[RESENHAS #783] O mistério do trem azul, de Agatha Christie

Quando o luxuoso Trem Azul chega a Nice, na Riviera Francesa, um guarda tenta acordar a serena Ruth Kettering, uma jovem atraente e riquíssima herdeira. Qual não é o seu susto ao perceber que ela está morta, assassinada com um pesado golpe na cabeça que a deixou quase irreconhecível. Além disso, alguém roubou seus preciosos rubis. O primeiro suspeiro é Derek, o marido de Ruth. Mas Hercule Poirot não está totalmente convencido, então monta uma completa reconstituição do crime e da viagem, com direito a tudo, inclusive a presença do assassino a bordo.

RESENHA

O mistério do comboio azul, de Agatha Christie, é um romance policial que envolve o assassinato de uma jovem milionária em um luxuoso trem que viaja da França para a Riviera. O detetive belga Hercule Poirot, que por acaso está no mesmo trem, é encarregado de solucionar o caso, que tem como principais suspeitos o marido infiel da vítima, o amante dela, um ladrão de joias e uma misteriosa mulher de cabelos vermelhos.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela construção de enredos intricados, cheios de pistas falsas, reviravoltas e surpresas. A autora também se destaca pela criação de personagens memoráveis, como o próprio Poirot, que usa seu "poder das células cinzentas" para desvendar os crimes mais complexos. Além disso, Christie explora temas como a natureza humana, a moralidade, a justiça e a vingança em suas obras.

O livro O mistério do comboio azul foi publicado em 1928, no período entre as duas guerras mundiais, e reflete o contexto histórico e social da época. A obra retrata a vida da alta sociedade europeia, que busca diversão e glamour nas estâncias balneares, mas também mostra as tensões políticas, econômicas e culturais que afetam o continente. A influência do cinema, da moda, da arte e da literatura também é evidente na obra, que faz referências a figuras como Charlie Chaplin, Coco Chanel, Pablo Picasso e Marcel Proust.

Alguns personagens que se destacam na obra são:

- Ruth Kettering: a vítima do crime, uma jovem rica e bonita, mas infeliz em seu casamento com Derek Kettering, um homem egoísta e interesseiro. Ela planeja fugir com o seu amante, o conde de Arles, mas é assassinada antes de realizar o seu sonho.

- Katherine Grey: uma moça simples e inteligente, que herda uma fortuna de uma parente distante e decide viajar pelo mundo. Ela conhece Ruth no trem e se torna amiga dela, além de se envolver com o caso do assassinato. Ela também desperta o interesse de Lenox Tamplin, um jovem advogado que trabalha para o pai de Ruth.

- Hercule Poirot: o famoso detetive belga, que usa sua astúcia e sua lógica para resolver os mistérios mais difíceis. Ele é contratado por Rufus Van Aldin, o pai de Ruth, para descobrir o assassino e recuperar o colar de rubis que foi roubado da vítima. Ele conta com a ajuda de Katherine e de seu amigo, o inspetor Caux, da polícia francesa.

- O Marquês: o apelido de um perigoso ladrão de joias, que é o principal suspeito de ter matado Ruth e roubado o seu colar. Ele é um homem misterioso, que usa vários disfarces e tem uma rede de cúmplices. Ele também tem uma rivalidade com outro ladrão, conhecido como Papopolous.

Algumas citações marcantes da obra são:

- "O crime é um fenômeno muito interessante, mademoiselle. É como um quebra-cabeça, um jogo de xadrez, um problema matemático. É preciso usar as células cinzentas, ordená-las, fazê-las trabalhar." (Poirot, capítulo 4)

- "A vida é uma coisa estranha. Nunca sabemos o que nos espera ao virar da esquina." (Katherine, capítulo 9)

- "O amor é uma coisa muito perigosa. Pode fazer as pessoas fazerem coisas terríveis." (O Marquês, capítulo 15)

A obra O mistério do comboio azul tem uma simbologia que se relaciona com o tema da ilusão e da realidade. O trem azul representa o luxo, a sofisticação e o sonho de uma vida melhor, mas também esconde a violência, a traição e a morte. O colar de rubis, chamado de "Coração de Fogo", simboliza o desejo, a paixão e o perigo, que podem levar as pessoas a cometerem crimes. A mulher de cabelos vermelhos, que aparece em vários momentos da história, representa a tentação, a sedução e o mistério, que podem confundir e enganar os personagens.

A importância e a relevância cultural da obra se devem ao fato de que ela é uma das primeiras obras de Agatha Christie, considerada a "Rainha do Crime" e uma das escritoras mais populares e influentes do século XX. A obra também é um exemplo do gênero policial, que tem uma grande legião de fãs e admiradores, e que se caracteriza pela combinação de suspense, intriga e raciocínio. Além disso, a obra apresenta aspectos históricos, sociais e culturais da Europa do início do século XX, que podem despertar o interesse e a curiosidade dos leitores.

A biografia de Agatha Christie é tão fascinante quanto as suas obras. Ela nasceu em 1890, na Inglaterra, e começou a escrever histórias de mistério por diversão, inspirada por seu irmão e por seu marido, que eram fãs do gênero. Ela publicou o seu primeiro livro, O misterioso caso de Styles, em 1920, e introduziu o personagem de Hercule Poirot, que se tornaria um dos seus mais famosos e queridos detetives. Ela escreveu mais de 80 livros, entre romances, contos e peças de teatro, e criou outros personagens famosos, como Miss Marple, Tommy e Tuppence, e o casal Beresford. Ela também escreveu sob o pseudônimo de Mary Westmacott, romances de cunho mais psicológico e sentimental. Ela morreu em 1976, aos 85 anos, deixando um legado de obras que continuam a encantar e a surpreender os leitores de todo o mundo.

O mistério do comboio azul é uma obra que prende a atenção do leitor do início ao fim, com uma trama bem elaborada, personagens interessantes e um desfecho surpreendente. Agatha Christie mostra o seu talento para criar enigmas e para conduzir o leitor por um caminho cheio de pistas e de suspeitas, que o desafiam a tentar descobrir a solução antes de Poirot. A obra também é uma viagem pela Europa dos anos 20, com suas belezas, seus contrastes e seus conflitos. É uma obra que agrada tanto aos fãs do gênero policial quanto aos que apreciam uma boa história, bem contada e bem escrita.

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