[RESENHA #836] Os quatro grandes, de Agatha Christie


Um homem invade o apartamento de Hercule Poirot em circunstâncias suspeitas. Quem é ele? Está sofrendo de choque ou há algo mais grave acontecendo? Acima de tudo, o que significa o papel que carrega, em que o número quatro foi escrito várias e várias vezes? De repente, Poirot se vê submerso em um mundo de intrigas, arriscando a vida para descobrir a verdade sobre uma organização criminosa internacional.

RESENHA

Os Quatro Grandes é um romance policial de Agatha Christie, publicado em 1927, protagonizado pelo detetive Hercule Poirot e seu amigo, o Capitão Hastings. O livro narra a luta de Poirot contra uma organização criminosa internacional, liderada por quatro misteriosos personagens, identificados apenas pelos números de 1 a 4. A obra é considerada uma das mais originais e ousadas da autora, que mistura elementos de espionagem, aventura e ficção científica, além do tradicional suspense e mistério.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela sua habilidade em criar enredos complexos e surpreendentes, com reviravoltas e pistas falsas, que desafiam a inteligência do leitor e do detetive. A autora também se destaca pela sua caracterização dos personagens, que são bem construídos e apresentam traços psicológicos e sociais distintos. Além disso, Christie utiliza o humor e a ironia para aliviar a tensão e criticar alguns aspectos da sociedade da época.

Os principais personagens do livro são:

  • Hercule Poirot: o famoso detetive belga, que usa seu “poder das células cinzentas” para resolver os casos mais difíceis. Ele é vaidoso, meticuloso e arrogante, mas também tem um grande senso de justiça e honra. Ele é o principal antagonista dos Quatro Grandes, que tentam eliminá-lo de várias formas.
  • Capitão Hastings: o fiel amigo e narrador da história. Ele é um ex-militar inglês, que admira e auxilia Poirot em suas investigações. Ele é ingênuo, impulsivo e romântico, mas também corajoso e leal. Ele representa o contraste entre o raciocínio lógico de Poirot e o senso comum do leitor.
  • Os Quatro Grandes: os líderes da organização criminosa, que têm planos de dominação mundial. Eles são:
    • O número 1: Li Chang Yen, o cérebro, a força controladora. Ele é um poderoso líder político chinês, que tem influência sobre vários países asiáticos. Ele é descrito como um homem velho e sábio, que usa uma máscara para esconder seu rosto.
    • O número 2: o dinheiro, o poder da riqueza. Ele é um milionário americano, que financia as operações dos Quatro Grandes. Ele é descrito como um homem gordo e careca, que usa um monóculo e um anel com o símbolo do número 2.
    • O número 3: uma mulher francesa, o conhecimento. Ela é uma cientista brilhante, que inventa armas e dispositivos para os Quatro Grandes. Ela é descrita como uma mulher bonita e elegante, que usa um colar com o símbolo do número 3.
    • O número 4: o destruidor, a força bruta. Ele é um assassino profissional, que executa as ordens dos Quatro Grandes. Ele é descrito como um homem alto e forte, que usa uma tatuagem com o símbolo do número 4.

Alguns ensinamentos que a obra pode transmitir são:

  • A importância da amizade e da confiança, que são demonstradas pela relação entre Poirot e Hastings, que se apoiam e se protegem nas situações de perigo.
  • A crítica ao totalitarismo e à ambição desmedida, que são representados pelos Quatro Grandes, que querem impor sua vontade sobre o mundo, sem se importar com as consequências.
  • A valorização da inteligência e da dedução, que são as armas de Poirot para combater os Quatro Grandes, que usam a violência e a intimidação.

Algumas citações da obra que se destacam são:

  • “Meu caro Hastings, você não percebe que estamos em guerra? É uma guerra de cérebros, meu amigo. Os Quatro Grandes contra Hercule Poirot.” (Poirot, capítulo 1)
  • “Não há nada que eu goste mais do que de um bom mistério. Exceto, talvez, de uma boa refeição.” (Hastings, capítulo 2)
  • “Não há crime sem motivo. Não há efeito sem causa. Tudo se encaixa, se você souber como olhar.” (Poirot, capítulo 5)
  • “Os Quatro Grandes são como um polvo gigante, com seus tentáculos em toda parte. Eles têm agentes e espiões em todos os países, em todas as classes sociais, em todas as profissões.” (Inspetor Japp, capítulo 7)
  • “Não há nada de impossível neste mundo, Hastings. Só há coisas improváveis. E às vezes, o improvável acontece.” (Poirot, capítulo 12)

O período histórico em que o livro se passa é o início do século XX, entre as duas guerras mundiais. Nessa época, o mundo estava passando por grandes transformações políticas, econômicas, sociais e culturais, que influenciaram a obra de Agatha Christie. Alguns aspectos que podem ser observados são:

  • O surgimento de movimentos revolucionários e nacionalistas na Ásia, especialmente na China, que é o cenário de parte da história. A figura de Li Chang Yen pode ser inspirada em Sun Yat-sen, o fundador da República da China, que morreu em 1925.
  • O crescimento do capitalismo e da industrialização nos Estados Unidos, que se tornou uma potência mundial após a Primeira Guerra Mundial. A figura do número 2 pode ser inspirada em John D. Rockefeller, o magnata do petróleo, que foi um dos homens mais ricos da história.
  • O desenvolvimento da ciência e da tecnologia, que trouxe novas descobertas e invenções, mas também novas armas e ameaças. A figura da número 3 pode ser inspirada em Marie Curie, a cientista francesa, que ganhou dois prêmios Nobel por suas pesquisas sobre a radioatividade.
  • O aumento da violência e da criminalidade, que exigiu novos métodos de investigação e prevenção. A figura do número 4 pode ser inspirada em Al Capone, o gângster americano, que liderou o crime organizado em Chicago durante a Lei Seca.

A simbologia da obra pode ser analisada a partir dos números que identificam os Quatro Grandes, que representam diferentes aspectos do poder e da personalidade dos personagens. Os números também podem ter um significado esotérico, relacionado à numerologia e à astrologia. Por exemplo:

  • O número 1: simboliza a liderança, a autoridade, a iniciativa, a originalidade, a independência, a ambição, a criatividade, a individualidade, a confiança, o ego, o sol, o fogo, o elemento masculino. É o número de Li Chang Yen, o cérebro, a força controladora.
  • O número 2: simboliza a cooperação, a parceria, a diplomacia, a harmonia, a adaptabilidade, a sensibilidade, a receptividade, o equilíbrio, a dualidade, a lua, a água, o elemento feminino. É o número do milionário americano, o dinheiro, o poder da riqueza.
  • O número 3: simboliza a comunicação, a expressão, a sociabilidade, a diversidade, a inteligência, a criatividade, a alegria, a expansão, a otimismo, o júpiter, o ar, o elemento neutro. É o número da mulher francesa, o conhecimento, a ciência.
  • O número 4: simboliza a ordem, a estabilidade, a disciplina, a praticidade, a lealdade, a segurança, a honestidade, a determinação, a resistência, o saturno, a terra, o elemento material. É o número do assassino profissional, o destruidor, a força bruta.

A importância e a relevância cultural da obra podem ser avaliadas pela sua influência na literatura policial e na cultura popular. A obra é uma das mais vendidas e traduzidas da autora, que é considerada a Rainha do Crime e uma das escritoras mais lidas da história. A obra também foi adaptada para o cinema, o teatro, a televisão, o rádio, os quadrinhos e os jogos, alcançando diferentes públicos e mídias. A obra também pode ser vista como um reflexo do seu tempo, que retrata os conflitos e as mudanças do mundo no início do século XX.

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