia Braga no papel da sensual Gabriela. E novamente a rede Globo de televisão estreia em 2012 a novela inspirada no romance de Jorge Amado, um remake que promete fidelidade à obra do autor. O livro foi traduzido para mais de trinta idiomas, é o livro de Jorge Amado com o maior número de traduções.

6 DESCRIÇÃO DO CONTEXTO

Gabriela, cravo e canela é um romance urbano, passado quase todo na rica cidade de Ilhéus da década de 1920, apresenta em sua narrativa coronéis e jagunços, prostitutas, imigrantes e sinhazinhas envolvidos em manobras políticas e tramas de amor, crime e adultério. Recheado de humor para a ironia e com uma movimentação de caráter quase burlesco, o livro marca a virada nos procedimentos artísticos e políticos de Amado, que depois viria a escrever Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966) e Tieta do Agreste (1977). E nessa fase se encontram ainda as novelas Velhos Marinheiros (1961 - Globo) e Tenda dos Milagres (1970 - Globo), esta adaptada ao cinema.

Em Gabriela, o cacau não gera mais sangue, mas sim riqueza, e seu perfume maduro mesclam-se ao aroma das flores da estação e à sensualidade da protagonista. Trata-se de uma crônica da modernização dos costumes, a narrativa segue assim, do geral ao particular e do particular ao geral, residindo nesse movimento, em que se entrelaça o ir-e-vir de dezenas de personagens representativos, histórias separadas, mas juntas em um enredo criado por Amado. De grande apelo e repercussão, contribuiu para formar, junto com outras obras ficcionais do autor, a imagem “exótica” do Brasil no exterior, já que o mesmo foi sucesso de traduções em mais de trinta e três idiomas.

Além dos romances na obra Jorge Amado mostra também o prédesenvolvimento de Ilhéus e tece algumas definições dos requisitos que compreende o ser grapiúna e, portanto ser considerado como indivíduo apto a pertencer ao local:

“Bar era um bom negócio em Ilhéus, melhor só mesmo cabaré. Terra de muito movimento, de gente chegando atraída pela fama da riqueza, multidão de caixeiros-viajantes enchendo as ruas, muita gente de passagem, quantidade de negócios resolvidos nas mesas dos bares, o hábito de beber valentemente e o costume levado pelos ingleses, quando da construção da Estrada de Ferro, do aperitivo antes do almoço e do jantar, disputado no pôquer de dados, hábito que se estendera a toda população masculina.” (AMADO, 1970, p. 69)

Aqui Jorge Amado deixa claro dois aspectos importantes. O primeiro se refere à contextualização situacional da cidade: Ilhéus era um centro no qual se reuniam várias pessoas atraídas pelo progresso, quer seja para desfrutar dos seus prazeres devido à condição econômica, quer seja devido à visão de aproveitar a onda de crescimento para lucrar, como no caso dos comerciantes, caixeiros, viajantes e outros. O segundo aspecto importante que se observa é a afirmação de que os hábitos desenvolvidos com a nova configuração da cidade se restringiam à população masculina.

8 RESUMO DA OBRA

A narrativa de Jorge Amado começa com duas divisões, a primeira centra-se na história de dois personagens: Mundinho falcão e Nacib. Mundinho é um jovem carioca que migrou para Ilhéus e que tem pretensões de acelerar o desenvolvimento da cidade, sendo preciso bater de frente com o sistema político encontrado: o coronelismo, e consequentemente tendo que travar uma luta com um dos mais famosos coronéis, Ramiro Bastos, o inepto coronelgovernante. Nacib é um sírio, dono do principal, bar da cidade, o Vesúvio, o qual no desenrolar da história acaba perdendo sua cozinheira e sai em busca de uma nova para dar um jantar a mais de trinta pessoas que estavam na cidade para a inauguração de uma linha automotiva para a cidade de Itabuna, também na Bahia.

Bem no final da primeira parte aparece Gabriela, uma jovem recémmigrada do sertão de Alagoas, a qual fugiu da seca, junto com seu tio e seu amigo-companheiro, com o qual deitava-se todas as noites, ambos sonhavam deixar a cidade seca e irem atrás do progresso do sul da Bahia. Gabriela estava em busca de um emprego, a jovem fica no porto e Nacib sai em busca de sua cozinheira e acaba a encontrando, que a contrata para ser sua cozinheira, mas que acaba não contentando-se apenas com seus serviços na cozinha, mas também quer tê-la em sua cama, como sua mulher e consequentemente como esposa.

Na segunda parte Amado traz seu leque de personagens, coronéis, prostitutas e adúlteras, todos de uma só vez num enredo particular, dando enfoque às histórias. Malvina é uma jovem moça de colégio de freiras que acaba apaixonando-se por Josué, um jovem que já está caindo aos encantos da prostituta Glória, a qual é concubina de um dos maiores coronéis da cidade, ambos acabam fugindo apões serem pegos e a jovem Malvina acaba sendo internada em um colégio fora da cidade. Outra história que se desenrola é o caso da senhora Sinhazinha com o dentista Osmundo Pimentel, ambos mortos por terem infringido a honra de um homem, a lei que imperava na cidade de regime coronelista era de que se uma mulher fosse flagrada em adultério esta deveria ser morta, apenas assim sua honra seria lavada.

O final da narrativa mostra o progresso da cidade de Ilhéus, acabando assim o regime coronelista. Gabriela casa-se com Nacib, mas é flagrada o traindo com seu padrinho de casamento, Tonico Bastos, porém Gabriela não é morta, apenas surrada, mas ao passar dos dias, Nacib volta ter relacionamento com a mesma, mesmo tendo anulado seu casamento.

10 APRECIAÇÃO CRÍTICA

Modernismo de segunda fase, Gabriela, cravo e canela mostra que
Amado tenta articular a cultura regional de Ilhéus, apropriando-se da cultura negra e passando a se expressar através do papel da mulata.
Amado narra sua história datando-a de 1925, passada em Ilhéus no
Estado da Bahia. A obra divide-se em duas partes, a primeira narrando a situação política-social da cidade, a qual começara a se tornar progressista, mas com os embarreiramentos do coronelismo.

O texto torna-se amplo, pois discute várias problemáticas ao mesmo tempo, mesmo havendo semelhança entre as histórias. O foco principal é sua personagem-título, Gabriela é destaca inicialmente por suas características físicas e logo em seguida pelo seu romance com Nacib, um sírio e dono do principal bar da cidade. As mulheres na obra aparecem sempre inferiores ao papel social exercido pelos homens, talvez uma crítica ao atual papel exercido pela mulher ou apenas uma narrativa comum do que se era a realidade.

Percebe-se que a opção escolhida por Amado estava na utilização do humor, sobretudo na forma de ironia, como arma que desmobiliza o tom comparativo e revolucionário do discurso textual e que aponta uma alternativa ao país que até então não mostrava em seus romances um destaque de foco a uma postura religiosa, social, política e culturamente sincrética ou híbrida.

Ao focarmos apenas Gabriela, a narrativa poderá ser entendida por dois campos de visão: a de que se poderá considerá-la como um ser primitivo, ingênuo ou imoral ou de que a obra flagra a possibilidade da liberação feminina traduzida pela opção da protagonista em ser livre e dona de seu prazer, desprendida das convenções e dos padrões, mesmo com a força do coronelismo. Gabriela, no entanto, vai muito mais fundo que apenas sensualidade e cor; a personagem não seria tão importante se fosse apenas um objeto sexual. Amado, entre outras coisas, escreveu em Gabriela um grande romance de liberdade feminina, visto isto no desenrolar das histórias de suas personagens, e tida como maneira principal o adultério, onde a liberdade feminina mostra-se desafiadora, mesmo que correndo riscos e sendo uma prática perigosa para a terra de regime coronelista. O autor foi corajoso em criar situações que o enfoque é o adultério e mostrá-lo de maneira atípica sem envolvimento pessoal.

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