[RESENHA #888] Garranchos, de Graciliano Ramos


Garranchos é uma reunião de 81 textos inéditos em livro de Graciliano Ramos, produzidos pelo escritor alagoano em diferentes momentos de sua trajetória artística, intelectual e política, abrangendo um período que vai desde meados dos anos 1910 até o início da década de 1950. Nesse conjunto encontram-se crônicas, epigramas, artigos de crítica literária, discursos políticos, cartas publicadas na imprensa, o primeiro ato de uma peça de teatro, além de um conto juvenil intitulado “O ladrão”, datado de julho de 1915, entre outras valiosas revelações descobertas em acervos de todo o país.

RESENHA

Garranchos é uma obra que reúne textos inéditos de Graciliano Ramos, um dos maiores escritores brasileiros do século XX. O livro é organizado pelo pesquisador Thiago Mio Salla, que encontrou os textos em acervos de todo o país. São crônicas, epigramas, artigos de crítica literária, discursos políticos, cartas publicadas na imprensa, o primeiro ato de uma peça de teatro e um conto juvenil, entre outros. Os textos abrangem um período que vai desde meados dos anos 1910 até o início da década de 1950, mostrando a evolução do estilo do autor, sua visão de mundo, seus interesses e suas paixões.

Graciliano Ramos é conhecido por sua prosa seca, enxuta e precisa, que retrata com realismo e sensibilidade a vida do sertanejo nordestino, marcada pela pobreza, pela seca, pela violência e pela opressão. Em Garranchos, podemos ver que essa linguagem também se aplica a outros temas, como a política, a cultura, a literatura, a família e o cotidiano. O autor não se furta a expressar suas opiniões, muitas vezes polêmicas, sobre assuntos como o comunismo, o fascismo, o modernismo, o regionalismo, a censura, a educação e a religião. Ele também revela seu humor ácido, sua ironia mordaz e sua sensibilidade poética em textos breves e contundentes.

Alguns dos textos mais interessantes de Garranchos são os que mostram o processo criativo do autor, suas influências, suas dificuldades e suas escolhas estéticas. Por exemplo, em uma carta ao tradutor Raúl Navarro, ele explica por que não usa vírgulas em seus livros: “As vírgulas me atrapalham, me fazem perder o fôlego, e como tenho asma, preciso economizar ar”. Em outra carta, ao escritor José Lins do Rego, ele confessa que não gosta de seus próprios livros: “Não sei se você já leu Caetés. Eu não li. Não gosto de ler o que escrevo. Tenho medo de achar ruim”. Em um artigo sobre Machado de Assis, ele elogia o mestre da literatura brasileira, mas reconhece que não consegue imitá-lo: “Machado de Assis é um gênio. Mas eu não posso escrever como ele. Eu não sei fazer frases bonitas. Eu só sei escrever garranchos”. 

Garranchos é um livro que nos permite conhecer melhor a personalidade, o pensamento e a obra de Graciliano Ramos, um autor que marcou a história da literatura brasileira com seus romances, contos, memórias e ensaios. É uma obra que nos ensina sobre o Brasil, sobre a arte, sobre a vida. É uma obra que nos encanta, nos emociona, nos provoca e nos faz pensar. É uma obra que merece ser lida, relida e apreciada por todos os que amam a literatura.

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