[RESENHA #915] Gratidão, de Oliver Sacks

Durante os últimos meses de sua vida, Oliver Sacks escreveu uma série de ensaios nos quais explorou de maneira comovente seu percurso pessoal para concluir a vida e enfrentar a própria morte da melhor forma. Este livro traz quatro textos publicados no New York Times entre julho de 2013 e agosto de 2015, pouco antes de ele morrer. Juntos, formam uma ode à singularidade de cada ser humano e de gratidão pelo dom da vida. Sacks reflete sobre o significado de levar uma existência que valha a pena. “Não consigo fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. Amei e fui amado, recebi muito e dei algo em troca, li, viajei, pensei, escrevi. Tive meu intercurso com o mundo, o intercurso especial dos escritores e leitores.”

RESENHA

ratidão é um livro póstumo do neurologista e escritor Oliver Sacks, publicado em 2015, que reúne quatro ensaios autobiográficos sobre sua experiência de envelhecimento e enfrentamento da morte. Os textos foram originalmente publicados no jornal The New York Times entre 2013 e 2015, após Sacks descobrir que tinha um câncer terminal. O livro é uma reflexão sobre o sentido da vida, a gratidão pelo dom de existir e a singularidade de cada ser humano.

O primeiro ensaio, “Mercurial”, narra a infância e a juventude de Sacks, marcadas pela paixão pela química, pela fuga dos bombardeios na Segunda Guerra Mundial e pela rejeição de seu pai por sua homossexualidade. Sacks conta como se tornou médico e escritor, e como lidou com sua dependência de drogas e sua solidão afetiva. Ele também revela sua admiração por seu tio-avô, o químico Dave, que o apelidou de “Tungstênio” por sua personalidade forte e resistente.

O segundo ensaio, “Minha própria vida”, é uma carta aberta aos leitores, na qual Sacks anuncia que seu câncer no olho, diagnosticado em 2005, havia se espalhado para o fígado, deixando-lhe poucos meses de vida. Ele expressa sua aceitação da morte e sua gratidão por tudo o que viveu, amou, aprendeu e escreveu. Ele afirma que não tem medo de morrer, mas sim de não viver plenamente até o fim.

O terceiro ensaio, “Minha tabela periódica”, retoma o tema da química e da relação entre os elementos e a vida. Sacks compara sua idade com os números atômicos dos elementos, e descreve como cada um deles tem um significado especial para ele. Ele conta como viajou pelo mundo em busca de metais raros e preciosos, e como presenteou seus amigos com amostras de elementos que representavam suas personalidades. Ele também relata sua visita ao túmulo de Mendeleev, o criador da tabela periódica, em Moscou, e sua emoção ao receber um presente de aniversário: uma caixa com todos os elementos.

O quarto e último ensaio, “Sabbath”, é uma meditação sobre o significado do descanso, da paz e da espiritualidade. Sacks recorda sua infância judaica, sua ruptura com a religião e sua reaproximação com sua fé e sua família. Ele conta como passou seu último Sabbath com seus primos e amigos, em uma celebração de amor e alegria. Ele conclui que o Sabbath é um símbolo de sua gratidão pela vida e pela criação.

Gratidão é um livro breve, mas intenso, que nos convida a refletir sobre nossa própria existência e sobre o que realmente importa. Sacks nos mostra, com sua lucidez e sensibilidade, como enfrentar a morte com dignidade e esperança, e como agradecer pela oportunidade de ser e de se expressar no mundo. É uma obra que nos inspira a valorizar cada momento, cada pessoa e cada experiência que nos fazem únicos e humanos.

Oliver Sacks foi um dos mais importantes e influentes neurologistas e escritores do século XX. Nascido em Londres, em 1933, formou-se em medicina na Universidade de Oxford e emigrou para os Estados Unidos em 1960. Foi professor de neurologia e psiquiatria na Universidade de Columbia, na Universidade Yeshiva e na Universidade de Nova York. Ficou famoso por seus livros que relatavam casos clínicos de pessoas com distúrbios neurológicos, como Tempo de despertar, O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, Um antropólogo em Marte, Alucinações musicais, entre outros. Seus livros foram traduzidos para mais de 20 idiomas e alguns foram adaptados para o cinema e o teatro. Sacks morreu em Nova York, em 2015, aos 82 anos.

A obra de Sacks se caracteriza pela combinação de rigor científico, humanismo, humor e poesia. Sacks não se limitava a descrever as doenças de seus pacientes, mas buscava compreender suas histórias, suas emoções, suas percepções e suas formas de se adaptar ao mundo. Sacks também escreveu sobre sua própria vida, seus interesses, suas paixões e seus desafios. Sua obra é um testemunho de sua curiosidade, sua criatividade e sua generosidade.

Gratidão é um livro que nos faz admirar ainda mais a figura e o legado de Oliver Sacks. É um livro que nos ensina a olhar para a morte com serenidade e para a vida com gratidão. É um livro que nos faz pensar sobre o que realmente importa e sobre o que nos faz felizes. É um livro que nos faz sentir gratos por termos conhecido Oliver Sacks.

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