[RESENHA #812] Poesia: Ricardo Reis, de Fernando Pessoa

Ao aliar estilo clássico, rigor formal e extrema consciência do momento presente, Ricardo Reis se destaca como um dos heterônimos mais fascinantes de Fernando Pessoa.

“Tão cedo passa tudo quanto passa!/ Morre tão jovem ante os deuses quanto/ Morre! Tudo é tão pouco!/ Nada se sabe, tudo se imagina/ Circunda-te de rosas, ama, bebe/ E cala. O mais é nada”, discorre Ricardo Reis na ode número 66. Marcada por referências mitológicas, concisão verbal, dicção rebuscada e disciplina estoica, sua poesia é capaz de engendrar profundas reflexões sobre a efemeridade da condição humana.

A presente edição reúne todas as odes atribuídas a um dos heterônimos mais célebres de Fernando Pessoa, produzidas entre 1914 e 1935. O volume conta com estabelecimento de texto da especialista Manuela Parreira da Silva e posfácio inédito do poeta Paulo Henriques Britto, que joga luz sobre aspectos formais e simbólicos de uma das obras mais admiráveis do século XX.

RESENHA

O livro Poesia: Ricardo Reis, de Fernando Pessoa, é uma coletânea de poemas escritos pelo heterônimo Ricardo Reis, um dos mais famosos e influentes da obra pessoana. Ricardo Reis é um poeta neoclássico, que se inspira na cultura greco-latina e nas filosofias epicurista e estoica para compor versos que exaltam a harmonia, o equilíbrio, o prazer moderado e a aceitação do destino. Seus poemas são geralmente escritos em forma de odes, com métrica e rima regulares, e apresentam alusões mitológicas, reflexões sobre a vida e a morte, e conselhos para aproveitar o momento presente, seguindo o lema "carpe diem".

Ricardo Reis é uma das personagens literárias criadas por Fernando Pessoa, que se notabilizou por inventar diversos autores fictícios, com personalidades, estilos e biografias distintas, aos quais chamou de heterônimos. Pessoa atribuiu a Ricardo Reis uma data de nascimento (29 de janeiro de 1887) e uma profissão (médico), além de traços de sua personalidade (monárquico, conservador, pagão) e de sua vida (emigrou para o Brasil em 1919, após a implantação da República em Portugal). Pessoa também escreveu cartas e textos em prosa como Ricardo Reis, revelando aspectos de sua visão de mundo e de sua relação com os outros heterônimos, especialmente com Alberto Caeiro, considerado seu mestre.

O livro Poesia: Ricardo Reis, de Fernando Pessoa, reúne todos os poemas assinados por Ricardo Reis, desde os primeiros, publicados em revistas literárias, até os últimos, escritos pouco antes da morte de Pessoa, em 1935. Alguns dos poemas mais conhecidos e citados de Ricardo Reis são: "Para ser grande, sê inteiro: nada / Teu exagera ou exclui. / Sê todo em cada coisa. Põe quanto és / No mínimo que fazes."; "Segue o teu destino, / Rega as tuas plantas, / Ama as tuas rosas. / O resto é a sombra / De árvores alheias."; "Cada um cumpre o destino que lhe cumpre, / E deseja o destino que deseja; / Nem cumpre o que deseja, / Nem deseja o que cumpre."; "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. / Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos / Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.".

O livro Poesia: Ricardo Reis, de Fernando Pessoa, é uma obra de grande importância e relevância cultural, pois representa uma das facetas mais originais e fascinantes da poesia portuguesa do século XX. A obra de Ricardo Reis é uma expressão da genialidade de Fernando Pessoa, que foi capaz de criar múltiplas vozes poéticas, cada uma com sua singularidade e profundidade. A obra de Ricardo Reis também é uma fonte de ensinamentos sobre a arte de viver, sobre a busca pela felicidade, sobre a aceitação da finitude e sobre a beleza da simplicidade. A obra de Ricardo Reis é, enfim, uma obra que nos convida a apreciar a poesia como uma forma de sabedoria.

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