[RESENHA #911] 12 Regras para a Vida, de Jordan Peterson


Aclamado psicólogo clínico, Jordan Peterson tem influenciado a compreensão moderna sobre a personalidade e, agora, se transformou em um dos pensadores públicos mais populares do mundo, com suas palestras sobre tópicos que variam da bíblia, às relações amorosas e à mitologia, atraindo dezenas de milhões de espectadores. Em uma era de mudanças sem precedentes e polarização da política, sua mensagem franca e revigorante sobre o valor da responsabilidade individual e da sabedoria ancestral tem ecoado em todos os cantos do mundo. Neste livro, ele oferece doze princípios profundos e práticos sobre como viver uma vida com significado. A partir de exemplos vívidos de sua prática clínica e vida pessoal, bem como de lições extraídas das histórias e mitos mais antigos da humanidade, 12 Regras para a Vida oferece um antídoto para o caos em nossas vidas: verdades eternas aplicadas aos nossos problemas modernos. “Um dos pensadores mais importantes a surgir no cenário mundial em muitos anos.”

RESENHA

O livro 12 Regras para a Vida, de Jordan Peterson, é uma obra de autoajuda que combina psicologia, filosofia, mitologia e religião para oferecer ao leitor princípios éticos e práticos para enfrentar o caos da existência humana. O autor, que é um renomado psicólogo clínico e professor universitário, baseia-se em sua experiência profissional e pessoal, bem como em exemplos históricos, científicos e literários, para ilustrar cada uma das regras que propõe.

O livro é dividido em 12 capítulos, cada um dedicado a uma regra específica. As regras são as seguintes:

  1. Costas eretas, ombros para trás: o autor usa a analogia dos lagostins para explicar como a postura corporal influencia a autoestima, a hierarquia social e a saúde mental. Ele defende que devemos assumir uma atitude de confiança e responsabilidade perante a vida, sem nos curvarmos diante das adversidades.
  2. Cuide de si mesmo como cuidaria de alguém sob sua responsabilidade: o autor argumenta que muitas vezes somos mais cuidadosos e compassivos com os outros do que conosco mesmos, e que isso pode gerar ressentimento, culpa e auto-sabotagem. Ele sugere que devemos tratar a nós mesmos como se fôssemos alguém que amamos e queremos ajudar a crescer e prosperar.
  3. Seja amigo de pessoas que queiram o melhor para você: o autor alerta para os perigos de nos cercarmos de pessoas que nos invejam, nos criticam, nos manipulam ou nos arrastam para baixo. Ele afirma que devemos escolher amigos que nos apoiem, nos inspirem e nos desafiem a melhorar.
  4. Compare a si mesmo com quem você foi ontem, não com quem outra pessoa é hoje: o autor enfatiza que a comparação social é uma fonte de frustração, ansiedade e depressão, pois nos faz sentir inferiores ou superiores aos outros, sem levar em conta as diferenças individuais e as circunstâncias. Ele propõe que devemos nos comparar apenas com quem éramos no passado, e buscar progredir a cada dia, de acordo com nossos objetivos e valores.
  5. Não deixe que seus filhos façam algo que faça você deixar de gostar deles: o autor aborda a questão da educação dos filhos, e defende que os pais devem impor limites, disciplina e orientação aos seus filhos, para que eles se tornem adultos responsáveis, competentes e respeitados. Ele critica a permissividade, a indulgência e a negligência dos pais que deixam seus filhos fazerem o que querem, sem se preocupar com as consequências a longo prazo.
  6. Deixe sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo: o autor questiona a tendência de muitas pessoas de se envolverem em causas sociais, políticas ou ideológicas, sem antes resolverem seus próprios problemas pessoais, familiares ou profissionais. Ele afirma que devemos começar a mudar o mundo a partir de nós mesmos, e que devemos nos concentrar em fazer o bem no nosso círculo mais próximo, antes de tentar salvar o mundo inteiro.
  7. Busque o que é significativo, não o que é conveniente: o autor contrapõe o conceito de sentido ao de felicidade, e argumenta que o sentido é mais importante e duradouro do que a felicidade, pois nos dá um propósito e uma direção na vida, mesmo diante do sofrimento e da morte. Ele afirma que devemos buscar o que é significativo para nós, e não o que é fácil, prazeroso ou popular, pois isso nos torna mais fortes, sábios e virtuosos.
  8. Diga a verdade. Ou, pelo menos, não minta: o autor destaca a importância da honestidade para a integridade pessoal, a confiança interpessoal e a harmonia social. Ele explica que mentir é uma forma de manipular a realidade, e que isso pode ter consequências desastrosas para nós mesmos e para os outros. Ele recomenda que devemos dizer a verdade, ou pelo menos não mentir, pois isso nos permite enfrentar os fatos, corrigir os erros e crescer como pessoas.
  9. Presuma que a pessoa com quem você está conversando possa saber algo que você não sabe: o autor ressalta o valor do diálogo, da escuta e do aprendizado para o desenvolvimento intelectual, emocional e moral. Ele afirma que devemos presumir que a pessoa com quem estamos conversando possa saber algo que nós não sabemos, e que devemos estar abertos a ouvir, questionar, compreender e mudar de opinião, se necessário.
  10. Seja preciso no que diz: o autor enfatiza a importância da precisão na comunicação, e explica que ser preciso no que dizemos significa expressar exatamente o que pensamos, sentimos e queremos, sem ambiguidade, generalização ou distorção. Ele afirma que ser preciso no que dizemos nos ajuda a evitar mal-entendidos, conflitos e ressentimentos, e também a esclarecer nossos problemas, necessidades e objetivos.
  11. Não incomode crianças quando elas estão andando de skate: o autor defende que as crianças devem ter liberdade e espaço para explorar, brincar, se arriscar e se divertir, sem a interferência excessiva dos adultos. Ele afirma que isso é essencial para o desenvolvimento da criatividade, da coragem, da competência e da autoconfiança das crianças. Ele critica a tendência de alguns adultos de superproteger, controlar ou reprimir as crianças, impedindo-as de experimentar e aprender com seus próprios desafios e erros.
  12. Faça carinho em um gato quando encontrar um na rua: o autor usa o exemplo dos gatos para ilustrar a ideia de que devemos apreciar as pequenas coisas da vida, e que devemos estar atentos e gratos pelas oportunidades de beleza, alegria e amor que surgem no nosso caminho. Ele afirma que fazer carinho em um gato quando encontramos um na rua é uma forma de reconhecer e celebrar a existência de algo bom e simples, que pode nos trazer um momento de paz e felicidade, mesmo em meio ao caos e ao sofrimento.

O livro 12 Regras para a Vida, de Jordan Peterson, é uma obra que reflete a trajetória, o pensamento e a personalidade do autor, que é um dos intelectuais mais polêmicos e influentes da atualidade. Peterson é um psicólogo clínico, professor universitário, escritor e comentarista de mídia, que nasceu em Edmonton, no Canadá, em 1962. Ele se formou em psicologia pela Universidade de Alberta e fez doutorado pela Universidade McGill. Ele lecionou na Universidade de Harvard e na Universidade de Toronto, onde se tornou professor emérito. Ele publicou mais de cem artigos científicos, e se especializou nos estudos da psicologia analítica, social e evolucionista, com ênfase na crença ideológica, na personalidade e na psicologia da religião. Ele é autor de dois outros livros: Mapas do Significado: A Arquitetura da Crença (1999) e Além da Ordem: Mais 12 Regras para a Vida (2021).

O livro 12 Regras para a Vida, de Jordan Peterson, pode ser comparado com outros escritos do autor, bem como com obras de outros autores que o influenciaram ou que dialogam com seus temas. Por exemplo, o livro Mapas do Significado: A Arquitetura da Crença, que é a obra anterior de Peterson, é um trabalho mais acadêmico e complexo, que explora a origem e a função das narrativas míticas e religiosas na estruturação do pensamento e do comportamento humano. Já o livro Além da Ordem: Mais 12 Regras para a Vida, que é a obra posterior de Peterson, é uma continuação do livro 12 Regras para a Vida, que apresenta mais doze princípios para lidar com a incerteza, a complexidade e a liberdade da vida moderna. Outros livros que podem ser relacionados com o livro 12 Regras para a Vida, de Jordan Peterson, são: O Homem em Busca de um Sentido, de Viktor Frankl, que é uma obra que inspirou Peterson a buscar o sentido da vida diante do sofrimento e da morte. O Homem em Busca de um Sentido é um relato autobiográfico de Frankl, que sobreviveu aos campos de concentração nazistas e criou a logoterapia, uma abordagem psicoterapêutica que se baseia na busca pelo sentido da vida. A Revolta de Atlas, de Ayn Rand, que é uma obra que influenciou Peterson a defender o individualismo, o capitalismo e o objetivismo, como formas de preservar a liberdade, a razão e a criatividade humanas. A Revolta de Atlas é um romance distópico que narra a história de um grupo de empresários e inventores que se rebelam contra um sistema socialista e coletivista que os oprime e explora. O Anticristo, de Friedrich Nietzsche, que é uma obra que inspirou Peterson a criticar o cristianismo, o niilismo e o moralismo, como fontes de decadência e ressentimento da civilização ocidental. O Anticristo é um livro polêmico que ataca a religião cristã, a moralidade tradicional e a cultura europeia, e propõe uma nova ética baseada na vontade de poder, no super-homem e no eterno retorno.

A crítica que se pode fazer ao livro 12 Regras para a Vida, de Jordan Peterson, é que se trata de uma obra que apresenta pontos positivos e negativos, dependendo da perspectiva do leitor. Por um lado, o livro pode ser visto como uma fonte de inspiração, orientação e motivação para as pessoas que buscam melhorar suas vidas, enfrentar seus problemas e encontrar um sentido para sua existência. O livro oferece conselhos práticos, exemplos ilustrativos e argumentos convincentes, que podem ajudar o leitor a compreender a si mesmo, aos outros e ao mundo, de forma mais profunda e ampla. O livro também demonstra a erudição, a inteligência e a originalidade do autor, que consegue integrar diversos campos do conhecimento, como a psicologia, a filosofia, a mitologia e a religião, em uma visão coerente e consistente da realidade. Por outro lado, o livro pode ser visto como uma fonte de confusão, contradição e polêmica para as pessoas que discordam ou questionam as ideias, as opiniões e as posições do autor. O livro contém afirmações controversas, generalizações simplistas e críticas ácidas, que podem ofender, irritar ou desafiar o leitor, especialmente se ele pertence a algum grupo social, político ou ideológico que o autor ataca ou despreza. O livro também revela as limitações, os preconceitos e as inconsistências do autor, que às vezes se baseia em dados duvidosos, interpretações enviesadas ou raciocínios falhos, para defender seus pontos de vista.

Em suma, o livro 12 Regras para a Vida, de Jordan Peterson, é uma obra que pode ser considerada como um guia de autoajuda, um ensaio filosófico, um manifesto ideológico ou um fenômeno cultural, dependendo do ângulo de análise. O livro é um reflexo da personalidade e do pensamento do autor, que é um dos intelectuais mais influentes e polêmicos da atualidade. O livro é um convite ao leitor para que ele se torne um indivíduo mais consciente, responsável e significativo, em um mundo caótico, complexo e incerto. O livro é um desafio ao leitor para que ele se questione, se informe e se posicione, diante das questões mais importantes e controversas da vida.

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