[RESENHA #829] Morte na rua Hickory, de Agatha Christie

Três erros de ortografia em uma única carta! Hercule Poirot fica estarrecido ao ver que sua normalmente impecável secretária, a srta. Felicity Lemon, se distraiu a ponto de deixar passar tais falhas. Quando ela lhe revela estar preocupada com sua irmã, que está enfrentado casos de roubo no albergue de estudantes onde trabalha, o detetive concorda em ajudar. Aparentemente, trata-se de um simples caso de cleptomania... mas logo um cadáver é encontrado, e Poirot percebe que crimes simples não existem. Em Morte na rua Hickory, publicado originalmente em 1955, Agatha Christie misturou doses perfeitas de suspense e humor, resultando num livro que o leitor não conseguirá largar.

RESENHA

Morte na rua Hickory é um romance policial da famosa escritora britânica Agatha Christie, publicado em 1955. O livro faz parte da série protagonizada pelo detetive belga Hercule Poirot, um dos personagens mais célebres da literatura de mistério.

O enredo do livro gira em torno de uma série de incidentes estranhos que ocorrem em uma pensão estudantil na Hickory Road, em Londres. Poirot é chamado para investigar o caso a pedido de sua secretária, Felicity Lemon, cuja irmã é a diretora da pensão. Entre os itens roubados ou vandalizados estão um estetoscópio, algumas lâmpadas, um anel de diamante, uma mochila cortada e um pouco de pó bórico. Poirot logo descobre que há muito mais do que simples cleptomania por trás desses fatos, e que um assassino está à solta na pensão.

O livro é um exemplo do estilo de Agatha Christie, que combina suspense, humor, pistas falsas, personagens variados e uma solução surpreendente. A autora cria um cenário típico da época em que escreveu, retratando a vida dos estudantes estrangeiros em Londres no pós-guerra, com suas diferentes nacionalidades, culturas e ideologias. Além disso, ela explora temas como o racismo, o comunismo, o tráfico de drogas e a espionagem, que eram relevantes naquele contexto histórico.

Os principais personagens do livro são Hercule Poirot, o astuto e vaidoso detetive que usa seu “poder das células cinzentas” para resolver os crimes; Felicity Lemon, a eficiente e discreta secretária de Poirot, que se mostra preocupada com a situação de sua irmã; Mrs. Hubbard, a diretora da pensão, que tenta manter a ordem e a harmonia entre os hóspedes; Celia Austin, a estudante de enfermagem que confessa alguns dos roubos, mas é encontrada morta logo depois; Colin McNabb, o estudante de psicologia que se envolve com Celia; e os demais moradores da pensão, que são suspeitos em potencial.

O livro contém várias citações marcantes, que revelam a personalidade e o pensamento dos personagens. Por exemplo, quando Poirot diz: “Não há nada de tão enganador como um facto óbvio”, ele mostra sua capacidade de ver além das aparências e de questionar as evidências. Ou quando Mrs. Hubbard diz: “Não há nada de errado com os estrangeiros. São pessoas como nós. Só que falam de maneira diferente”, ela expressa sua tolerância e seu respeito pela diversidade.

O livro também apresenta alguns elementos simbólicos, que contribuem para a atmosfera e o significado da obra. Por exemplo, o título do livro faz referência a uma cantiga infantil inglesa, que diz: “Hickory dickory dock, the mouse ran up the clock”. Essa cantiga sugere a ideia de tempo, que é importante para o desenrolar da trama, pois os crimes ocorrem em horários específicos e têm relação com um relógio. Além disso, a cantiga também remete à ideia de rato, que pode ser uma metáfora para o assassino, que se esconde e se aproveita dos outros.

O livro tem uma grande importância e relevância cultural, pois é uma das obras mais populares e aclamadas de Agatha Christie, que é considerada a “Rainha do Crime” e uma das autoras mais vendidas de todos os tempos. O livro também faz parte da história da literatura policial, que é um gênero que desperta o interesse e a curiosidade dos leitores, que se envolvem na busca pelo culpado e na compreensão dos motivos e das circunstâncias dos crimes.

Agatha Christie nasceu em 1890, na Inglaterra, e morreu em 1976, aos 85 anos. Ela escreveu mais de 80 livros, entre romances, contos e peças de teatro, além de algumas obras sob pseudônimos. Ela criou personagens memoráveis, como Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, entre outros. Ela também foi uma mulher à frente de seu tempo, que viajou pelo mundo, trabalhou como enfermeira e farmacêutica, e se divorciou e casou novamente. Ela recebeu vários prêmios.

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