[RESENHA #828] Depois do funeral, de Agatha Christie

Até então, a súbita morte do abastado Richard Abernethie não parecia nada além de natural para um homem da idade dele. Ainda assim, uma pessoa permanece desconfiada: Cora Lansquenet, sua irmã.

Certa de que Richard foi assassinado, a mulher expõe a suspeita durante a leitura do testamento, logo depois do funeral. Mas por que ela esperou até aquele momento?Apesar de nenhum dos demais familiares acreditarem na ocorrência de um crime, quando Cora é assassinada a machadadas, a única escolha da família é investigar ambas as mortes.

Por sorte, o advogado responsável pelo testamento de Richard, Mr. Entwhistle, conhece alguém perfeito para solucionar este estranho caso: o detetive Hercule Poirot.

RESENHA

Depois do funeral é um romance policial da renomada escritora britânica Agatha Christie, publicado em 1953. A obra faz parte da série de livros protagonizados pelo detetive belga Hercule Poirot, um dos personagens mais famosos e carismáticos da literatura de mistério.

A trama se inicia com a morte do rico Richard Abernethie, que deixa uma grande fortuna para seus familiares. Durante a leitura do testamento, sua irmã Cora Lansquenet surpreende a todos ao afirmar que ele foi assassinado. Ninguém leva a sério sua declaração, até que ela própria é encontrada morta a machadadas em sua casa. O advogado da família, Mr. Entwhistle, decide então recorrer ao seu velho amigo Hercule Poirot para investigar os dois crimes e descobrir se há um assassino entre os herdeiros.

O livro é um exemplo do estilo de Agatha Christie, que combina uma trama bem elaborada, com pistas falsas, reviravoltas e um final surpreendente, com um humor sutil, uma crítica social e uma análise psicológica dos personagens. A autora explora temas como a ganância, a inveja, a hipocrisia e a decadência da aristocracia inglesa no pós-guerra. Além disso, ela cria um retrato fiel da época em que viveu, com referências à escassez e ao racionamento de alimentos, à mudança de costumes e à emancipação das mulheres.

Os principais personagens do livro são os membros da família Abernethie, cada um com suas peculiaridades, motivações e segredos. Entre eles, destacam-se a excêntrica Cora, que se dedica à pintura e vive isolada em uma casa de campo; o ambicioso George, que administra a empresa do tio e almeja o poder; a elegante Helen, que se casou com um jovem grego de origem duvidosa; o bondoso Timothy, que sofre de uma doença crônica e vive sob os cuidados da esposa Maude; a solteirona Susan, que sonha em ter uma vida mais glamourosa; e o simpático Michael, que se apaixona por Susan e se torna o principal suspeito do assassinato de Cora.

O livro também conta com personagens secundários que contribuem para o desenvolvimento da história, como o fiel Mr. Entwhistle, que auxilia Poirot nas investigações; a astuta Miss Gilchrist, que era a acompanhante de Cora e testemunhou sua morte; o misterioso Mr. Goby, que fornece informações confidenciais para Poirot; e a enigmática Mrs. Leo, que é a guardiã da mansão dos Abernethie e sabe mais do que aparenta.

O livro é repleto de ensinamentos e citações que revelam a sagacidade e a perspicácia de Poirot, bem como a ironia e a inteligência de Agatha Christie. Algumas das frases mais marcantes são:

  • “As pessoas são muito curiosas. Elas sempre querem saber o que aconteceu depois do funeral.” (Cora Lansquenet, capítulo 1)
  • “Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio.” (Hercule Poirot, capítulo 5)
  • “O dinheiro é uma coisa muito perigosa. Ele pode trazer o melhor e o pior das pessoas.” (Mr. Entwhistle, capítulo 6)
  • “A verdade é sempre mais estranha do que a ficção.” (Hercule Poirot, capítulo 13)
  • “Não há nada como um bom choque para fazer as pessoas falarem.” (Hercule Poirot, capítulo 15)

O livro também possui uma simbologia que se relaciona com o tema central da obra: a morte. Alguns dos símbolos são:

  • A árvore genealógica dos Abernethie, que representa a linhagem e a herança da família, mas também a sua extinção e o seu declínio.
  • A pintura de Cora, que retrata uma cena de um funeral, mas também esconde uma pista crucial para a solução do mistério.
  • O machado, que é a arma usada para matar Cora, mas também um símbolo de violência, destruição e vingança.

O livro tem uma grande importância e relevância cultural, pois é uma das obras mais aclamadas e populares de Agatha Christie, considerada a rainha do crime e uma das escritoras mais lidas e traduzidas do mundo. O livro também foi adaptado para o cinema, em 1963, com o título Murder at the Gallop, estrelado por Margaret Rutherford como Miss Marple, outra famosa personagem da autora; e para a televisão, em 2006, com o título After the Funeral, integrando a série Poirot, com David Suchet no papel principal.

A autora, Agatha Christie, nasceu em 1890, em Torquay, na Inglaterra, e morreu em 1976, em Wallingford, na Inglaterra. Ela escreveu mais de 80 livros, entre romances policiais, contos, peças de teatro e obras de não ficção. Ela criou personagens memoráveis, como Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, e o casal Beresford. Ela também usou o pseudônimo de Mary Westmacott para escrever romances de cunho psicológico. Ela foi casada duas vezes, com o coronel Archibald Christie e com o arqueólogo Max Mallowan, e viajou pelo mundo, tendo visitado lugares como o Egito, a Mesopotâmia, a Turquia e o Iraque. Ela recebeu diversos prêmios e honrarias, como o título de Dama do Império Britânico, o Grand Master Award da Mystery Writers of America e o Anthony Award de melhor escritora de todos os tempos.

Em conclusão, Depois do funeral é um livro que merece ser lido por todos os fãs de literatura policial, pois oferece uma história envolvente, com personagens cativantes, um enredo intrigante e um desfecho surpreendente. É uma obra que mostra o talento e a genialidade de Agatha Christie, que soube criar um universo fascinante e imortal, que encanta e desafia os leitores até hoje.

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