[RESENHA #827] É fácil matar, de Agatha Christie

O policial Luke Fitzwilliam retorna à Grã-Bretanha depois de anos servindo no Oriente Médio para uma longa estadia. Em seu caminho para Londres, ele cruza com uma mulher que afirma ter um serial killer atuando em seu pequeno vilarejo, Wychwood. De início, Fitzwilliam não acredita nas declarações de Miss Pinkerton, mas, quando recebe a notícia de que sua companheira de viagem foi encontrada morta, decide dar uma chance à investigação. Então, o corpo de uma quarta vítima aparece, e todas as mortes parecem um acidente. Mas, como Fitzwilliam descobrirá, em Wychwood, nada é como parece… 

RESENHA

É fácil matar é um romance policial da escritora inglesa Agatha Christie, publicado em 1939. A obra é considerada uma das mais surpreendentes e originais da autora, que combina romance e suspense numa trama cheia de reviravoltas e mistérios.

O livro conta a história de Luke Fitzwilliam, um ex-policial que retorna à Inglaterra depois de uma longa ausência no exterior. No trem, ele conhece uma velha senhora chamada Miss Fullerton, que lhe confidencia que está indo a Londres para denunciar um assassino em série que está agindo em seu vilarejo, Wychwood-under-Ashe. Ela diz que já sabe a identidade do criminoso e o nome da próxima vítima, mas não revela esses detalhes a Luke, que acha que ela está delirando. No entanto, ao chegar à capital, ele descobre que Miss Fullerton foi atropelada por um carro e que a pessoa que ela mencionou como a próxima vítima realmente morreu. Intrigado, ele decide ir até Wychwood para investigar o caso e se depara com uma série de mortes aparentemente acidentais, mas que podem estar ligadas a um plano diabólico.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela sua habilidade em criar enredos complexos e engenhosos, que desafiam a inteligência do leitor e o surpreendem com soluções inesperadas. A autora também se destaca pela sua capacidade de retratar os costumes e a psicologia da sociedade inglesa da época, com um toque de humor e ironia. Em É fácil matar, ela explora o contraste entre a aparência pacata e idílica de um vilarejo rural e a presença de um mal oculto e perturbador, que pode estar em qualquer lugar e em qualquer pessoa. Ela também aborda temas como a ambição, a inveja, o amor, a vingança e a justiça.

Os principais personagens do livro são:

  • Luke Fitzwilliam: o protagonista e narrador da história, um ex-policial que se envolve na investigação dos crimes de Wychwood. Ele é um homem inteligente, corajoso e charmoso, que se apaixona por uma das suspeitas do caso.
  • Miss Fullerton: a velha senhora que revela a Luke a existência de um assassino em série em Wychwood. Ela é uma solteirona sagaz e perspicaz, que descobre a identidade do criminoso graças ao seu talento psicológico.
  • Bridget Conway: a sobrinha de Miss Fullerton, que herda a sua casa em Wychwood. Ela é uma jovem bonita, simpática e independente, que se torna o interesse amoroso de Luke. Ela também é uma das suspeitas do caso, pois pode ter motivos para matar alguns dos seus parentes.
  • Lord Whitfield: o homem mais rico e influente de Wychwood, que tem planos de modernizar e urbanizar o vilarejo. Ele é um magnata arrogante, autoritário e manipulador, que tem muitos inimigos e admiradores. Ele é o principal alvo do assassino, segundo Miss Fullerton.
  • Dr. Thomas: o médico de Wychwood, que atesta as causas das mortes ocorridas no vilarejo. Ele é um homem bondoso, respeitado e confiável, que tem uma relação de amizade com Luke. Ele também é um dos suspeitos do caso, pois pode ter falsificado os atestados de óbito.
  • Honoria Waynflete: a bibliotecária de Wychwood, que ajuda Luke a pesquisar sobre a história e os habitantes do vilarejo. Ela é uma mulher culta, discreta e misteriosa, que guarda um segredo do passado. Ela também é uma das suspeitas do caso, pois pode ter acesso a informações privilegiadas.

O livro traz alguns ensinamentos para o leitor, como:

  • A importância de não julgar as pessoas pela aparência ou pelo status social, pois elas podem esconder segredos e intenções que não condizem com a sua imagem pública.
  • A necessidade de questionar as evidências e as versões oficiais dos fatos, pois elas podem ser manipuladas ou distorcidas para encobrir a verdade.
  • A dificuldade de distinguir entre o bem e o mal, pois eles podem se misturar e se confundir nas ações e nas motivações dos personagens.

Algumas citações marcantes do livro são:

  • "É fácil matar, meu caro. É muito fácil matar." (Miss Fullerton, capítulo 1)
  • "A verdade é que as pessoas não querem acreditar em coisas ruins. Elas preferem pensar que tudo está bem, que o mundo é um lugar seguro e agradável." (Luke, capítulo 5)
  • "O assassino é sempre o que você menos espera." (Dr. Thomas, capítulo 9)
  • "Não há nada mais perigoso do que um homem que se julga acima da lei." (Lord Whitfield, capítulo 12)
  • "O amor é a única coisa que pode justificar o crime." (Bridget, capítulo 15)

O livro se passa na Inglaterra do final da década de 1930, um período marcado pela ascensão do nazismo na Alemanha, pela iminência da Segunda Guerra Mundial e pela crise econômica e social na Europa. O livro reflete esse contexto histórico ao mostrar o contraste entre a tranquilidade e a tradição do campo e a agitação e a modernidade da cidade, bem como ao retratar os conflitos e as tensões entre as classes sociais e as gerações.

O livro utiliza alguns símbolos para representar os temas e os personagens da história, como:

  • O trem: o meio de transporte que leva Luke de Londres a Wychwood e que simboliza a sua jornada de descoberta e aventura, bem como a sua transição entre dois mundos diferentes.
  • A casa de Miss Fullerton: o local onde Luke se hospeda em Wychwood e que simboliza o seu envolvimento com o caso e com Bridget, bem como o seu isolamento e a sua vulnerabilidade.
  • O livro de contos de fadas: o objeto que Luke encontra na biblioteca e que simboliza a sua curiosidade e a sua imaginação, bem como a sua conexão com Honoria e com o passado.
  • O relógio de sol: o monumento que fica no centro da praça de Wychwood e que simboliza o tempo e o destino, bem como o mistério e o perigo.

O livro tem uma grande importância e relevância cultural, pois é uma das obras mais aclamadas e admiradas de Agatha Christie, que é considerada a maior escritora de romances policiais de todos os tempos. O livro também é um exemplo de como a literatura pode entreter, educar e emocionar o leitor, ao mesmo tempo em que o faz pensar e refletir sobre a realidade e a sociedade.

Postar um comentário

Comentários