[RESENHA #831] Morte no nilo, de Agatha Christie

"Morte no Nilo" é um dos mais célebres romances de Agatha Christie e  um dos mais famosos mistérios protagonizados por Hercule Poirot. A própria autora afirma no prólogo: "é um de meus melhores livros sobre 'viagens internacionais'". Inspirado em uma de suas estadias no Egito, conta a história de Linnet Ridgeway, uma jovem que parece ter tudo: beleza, dinheiro, inteligência e talento para os negócios. Mas, ao partir com seu noivo, Simon Doyle, para um cruzeiro exótico no rio Nilo, ela descobre que também tem... inimigos. Quando um crime é cometido a bordo, a suspeita recai sobre a ex-namorada de Simon. O álibi da moça, porém, é incontestável. O mistério parece insolúvel até que Hercule Poirot, de férias no mesmo navio, intervém de maneira a mudar totalmente o rumo da história.

RESENHA

Morte no Nilo é um dos romances policiais mais famosos de Agatha Christie, publicado em 1937. A obra faz parte da série protagonizada pelo detetive belga Hercule Poirot, que usa sua inteligência e sua intuição para solucionar os mais intrincados mistérios. Neste livro, Poirot se vê envolvido em um caso de assassinato durante um cruzeiro pelo rio Nilo, no Egito, onde uma jovem milionária é morta em sua cabine. Entre os suspeitos estão o marido da vítima, a ex-namorada dele, uma escritora de romances, uma médium, um comunista, um arqueólogo e outros passageiros que escondem segredos e motivações para o crime.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela construção de personagens bem delineados, pelo uso de pistas falsas e reviravoltas, pelo humor sutil e pela crítica social. A autora também se inspirou em suas próprias viagens pelo Egito para descrever as paisagens e os costumes locais, dando um toque de exotismo e aventura à trama. Além disso, Christie explorou temas como o amor, a inveja, a ganância, a vingança e a justiça, mostrando as diferentes facetas da natureza humana.

Os principais personagens do livro são:

  • Hercule Poirot: o famoso detetive belga, que está de férias no Egito e se depara com o assassinato de Linnet Ridgeway. Ele usa seu método de raciocínio dedutivo e sua observação dos detalhes para desvendar o mistério. Ele é um homem elegante, refinado, vaidoso e astuto, que não se deixa enganar pelas aparências.
  • Linnet Ridgeway: a vítima do crime. Ela é uma jovem herdeira que possui uma fortuna incalculável, uma beleza estonteante e um talento para os negócios. Ela se casa com Simon Doyle, o ex-noivo de sua melhor amiga, Jacqueline de Bellefort, despertando a ira e a inveja desta. Ela é uma mulher confiante, orgulhosa, generosa e ambiciosa, que parece ter tudo na vida, mas também tem inimigos.
  • Simon Doyle: o marido de Linnet e o ex-noivo de Jacqueline. Ele é um homem atraente, charmoso e simpático, que trabalhava como administrador de uma propriedade rural. Ele se apaixona por Linnet e rompe seu noivado com Jacqueline, seguindo sua esposa em uma viagem de lua de mel pelo Egito. Ele é um homem leal, sincero, apaixonado e impulsivo, que se torna um dos principais suspeitos do crime.
  • Jacqueline de Bellefort: a ex-noiva de Simon e a melhor amiga de Linnet. Ela é uma mulher bonita, inteligente e sofisticada, que trabalha como designer de interiores. Ela fica arrasada quando Simon a troca por Linnet e decide persegui-los pelo Egito, ameaçando matá-los. Ela é uma mulher ciumenta, obsessiva, vingativa e dramática, que parece ser a culpada óbvia do assassinato.

Algumas citações marcantes do livro são:

  • "A morte é sempre a mesma, mas cada homem morre de um jeito diferente." (Poirot)
  • "O amor é uma coisa estranha. Não é a soma de nossas emoções. É uma intensidade que consome tudo." (Jacqueline)
  • "O dinheiro é o único amigo com o qual uma mulher pode contar." (Linnet)
  • "As pessoas concebem uma teoria e querem que tudo se encaixe. Se um pequeno fato não se encaixa, a teoria é abandonada." (Poirot)

O livro se passa no período entre as duas guerras mundiais, uma época de mudanças políticas, sociais e culturais no mundo. O Egito, em especial, era um destino turístico muito procurado pelos europeus e americanos, que buscavam conhecer sua história milenar, sua arte e sua religião. O livro retrata o contraste entre a riqueza e a pobreza, a tradição e a modernidade, o oriente e o ocidente, que se manifestam no cenário egípcio.

A simbologia do livro está relacionada ao rio Nilo, que é o elemento central da trama. O Nilo representa a vida e a morte, a fertilidade e a aridez, a beleza e o perigo, que se alternam ao longo do curso do rio. O Nilo também é um símbolo da mitologia egípcia, que está presente nas referências aos deuses, aos templos, às múmias e aos rituais funerários. O Nilo é o palco onde se desenrola o drama dos personagens, que são levados a enfrentar seus destinos e seus segredos.

A importância e a relevância cultural do livro se devem ao fato de ser uma das obras mais populares e aclamadas de Agatha Christie, considerada a rainha do romance policial. O livro é um clássico do gênero, que influenciou e inspirou diversos autores e adaptações posteriores. O livro também é um exemplo da habilidade de Christie em criar tramas complexas, personagens interessantes, diálogos inteligentes e soluções surpreendentes, que desafiam e encantam os leitores.

A biografia de Agatha Christie é a seguinte:

Agatha Mary Clarissa Christie nasceu em 15 de setembro de 1890, em Torquay, na Inglaterra. Ela era filha de um rico corretor de bolsa americano e de uma inglesa. Ela teve uma educação doméstica, com professores particulares, e aprendeu a ler e a escrever sozinha. Ela era uma leitora voraz, que se interessava por literatura, história e arqueologia. Ela começou a escrever histórias e poemas desde cedo, mas só publicou seu primeiro livro, O Misterioso Caso de Styles, em 1920, após um desafio de sua irmã. Nesse livro, ela apresentou seu famoso personagem, o detetive Hercule Poirot. Em 1914, ela se casou com o coronel Archibald Christie, com quem teve uma filha, Rosalind. Durante a Primeira Guerra Mundial, ela trabalhou como enfermeira e farmacêutica, o que lhe deu conhecimento sobre venenos, que usaria em seus livros. Em 1926, ela viveu um episódio misterioso, quando desapareceu por 11 dias, após descobrir a traição de seu marido. Ela foi encontrada em um hotel, sob um nome falso, e alegou ter sofrido uma perda de memória. Ela se divorciou de seu marido em 1928 e, no ano seguinte, se casou com o arqueólogo Max Mallowan, com quem viajou pelo Oriente Médio, onde se inspirou para escrever vários livros, como Morte no Nilo, Morte na Mesopotâmia e Assassinato no Expresso do Oriente. Ela também escreveu sob o pseudônimo de Mary Westmacott, romances de cunho psicológico e sentimental. Ela escreveu mais de 80 livros, entre romances policiais, contos, peças de teatro e autobiografias. Ela é a autora mais traduzida e mais vendida da história, com mais de 4 bilhões de cópias. Ela recebeu diversos prêmios e honrarias, como o título de Dama do Império Britânico, em 1971. Ela morreu em 12 de janeiro de 1976, em Wallingford, na Inglaterra, aos 85 anos, de causas naturais.

Morte no Nilo é um livro que prende a atenção do leitor do início ao fim, com uma história envolvente, cheia de suspense, mistério e emoção. Agatha Christie mostra sua maestria em criar um enredo bem elaborado, com personagens bem desenvolvidos, que revelam suas personalidades, seus conflitos e seus segredos ao longo da narrativa. O livro também é uma viagem pelo Egito, com suas paisagens deslumbrantes, sua cultura fascinante e sua história milenar. O livro é um desafio para a mente do leitor, que tenta acompanhar o raciocínio de Poirot e descobrir o culpado pelo crime. O livro é uma obra-prima da literatura policial, que merece ser l

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