[RESENHA #819] O marinheiro, de Fernando Pessoa

Peça teatral escrita em 1915 pelo poeta português Fernando Pessoa, O marinheiro é leitura obrigatória para o Vestibular da Unicamp. E interessa também a todos os apreciadores da boa literatura. Esta edição, com introdução, comentários e notas de Marcos Lopes e Ana Maria Ferreira Côrtes, traz ao leitor dicas importantes para a compreensão do texto. Fernando Pessoa (1888-1935) é um dos maiores poetas da língua portuguesa. Sua poesia foi publicada sob vários heterônimos, dos quais se destacam Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro. Escreveu também contos, crônicas, ensaios e dramaturgia, entre outros gêneros literários. 

RESENHA

O Marinheiro é uma obra de Fernando Pessoa que se enquadra no gênero dramático, ou seja, é um texto escrito para ser representado em um palco. A peça foi publicada pela primeira vez em 1915, na revista Orpheu, que foi o marco inicial do modernismo em Portugal. O autor, que é considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, também se destacou pela criação de heterônimos, que são personalidades literárias distintas que expressam diferentes facetas de sua obra. Alguns dos seus heterônimos mais famosos são Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.

O Marinheiro é uma peça em um único ato, que se passa em um quarto de um castelo antigo, onde três donzelas velam o corpo de uma quarta donzela, vestida de branco, que morreu sem ter vivido. As personagens não têm nomes, são identificadas apenas como primeira, segunda e terceira veladora. Durante a longa noite, elas conversam sobre suas memórias, seus sonhos, suas angústias e suas dúvidas sobre a realidade e a existência. Uma delas conta que sonhou com um marinheiro que viajava pelo mundo, sem nunca ter conhecido o amor ou a pátria. Esse sonho se torna o tema central da peça, que explora as relações entre o sonho e a vida, o real e o imaginário, o ser e o não ser.

A peça é considerada um drama estático, pois não há ação nem conflito, apenas diálogos reflexivos e poéticos. O tempo é indeterminado, não há relógio no quarto, e o espaço é simbólico, representa o isolamento e a solidão das personagens. A linguagem é rica em metáforas, alusões e símbolos, que criam uma atmosfera de mistério, melancolia e transcendência. Algumas citações marcantes da peça são:

“O que é qualquer coisa? Como é que ela passa?” (Primeira veladora)

“Nada sabemos, nada somos, nada valemos.” (Segunda veladora)

“O sonho é a única realidade. O resto é só o resto.” (Terceira veladora)

“Navegar é preciso, viver não é preciso.” (Segunda veladora, citando um provérbio latino)

O Marinheiro é uma obra que revela a genialidade e a originalidade de Fernando Pessoa, que soube criar uma peça de teatro que foge dos padrões convencionais e que desafia o leitor ou o espectador a questionar os limites entre a arte e a vida, o sonho e a realidade, o eu e o outro. É uma obra que convida à reflexão, à imaginação e à sensibilidade, e que mostra a capacidade do autor de expressar as inquietações e as aspirações do homem moderno. É uma obra que merece ser lida, relida e apreciada, pois é uma das mais belas e profundas da literatura portuguesa.

Postar um comentário

Comentários