[RESENHA #871] O segredo da rua 18, de Zélia Gattai


RESENHA

O segredo da rua 18, de Zélia Gattai, é um livro infantil que narra as aventuras de um grupo de crianças que decide procurar um tesouro escondido por um pirata na sua rua. A obra é escrita em um estilo simples e envolvente, que mistura realidade e fantasia, e que convida o leitor a acompanhar as peripécias dos personagens.

Os principais personagens são Doralice e Miguelinho, dois amigos que se mudam para a rua 18, uma rua sem graça e sem nome, onde não há nada de interessante para fazer. Eles são os líderes da turma de crianças que se anima com a ideia de cavar um canteiro para plantar flores e, quem sabe, encontrar um tesouro. Outros personagens importantes são o pirata Gancho de Ouro, que aparece nos sonhos de Miguelinho e lhe dá pistas sobre o tesouro, e o velho João, um morador misterioso da rua, que guarda um segredo surpreendente.

O livro ensina valores como a amizade, a cooperação, a imaginação, o respeito à natureza e à diversidade. A obra também mostra a importância da memória e da história, ao revelar o passado da rua 18 e do velho João, que tem uma ligação com a Revolução de 1932. Além disso, o livro estimula a curiosidade e a criatividade das crianças, ao apresentar elementos fantásticos e lúdicos, como o mapa do tesouro, o papagaio falante, o baú de moedas e a espada do pirata.


Algumas citações da obra que ilustram esses aspectos são:

- "A rua 18 era uma rua sem nome, sem árvores, sem flores, sem nada. Só um número numa placa de madeira pregada num poste."¹

- "Miguelinho sonhou que estava no navio do pirata Gancho de Ouro. O pirata era muito malvado, tinha um gancho de ouro no lugar da mão direita e um papagaio verde na outra mão."¹

- "As crianças cavaram, cavaram, cavaram, até que encontraram um baú de madeira cheio de moedas de ouro. Elas ficaram tão felizes que começaram a gritar e a pular."¹

- "O velho João era um herói. Ele tinha lutado na Revolução de 1932, defendendo a democracia e a liberdade. Ele tinha sido ferido na batalha e tinha perdido a mão direita. Por isso, ele usava um gancho de metal no lugar da mão."¹

- "As crianças ficaram admiradas com a história do velho João. Elas pediram desculpas por terem mexido nas suas coisas e prometeram que nunca mais iriam incomodá-lo. O velho João sorriu e disse que não se importava. Ele gostava das crianças e das flores que elas tinham plantado na rua."¹

O livro utiliza alguns símbolos para representar as ideias e os sentimentos dos personagens. Por exemplo, o tesouro é um símbolo da esperança e da alegria, que transforma a rua 18 em um lugar mais bonito e divertido. O gancho de ouro é um símbolo da coragem e da honra, que revela a verdadeira identidade do velho João. As flores são um símbolo da vida e da beleza, que trazem cores e perfumes para a rua.

O livro tem uma grande importância e relevância cultural, pois é uma obra de uma das mais importantes escritoras brasileiras, Zélia Gattai (1916 - 2008). Ela foi casada com o escritor Jorge Amado e participou ativamente da vida cultural e política do país. Ela escreveu vários livros de memórias, como Anarquistas, graças a Deus e Um chapéu para viagem, e também livros infantis, como Jonas e a sereia e Pipistrelo das mil cores. Ela recebeu vários prêmios e homenagens, como o Prêmio Jabuti e a Ordem do Mérito Cultural.

Zélia Gattai nasceu em São Paulo, em 1916, filha de imigrantes italianos. Ela teve uma infância feliz e livre, cercada de livros e histórias. Ela se interessou pela política e pela cultura desde cedo, e se envolveu com o movimento anarquista e o Partido Comunista. Ela conheceu Jorge Amado em 1945, e se casou com ele em 1948. Eles viveram em vários países, como França, Tchecoslováquia, Uruguai e Argentina, e voltaram ao Brasil em 1952. Eles se mudaram para Salvador, na Bahia, onde construíram a casa do Rio Vermelho, que se tornou um ponto de encontro de artistas e intelectuais. Zélia começou a escrever aos 63 anos, incentivada por Jorge, e publicou seu primeiro livro, Anarquistas, graças a Deus, em 1979. Ela continuou escrevendo até sua morte, em 2008, aos 91 anos.

O segredo da rua 18 é um livro que encanta e emociona leitores de todas as idades, pois é uma história que fala de sonhos, de aventuras, de amizades, de histórias, de segredos e de surpresas. É um livro que mostra a magia da literatura, que é capaz de transformar uma rua sem nome em um lugar cheio de encantos e mistérios. É um livro que merece ser lido e relido, pois é uma obra de arte que nos faz viajar no tempo e no espaço, e que nos faz descobrir o segredo da rua 18.

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