[RESENHA #900] As mentiras que os homens contam, de Luis Fernando Veríssimo

Quantas vezes você mente por dia? Calma, não precisa responder agora. Também não é sempre que você conta uma mentira, só de vez em quando. Na verdade, quando você mente, é porque precisa. Para proteger o outro e, de preferência, a outra. Foi assim com a mãe, a namorada, a mulher, a sogra. Tudo pelo bom convívio social, pela harmonia dentro de casa, para uma noite mais agradável com os amigos. Você só mente, no fundo, para poupar as pessoas e, sobretudo, para o bem das mulheres. Luis Fernando Verissimo, este observador bem-humorado do cotidiano brasileiro, reúne em As mentiras que os homens contam um repertório divertido de histórias assim ― tão indispensáveis que, de repente, viram até verdades. Depende de quem ouve. Depende de quem conta.

RESENHA

O livro As mentiras que os homens contam, de Luis Fernando Veríssimo, é uma coletânea de crônicas publicada em 2000 pela editora Objetiva. O autor, um dos mais renomados e populares escritores brasileiros, utiliza o humor e a ironia para retratar as situações cotidianas em que os homens recorrem à mentira, seja por conveniência, por medo, por vaidade ou por amor.

As crônicas abordam temas variados, como as mentiras que os homens contam para as mães, as namoradas, as esposas, as sogras, os amigos, os chefes e até para si mesmos. Veríssimo cria personagens e diálogos que refletem o universo masculino, com suas inseguranças, fantasias, desejos e conflitos. O autor também faz referências à cultura pop, à política, ao futebol e à literatura, mostrando sua erudição e sua capacidade de dialogar com diferentes públicos.

O livro é dividido em quatro partes: “As mentiras que os homens contam”, “As mentiras que os homens contam para as mulheres”, “As mentiras que os homens contam para os homens” e “As mentiras que os homens contam para ninguém”. Cada parte reúne dez crônicas, com exceção da última, que tem apenas uma. Algumas das crônicas mais divertidas e famosas são: “A crônica e o ovo”, “O homem que não mentia”, “O dia em que o homem parou”, “O homem que sabia javanês”, “O homem que não gostava de Beatles” e “O homem que não tinha imaginação”.

Um dos trechos mais emblemáticos do livro é o seguinte:

“O homem mente desde que aprende a falar. A primeira mentira é para a mãe, e é quase sempre a mesma: ‘Não fui eu’. Depois vem a escola, e a mentira se sofistica: ‘O cachorro comeu o meu dever de casa’. A adolescência traz as mentiras sentimentais: ‘Eu te amo’. E a vida adulta, as mentiras profissionais: ‘O cheque está no correio’. O homem mente para se proteger, para se exibir, para se divertir, para se vingar. Mas, principalmente, o homem mente para as mulheres. E as mulheres, ingênuas, acreditam. Ou fingem que acreditam, o que dá no mesmo.” (Veríssimo, 2000, p. 9)

O livro é uma obra divertida e inteligente, que revela o talento de Veríssimo como cronista e humorista. O autor consegue captar as nuances e as contradições do comportamento humano, especialmente do masculino, e transformá-las em textos leves e bem-humorados. O livro também é uma crítica sutil e irônica à sociedade brasileira, que convive com a mentira em diversos níveis, desde o pessoal até o político. O livro é uma leitura agradável e recomendável para quem gosta de rir e de refletir sobre as relações humanas.

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