[RESENHA #825] Três ratos cegos, de Agatha Christie

Uma nevasca prende um grupo de desconhecidos no isolado Solar Monkswell junto com um assassino psicótico; Hercule Poirot tenta desesperadamente salvar uma criança sequestrada; Miss Marple tenta proteger os herdeiros de um homem recém-falecido de um desastre iminente; e Mr. Harley Quin persegue um assassino ardiloso.Unindo um de seus contos mais famosos com mistérios dos detetives mais queridos da autora, Três ratos cegos e outros contos traz uma Agatha Christie em ápice inventivo.

RESENHA

Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias é uma coletânea de contos policiais da renomada escritora britânica Agatha Christie, publicada originalmente em 1950 nos Estados Unidos. O livro reúne nove histórias que envolvem mistério, suspense e surpresa, com personagens marcantes como Miss Marple, Hercule Poirot e outros detetives criados pela autora.

O estilo de Agatha Christie é caracterizado pela sua habilidade em criar enredos complexos e intrigantes, com pistas falsas, reviravoltas e soluções inesperadas. A autora também se destaca pela sua capacidade de retratar a psicologia humana, explorando os motivos e as emoções dos personagens envolvidos nos crimes. Além disso, Agatha Christie utiliza elementos do humor, da ironia e da crítica social em suas obras, tornando-as mais divertidas e interessantes.

O conto que dá nome ao livro, Os Três Ratos Cegos, foi inspirado em uma canção infantil que esconde um sentido macabro. A história se passa em uma hospedaria isolada pela neve, onde um grupo de pessoas fica preso e incomunicável. O problema é que há um assassino à solta, que segue o padrão da cantiga dos três ratos cegos de cauda cortada. O conto foi adaptado para o teatro, dando origem à peça A Ratoeira, que é um sucesso há mais de 50 anos em Londres.

As outras histórias do livro são:

- Estranha Charada: um casal tenta encontrar a fortuna deixada por um tio-avô, mas não consegue decifrar o enigma. Eles recorrem à bondosa velhinha Miss Marple, que os ajuda a encontrar o local da herança.

- O Crime da Fita Métrica: uma mulher é assassinada e as suspeitas recaem sobre o seu marido, que iria ganhar um bom dinheiro com o seu seguro de vida. Miss Marple é envolvida no caso, tendo que desvendar o mistério.

- O Caso da Empregada Perfeita: uma empregada é despedida após o desaparecimento de um broche, e pede a ajuda de Miss Marple para provar a sua inocência. A velhinha descobre que há algo estranho na casa dos patrões da empregada.

- O Episódio da Caseira: Miss Marple está se recuperando de uma gripe, quando o seu médico lhe conta uma história de um assassinato e pede a sua opinião. A velhinha resolve o problema com a sua astúcia.

- Os Detetives do Amor: o Sr. Satterthwaite e o coronel Melrose investigam a morte de Sir James Dwighton, encontrado morto em sua biblioteca. Eles contam com a ajuda de um misterioso personagem chamado Mr. Quin, que parece ter uma conexão especial com o caso.

- O Sinal Vermelho: durante uma sessão espírita, um espírito avisa aos participantes para não voltarem para casa, pois alguém irá morrer. A polícia é chamada, e descobre que o crime não foi cometido por nenhum espírito, mas por um ser humano.

- O Quarto Homem: um advogado, um padre e um médico ficam na mesma cabine de um trem, e discutem sobre uma menina que tinha quatro personalidades. Eles percebem a presença de um quarto homem na cabine, que conheceu a tal menina, e que revela uma história surpreendente sobre ela.

- O Rádio: uma senhora começa a receber mensagens de seu marido morto enquanto ouve a programação da rádio. Na verdade, um assassino está agindo, e por pouco não consegue o seu objetivo.

Os contos do livro trazem alguns ensinamentos, como a importância da observação, da lógica e da intuição para resolver os problemas; a necessidade de se questionar as aparências e os preconceitos; a influência do passado e do inconsciente nas ações humanas; e a presença do mal e da loucura em situações cotidianas.


Algumas citações marcantes do livro são:

- "Não há nada como uma boa nevasca para criar uma atmosfera de mistério e terror." (Os Três Ratos Cegos)

- "Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio." (Estranha Charada)

- "As pessoas são muito mais complicadas do que se pensa." (O Crime da Fita Métrica)

- "A vida é cheia de coincidências, mas há coincidências e coincidências." (O Caso da Empregada Perfeita)

- "O mal às vezes se esconde atrás de uma fachada de bondade." (O Episódio da Caseira)

- "O amor é o maior detetive do mundo." (Os Detetives do Amor)

- "Há coisas que a ciência não pode explicar." (O Sinal Vermelho)

- "A mente humana é um labirinto misterioso." (O Quarto Homem)

- "A tecnologia pode ser usada para o bem ou para o mal." (O Rádio)


O período histórico em que o livro foi escrito é o da primeira metade do século XX, marcado por grandes transformações sociais, políticas, econômicas e culturais. Agatha Christie retrata em suas obras alguns aspectos desse contexto, como as mudanças nos costumes, nas relações de gênero, na classe média, na vida rural e urbana, na medicina, na psicologia, na comunicação, na guerra, na religião, na arte, entre outros.

A simbologia do livro está relacionada aos elementos que representam os crimes, os mistérios e as pistas. Por exemplo, a neve, que isola e esconde; a canção infantil, que revela e assusta; a fita métrica, que mede e mata; o rádio, que comunica e engana; o sinal vermelho, que alerta e ameaça; o quarto homem, que observa e conta; etc.

A importância e a relevância cultural do livro estão ligadas à sua contribuição para o gênero policial, que é um dos mais populares e apreciados da literatura. Agatha Christie é considerada uma das maiores escritoras de todos os tempos, e seus livros são lidos e admirados por milhões de pessoas em todo o mundo. O livro também tem um valor histórico, pois retrata aspectos da sociedade e da cultura de uma época.

A biografia de Agatha Christie é tão interessante quanto as suas obras. Ela nasceu em 1890, na Inglaterra, e começou a escrever aos 18 anos, como um passatempo. Ela se casou duas vezes, e teve uma filha. Ela viajou muito, e conheceu vários lugares e culturas. Ela também trabalhou como enfermeira e farmacêutica durante a Primeira Guerra Mundial, e como correspondente de guerra durante a Segunda Guerra Mundial. Ela escreveu mais de 80 livros, entre romances, contos, peças, poemas e autobiografias. Ela morreu em 1976, aos 85 anos, deixando um legado de obras-primas da literatura.

A minha crítica positiva sobre o livro é que ele é um excelente exemplo da genialidade de Agatha Christie, que consegue prender a atenção do leitor do começo ao fim, com histórias bem construídas, personagens cativantes, diálogos inteligentes e finais surpreendentes. O livro é uma ótima opção para quem gosta de literatura policial, e também para quem quer conhecer melhor o trabalho da autora. Recomendo a leitura, pois é uma experiência fascinante e enriquecedora.

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