Parábola para UNICÓRNIOS

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Os unicórnios pesam estrelas na balança do tempo. Abastecem de solidão e poesia. Fazem medidas exatas do desespero. Dançam no meio dos inocentes. se prestam para derrubar ps insolentes. Esperam o chamado das virgens. Esperam ser domados por moças puras. Respeitam as encarnações das deusas. Ainda acreditam ma virgindade. Os unicórnios adormecem no colo das donzelas.

Parábola para unicórnios é um  livro de poesias escrito por José Eduardo Degrazia, publicado pela Editora Penalux, no ano de 2019. Há muito o que se falar de um livro que carrega uma estética poética tão rica. Degrazia consegue transmitir de forma clara e sucinta o âmago de seus sentimentos e vida. Como dito por Jane Tutikian na apresentação deste livro: "Ele é o poeta questionador da própria experiência estética, o poeta da metapoesia, um poeta de ruptura que não reproduz a realidade mesma, ele a reinventa." A impressão que temos ao ler a obra de Degrazia, é a imensidão presente em suas linhas e a facilidade com o qual o autor trabalha a estética de seus poemas para causar um impacto verbal e visual, nota-se que houve um empenho, estudo e uma análise sistemática de uma composição crítica criativa, visual e verbal para que se formulasse o "espírito" da narrativa. O que há neste livro, transborda, e eu não falo apenas de poesia, eu falo de uma realidade alternativa, de um sentido à mais, de um desejo, de um sonho, de um pensar, de um querer e de um desejar. O autor usou de todos os seus recursos para apresentar uma gama de poesias ligadas à diversas temáticas, sob as quais, estamos inundados até o pescoço. O recurso mais presente - e mais caloroso da obra, talvez, só talvez, seja o impacto visual. Eu não havia me deparado com nenhum livro como este, nunca algo semelhante ou peculiar o suficiente para dizer que me impressionou em todos os sentidos, porém, Degrazia conseguiu com maestria me fazer refletir, sorrir, chorar e amar cada detalhe desta obra. Não é atoa que sua escrita possui traços únicos e individuais, há aqui, a subjetividade e o princípio de alteridade muito presente entre um discurso e outro, entre uma linha e outra. Ah! que saudade eu estava de uma leitura que me prendesse do início ao fim, que me capturasse e me fizesse refém.  Agora, vamos refletir acerca de um dos poemas que mais me tocaram em toda obra, sendo este "escotil(h)as", presente na página 91:

Os nossos pais diziam,

que os nossos avós

não escreviam

boa poesia, 

pois rimavam, 

e tinham ritmo,

e tudo era um saco

parnasianíssimo, 

ou uma pletora

sonora simbolista

Este poema me recordou "sociedade dos poemas mortos", onde John Keating, um professor de poesia nada ortodoxo, prepara jovens para Academia Welton, fazendo-os buscar suas paixões incessantemente, sobretudo, a poesia para tornar suas vidas extraordinárias. Aqui, eu consigo analisar a clareza de ideias presente entre alguém que se dedica a poesia, e alguém que atreveu-se a não somente compreender rima, métrica, estrofe, ritmo e versos, mas buscar uma essência dentro de todos estes parâmetros que formam a síntese do eu-lirico no poema, da narrativa, dos fatos, dos desejos, das vontades.  Poucos são os poetas que escrevem com tanta paixão e vigor, e mais poucos ainda, aqueles que se dedicam a escrever sobre uma gama de ideias diferentes dentro de uma única obra, com um teor estético tão rico e tão bem elaborado, quanto presente nesta obra.

Entender uma obra poética demanda tempo, pois não depende apenas de um nível "x" de conhecimento dos componentes que formam a poesia, mas também é necessário ter uma alma sensível, olhos atentos e o sentimento aflorado para entender a diversidade de interpretações que se pode ter dentro de uma única obra, ainda que a intenção primária do autor seja uma, nossa interpretação sempre dependerá de nossa experiência de vida, e talvez, só talvez, este recurso torne a poesia tão viva e tão presente no cotidiano das pessoas e nas prateleiras das universidades. Degrazia possui um sentimento que se traduz facilmente na poesia de Alvaro de Campos:

Isto de sensações só vale a pena 
Se a gente se não põe a olhar para elas. 
Nenhuma delas em mim serena... 

De resto, nada em mim é certo e está 
De acordo comigo próprio. As horas belas 
São as dos outros ou as que não há. 

                                   [A PRAÇA]

Em outras palavras: uma narrativa repleta de sensações que valem a pena através do olhar daquele que se dedica à analisar além de sua estrutura superficial. "De resto, nada em mim é certo", realmente, de fato, nada é certo, os rumos que a narrativa de Degrazia tomam são proporcionais ao gozo que o leitor obtêm a cada linha lida. Um livro memorável, uma escrita transcendente e um misto de sentimentos a se ser descoberto.

4.7Overall Score

Parábolas para UNICÓRNIOS, é um livro de poesia que inspira o frescor da vida. Cada linha poética desenvolvida por Degrazia é como um sopro de vitalidade e renovo. Uma obra que não se mede em palavras.

  • CAPA
    4.0
  • ENREDO
    5.0
  • LEITURA
    4.7
  • DIAGRAMAÇÃO
    5.0
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Blogueiro, escritor, poeta, professor, ensaísta, cinéfilo, viajante e filantropo. Estudante de Ciências Sociais em busca de uma compreensão mais assertiva do nosso local em sociedade.

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