companhia das letras

Clube dos cinco (1985) ► [resenha fílmica]

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta



Escolhemos o filme Clube dos Cinco, pois ele é constituído de boas representações e diálogos perfeitamente elaborados retratando a história de um grupo de 5 adolescentes, com personalidades diferentes, desajustados, desconhecidos entre si inicialmente formando um grupo. Eles foram convocados a cumprir um castigo na escola Shermer High School, sob a inspeção de Richard Vernon, por um período de oito horas e cinquenta e quatro minutos, no qual cada um é obrigado a escrever um texto de mil palavras, sobre o que ele ou ela pensa sobre o outro companheiro. Já de início aparecem características da fase, caracterizado por Wallon de estágio da puberdade e da adolescência, estaria formado um grupo da oposição; onde os adolescentes ficaram mais enfurecidos com o tema da redação proposta que o castigo de perder o sábado em sí. Não concordam ter que escrever quem são, quando na verdade o inspetor responsável por eles queria ler os estereótipos de cada um, segundo a visão dele, nas quais tinha ali um cérebro: Brian “o do nerd”; um atleta: Andrew “o esportista popular entre seu grupo de amigos é que faz de tudo para agradar aos pais; uma neurótica: Allison: é a “anti-social” que por sua vez demonstra ser uma mentirosa compulsiva; uma princesa: Claire “a mimada que é adorada por tudo e todos” e um marginal: John “o rebelde” que promete fazer a vida de seus colegas e ao assistente do diretor um verdadeiro inferno, enquanto eles estavam sendo apenas “eles mesmos”. No início cada um se isolou, provenientes de diferentes grupos sociais, um exemplo de resistência ao outro, depois eles foram percebendo que apesar de serem tão diferentes, também tinham muito em comum, todos estavam ali pelo mesmo motivo. Quando eles se sentam e começam a falar dos seus problemas com os pais, as pressões sofridas por cada um e os problemas que os levaram a cumprir o castigo no naquele sábado forma-se o grupo que parece agregar os cinco, começa a projeção dos seus próprios pensamentos aos dos colegas, as motivações, desejos e sentimentos semelhantes e os opostos uns dos outros quebra a resistência que gerava as barreiras. As capas que permeavam cada um começam a cair e a revelarem as suas verdadeiras personalidades, em grupo conseguem com facilidade a capacidade de representar seus verdadeiros “eus”, as suas ansiedades, receios, expectativas, desejos e atos.

John com personalidade mais forte, mascarando o sofrimento com os maus tratos cometidos pela sua família, destaca-se no grupo não só por expressar seus sentimentos com o corpo todo (mímicas, gesticulações exageradas) que orientam seu comportamento exterior (brincadeiras inadequadas, suas falas em tom de voz elevadas) expressa o prazer em estar liderando o restante do grupo como pela sua ambivalência de atitudes, ao mesmo tempo em que se sobressai em suas reações de vaidade, atrai a atenção dos outros, sempre com necessidade de conquistas, aventuras, independência, ultrapassar limites, uma palavra do inspetor o bastou para provocar um enrubescimento e agitação emotiva perturbando o comportamento do jovem. Mesmo assim o desejo de oposição ao outro (inspetor e pais), á autoridade que eles representam para ele, faz com ele apronte cada vez mais e leva seus colegas (com destinos menos pessoal, porém totalmente influenciáveis as fantasias e necessidades do parceiro ) a cometerem atos hostis, fumando maconha, depredando a escola como forma de contestação e aventura.
Andrew vem a ser o esportista, diferente de John, procurou se expressar e manifestar através dos esportes, melhorando sua aparência fisica, explorando os músculos e usufruindo até mesmo da atençao dada ao esportista por ser forte, habilidoso, e muitas vezes esteriotipado como galã das escolas, constituindo sua personalidade em uma imagem forte e vencedora, porém com problemas em impor suas opnioes. Com o passar do tempo, pôde ser concluido que o jovem no seu momento de confusao, desejo, necessidades de coisas novas, se deixou levar pelos desejos de seu pai: Ser o número 1! Ser o melhor independente do que precisasse fazer para que isso pudesse ocorrer. Com o desejo de atrair a atençao e o carinho do seu pai, que no decorrer do filme foi constatado que pouco lhe dava atençao, Andrew chegou a prejudicar e humilhar um companheiro de equipe, apenas para receber a atençao e de algum modo poder fazer seu pai sentir algum orgulho dele. Wallon mostrou que a ambivalência de atitudes e sentimentos gera também no jovem desejos de mudança e instala um período de oposiçao ao outro, assim nessa oposiçao, o jovem nao visa tanto a pessoa do adulto, mas ao que ele representa, nao se tratando de conformismo, porém de reforma e de transformaçao. Com isso, Andrew ao questionar suas atitudes em busca de atençao do pai, após o conflito do que ele queria e do que ele nao queria, conseguiu chegar a um pensamento justo e correto para ele.

Allison por outro lado se apegou a mentir para as pessoas em busca de que desse modo, pudesse chamar a atençao delas com histórias intrigantes que nao era possivel identificar a veracidade delas. Aparentava ser timida, porém com seus momentos de estravagança, definiu sua personalidade em algo obscuro e duvidoso que pôde ser entendido no decorrer do filme pelo vazio que seus pais deixavam nela por nao lhe dar atençao. Estando em uma fase de conflitos seguidos de conflitos e já pensando em seu futuro, em suas inumeras possibilidades, dentro de suas reflexoes que segundo Wallon sao caracteristica fundamental dessa etapa, chegou a pensar até mesmo em fugir de casa, o que nao aconteceu.

Claire aparece como a típica patricinha que ganha tudo o que quer, tendo que arcar com a vida de pessoa rica em uma escola, com amigas, com status, com carisma, porém também com o vazio e conflito que essa fase trás. Claire procura reprimir seus sentimentos para parecer bem, porém essa repressao lhe causa alguns problemas. Sempre em conflito com John, principalmente pela causa destacada por Wallon que um dos principais destaques dessa fase que é a atraçao pelo sexo oposto. A necessidade de impor, de expressar, de viver essa vida sexual e manifestar suas experiências, gera conflito entre John e Claire que segue reprimindo e escondendo seus desejos e sentimentos.
Por fim temos Brian que é o tipico “nerd”, geralmente sem voz ativa e sem conseguir impor suas opnioes, em certo momento ele diz o porque de estar retido. Brian falhou em uma atividade da escola que envolvia mecânica, primeiramente achou fácil, porém ao ver que sua criaçao nao conduzia energia, ficou frustrado nao só por tirar zero no trabalho, mas com a consciência do que esse zero traria para ele. Seus pais punham pressao em cima dele e por mais que ele ficasse com 10 em todas as outras matérias, sua média seria 8,0, o que era inaceitável por seus pais. Tamanha pressao foi apresentada durante o filme em um momento em que simples palavras mencionadas por Claire, provocaram uma tempestade nos pensamentos de Brian. Essa caracteristica citada por Wallon, é de que uma palavra, uma alusao, um gesto bastam para provocar, por vezes, o enbrutecimento gerado por algum sentimento reprimido. Brian estava na retençao pelo fato do zelador ter encontrado um revolver em seu armário que ele poderia ter usado para se matar em um momento de enorme conflito interno, devido a pressao que seus pais lhe impunham.
Ao mesmo tempo todos eles demonstraram serem distintos de seus pares quando necessitaram atribuir a si próprio uma maior autonomia na medida em que precisaram desempenhar determinado papel no grupo que o diferenciava dos outros, permitindo eles se percebendo como indivíduo. Enfim, o restante do grupo vão mostrando que são bem mais do que a capa do estereótipo que lhes foi colado enquanto John que surge inicialmente como o típico rebelde, provocando tudo e todos, aos poucos revela a sua personalidade, os seus problemas, as suas ansiedades. Na biblioteca, estes discutem, falam, emocionam e emocionam-se, riem e choram como qualquer adolescente normal.
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