[RESENHA #826] Tragédia em três atos, de Agatha Christie

Na bucólica casa de praia do famoso ator Sir Charles Cartwright, um jantar entre amigos toma um rumo surpreendente. Entre os convidados, um homenzinho de bigode e olhar perspicaz chamado Hercule Poirot... A possibilidade de um assassinato paira no ar e assusta os demais convivas – entre os quais, o sr. Satterthwaite, amigo de longa data que convencerá o detetive belga a embarcar em uma investigação minuciosa. Poirot precisará usar toda a sua habilidade para desvendar o mais desconcertante mistério envolvendo um crime: a falta de um motivo.

RESENHA

Tragédia em Três Atos é um romance policial da renomada escritora britânica Agatha Christie, publicado em 1935. A obra conta com a participação do famoso detetive belga Hercule Poirot, que se une a um trio de detetives amadores para desvendar uma série de assassinatos por envenenamento, ocorridos durante festas da alta sociedade.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela construção de enredos complexos e surpreendentes, que desafiam a inteligência e a intuição do leitor. A autora também se destaca pela criação de personagens carismáticos e bem delineados, que representam diferentes tipos e classes sociais da época. Em Tragédia em Três Atos, Christie explora os temas da vaidade, da ambição, do amor e da justiça, através de diálogos ágeis e irônicos, que revelam as personalidades e os conflitos dos personagens.

Os principais personagens do livro são:

  • Sir Charles Cartwright: um ator de teatro famoso e rico, que se apaixona por uma jovem chamada Egg e se envolve na investigação dos crimes, motivado pela curiosidade e pelo senso de aventura.
  • Mr. Satterthwaite: um cavalheiro idoso e refinado, que é amigo de Sir Charles e de Hercule Poirot. Ele tem um grande interesse pela vida humana e pelas artes, e usa sua observação e sua experiência para ajudar na solução do mistério.
  • Miss Hermione Lytton Gore: uma moça simpática e inteligente, apelidada de Egg, que é filha de um político influente. Ela se torna noiva de Sir Charles e o acompanha nas investigações, demonstrando coragem e sagacidade.
  • Hercule Poirot: o famoso detetive belga, que é convidado para a primeira festa onde ocorre um assassinato, mas só se envolve no caso mais tarde, quando é procurado por Sir Charles. Ele usa seu método de raciocínio dedutivo e sua psicologia para desmascarar o criminoso.

O livro se passa na Inglaterra dos anos 1930, um período marcado pela crise econômica, pela ascensão dos regimes totalitários e pela iminência da Segunda Guerra Mundial. A obra retrata o contraste entre a vida luxuosa e despreocupada da elite e a situação difícil da maioria da população. A autora também faz referências à cultura e à política da época, como o cinema, o teatro, a medicina, a religião e o colonialismo.

Algumas citações marcantes do livro são:

  • “O crime é um drama, e o drama é uma arte.” (Sir Charles Cartwright, capítulo 2)
  • “A verdade é que a vida é muito mais interessante do que qualquer obra de ficção.” (Mr. Satterthwaite, capítulo 3)
  • “Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio.” (Hercule Poirot, capítulo 13)
  • “O amor é uma coisa muito perigosa. Pode fazer as pessoas fazerem coisas muito estranhas.” (Miss Milray, capítulo 18)

A simbologia do livro está relacionada à ideia de que o crime é uma forma de arte, que segue uma estrutura dramática e que exige um público e um crítico. O título do livro remete à divisão clássica das peças teatrais em três atos, que correspondem aos três assassinatos cometidos pelo vilão. O livro também faz alusão à tragédia grega, que envolve personagens nobres que sofrem por causa de um destino cruel ou de uma falha moral. O livro sugere que o assassino é movido por uma ambição desmedida, que o leva a cometer atos hediondos para alcançar seus objetivos.

A importância e a relevância cultural do livro se devem ao fato de que ele é uma das obras mais originais e bem elaboradas de Agatha Christie, que é considerada a rainha do romance policial e uma das escritoras mais lidas e traduzidas do mundo. O livro também é um exemplo de como a literatura pode refletir e criticar a sociedade e a história de uma época, além de entreter e educar o leitor.

Agatha Christie nasceu em 1890, na Inglaterra, e morreu em 1976, aos 85 anos. Ela escreveu mais de 80 livros, entre romances, contos e peças de teatro, que venderam mais de dois bilhões de cópias. Ela criou personagens famosos, como Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, e o casal Beresford. Ela também escreveu sob o pseudônimo de Mary Westmacott, romances de cunho psicológico. Ela foi casada duas vezes, teve uma filha e viajou pelo mundo. Ela recebeu diversos prêmios e honrarias, e foi nomeada Dama do Império Britânico em 1971.

Em conclusão, Tragédia em Três Atos é um livro que merece ser lido por todos os fãs de literatura policial e de Agatha Christie, pois é uma obra que combina suspense, humor, romance e mistério, com uma trama bem construída e um desfecho surpreendente. O livro também é uma oportunidade de conhecer melhor a cultura e a história da Inglaterra dos anos 1930, e de apreciar o talento e a criatividade de uma das maiores escritoras de todos os tempos.

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