companhia das letras

Panorama com Clarice Lispector

domingo, 22 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta



O MISTERIOSO UNIVERSO DE CLARICE LISPECTOR


Antes de conceder a entrevista ao jornalista Júlio Lerner no ano de 1977 para o programa Panorama da TV Cultura a escritora Clarice Lispector deixa bem claro que a publicação só poderia ser feita após a sua morte. Intimidada com as câmeras e nem um pouco a vontade com a entrevista, expressão visivelmente demonstrada pelas rugas que se franziam em sua testa. Ela se mostra uma mulher impaciente e carrega um semblante cansativo, sem contar com Hollywood vermelho que acendia vez ou outra, a entrevista é um tanto enfadonha, mas a escritora afirma ser uma pessoa alegre e maternal. O principal objetivo desta entrevista era tentar desmistificar um pouco mais sobre o universo desta mulher um tanto intrigante, já que raramente ela concedia uma entrevista. Clarice nasceu na Ucrânia nas se criou no nordeste, tem duas irmãs e perdeu a sua mãe ainda muito nova. Foi morar no Rio de Janeiro, trabalhou em departamentos jornalísticos, formou-se em Direto e casou-se com um diplomata e conheceu o mundo, tiveram dois filhos, o primogênito Pedro era esquizofrênico, quando o divórcio aconteceu ela voltou para o Brasil com os filhos.

A escritora afirma que não é uma intelectual, e também esse título a rotula e isolada, não gosta de se sentir assim, diz que não tem obrigação de escrever e sua inspiração acontece sempre pela manhã, é o horário que mais gosta de trabalhar. Em um momento da entrevista ao ser perguntada se mais alguém da família escrevia Lispector declara que ficou muito surpresa ao descobrir, através de uma tia, que sua mãe escrevia, mas que nunca teve a oportunidade de ler, e que suas irmãs escreviam também. Afirma que teve uma adolescência caótica e fora da realidade, para ela todo adulto é triste e solitário. Em menos de meia hora de entrevista, o jornalista conta que estava muito nervoso e ansioso para conhecê-la pessoalmente, foi rápido nas perguntas, mas a postura assumida por Lispector não facilitou em nada para deixá-lo à vontade.

Clarice declara que quando escreve se sente viva, em alguns dos seus livros ela se vê como a protagonista como no caso do “Mineirinho”, em outros contos nem ela mesma entende o que escreveu: O ovo e a Galinha é uma incógnita para ela. Lispector publicou vários livros e contos infantis, afirma que sua escrita é simples. A grande amiga Olga Borelli talvez seja a única conhecedora do misterioso universo interior de Clarice Lispector, passou algum tempo datilografando os seus manuscritos, pois a doença até então desconhecida já consumia a sua força física.
Helen Palmer, pseudônimo usado para assinar a coluna que escrevia para o jornal carioca Correio da Manhã contava histórias de utilidades femininas, alguns dos seus trabalhos foram produzidos e apresentados no Fantástico, seus contos fazem sucesso até hoje. Seus trabalhos em geral são indicados para estudiosos em literatura brasileira. Ela é sem dúvida uma mulher fascinante.

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