[RESENHA #811] O guardador de rebanhos, de Fernando Pessoa


Este livro apresenta o melhor da poesia de Fernando Pessoa. Além de textos representativos do Fernando Pessoa "por ele mesmo", acrescidos de poemas inéditos, e de alguns de seus heterônimos como Álvaro de Campos e Ricardo Reis, contém o texto integral de O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, e de Mensagem, o que por si só faz desta antologia um convite irresistível para a leitura da poesia deste que foi um dos maiores poetas da língua portuguesa.

RESENHA

O livro O guardador de rebanhos, de Fernando Pessoa, é uma obra poética que revela a visão de mundo de um dos seus heterônimos, Alberto Caeiro. Caeiro é um poeta simples, que vive no campo, e que escreve sobre as coisas naturais, sem recorrer à metafísica ou à simbologia. Ele se apresenta como um pastor de ovelhas, que guarda os seus pensamentos, que são sensações. Ele valoriza o olhar, o sentir e o viver o presente, sem se preocupar com o passado ou o futuro. Ele rejeita qualquer forma de transcendência, de abstração ou de racionalização, pois considera que isso é uma doença dos olhos e da alma. Ele busca estar em harmonia com a natureza, sem lhe atribuir significados ou intenções. Ele é um poeta da realidade pura e imediata, que se expressa numa linguagem simples, direta e coloquial.

O livro é composto por 49 poemas, escritos em 1914, mas publicados apenas em 1925, após a morte de Pessoa. Cada poema é uma parte do todo, que forma um conjunto coerente e coeso. Os poemas não têm títulos, apenas números, e são escritos em versos livres, sem rima ou métrica. Os poemas são curtos, com poucas estrofes, e apresentam uma estrutura narrativa, em que o eu lírico conta as suas impressões sobre o que vê, sente e pensa. Os poemas são marcados por uma forte oralidade, com o uso de repetições, anáforas, exclamações, interrogações e reticências. Os poemas também apresentam uma grande variedade de imagens sensoriais, que evocam as cores, os sons, os cheiros, os sabores e as texturas da natureza. Alguns exemplos de citações da obra são:

“Eu nunca guardei rebanhos, / Mas é como se os guardasse.” (Poema I)

“O meu olhar é nítido como um girassol.” (Poema II)

“Pensar incomoda como andar à chuva / Quando o vento cresce e parece que chove mais.” (Poema I)

“Creio no mundo como num malmequer, / Porque o vejo. Mas não penso nele / Porque pensar é não compreender…” (Poema II)

“O que nós vemos das coisas são as coisas.” (Poema V)

“Sei ter o pasmo essencial / Que tem uma criança se, ao nascer, / Reparasse que nascera deveras…” (Poema XX)

“O mistério das coisas, onde está ele? / Não está. Como pode haver mistério das coisas?” (Poema XXVIII)

“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, / Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” (Poema XXX)

“Sou um guardador de rebanhos. / O rebanho é os meus pensamentos / E os meus pensamentos são todos sensações.” (Poema XLIX)

O livro O guardador de rebanhos pode ser inserido no contexto do modernismo, um movimento literário que surgiu no início do século XX, e que buscava romper com as tradições e as convenções da literatura clássica e romântica. O modernismo propunha uma renovação formal e temática da poesia, valorizando a liberdade, a experimentação, a originalidade, a subjetividade, a ironia, a crítica e a diversidade. O modernismo também refletia as transformações sociais, culturais, políticas e científicas que ocorriam na época, como a industrialização, a urbanização, a globalização, a guerra, a revolução, o progresso, a ciência, a psicologia, a filosofia e a arte. O modernismo se manifestou de formas diferentes em cada país, mas teve alguns expoentes universais, como James Joyce, Marcel Proust, Virginia Woolf, T.S. Eliot, Ezra Pound, Pablo Picasso, Salvador Dalí, entre outros.

Em Portugal, o modernismo teve como marco inicial a publicação da revista Orpheu, em 1915, que reuniu alguns dos principais poetas da geração modernista portuguesa, como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, entre outros. Fernando Pessoa foi o mais destacado e influente poeta desse grupo, e também o mais complexo e enigmático. Pessoa criou vários heterônimos, que eram personalidades poéticas distintas, com nomes, biografias, estilos e visões de mundo próprios. Pessoa se multiplicava em vários poetas, que dialogavam, criticavam e elogiavam uns aos outros, criando uma obra rica, diversa e contraditória. Os principais heterônimos de Pessoa foram Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Cada um deles representava uma faceta do poeta, e também uma tendência do modernismo. Caeiro era o poeta da natureza, da simplicidade, da sensação, da realidade. Reis era o poeta do classicismo, da ordem, da razão, da disciplina. Campos era o poeta do futurismo, da modernidade, da emoção, da revolta. Soares era o poeta do intimismo, da melancolia, da reflexão, da solidão.

Alberto Caeiro foi o primeiro e o mais importante heterônimo de Pessoa. Ele foi considerado o mestre dos outros heterônimos, e também do próprio Pessoa. Caeiro nasceu em Lisboa, em 1889, mas viveu quase toda a sua vida no campo, numa aldeia perto de Ribatejo. Ele era órfão de pai e mãe, e foi criado por uma tia-avó. Ele não teve educação formal, e era autodidata. Ele era loiro, de olhos azuis, e tinha uma saúde frágil. Ele morreu de tuberculose, em 1915, aos 26 anos. Ele deixou uma obra poética composta por O guardador de rebanhos, O pastor amoroso e Poemas inconjuntos. Ele se definia como um “poeta da natureza”, e se inspirava nos poetas bucólicos da Antiguidade, como Teócrito, Virgílio e Horácio. Ele também tinha afinidades com alguns poetas modernos, como Walt Whitman, William Wordsworth e Paul Verlaine. Ele era um poeta que buscava a essência das coisas, sem recorrer à metafísica ou à simbologia. Ele era um poeta que se opunha à tradição literária e filosófica ocidental, que ele considerava uma ilusão e uma alienação. Ele era um poeta que propunha uma nova forma de ver e de sentir o mundo, baseada na sensação pura e imediata, sem intermediários ou interpretações. Ele era um poeta que afirmava a sua liberdade, a sua inocência, a sua alegria e a sua harmonia com a natureza.

O livro O guardador de rebanhos é uma obra de grande importância e relevância cultural, pois representa uma das mais originais e inovadoras expressões da poesia moderna. O livro é uma obra que desafia e questiona os valores e as convenções da cultura ocidental, e que propõe uma nova forma de relação com a natureza e com a realidade. O livro é uma obra que revela a genialidade e a complexidade de Fernando Pessoa, e que mostra a sua capacidade de criar vários poetas em si mesmo. O livro é uma obra que encanta e surpreende o leitor, pela sua simplicidade, pela sua beleza, pela sua profundidade e pela sua autenticidade.

A minha crítica sobre o livro O guardador de rebanhos é positiva, pois considero que o livro é uma obra-prima da literatura portuguesa e universal. O livro é uma obra que me fascina, pela sua originalidade, pela sua coerência, pela sua força e pela sua delicadeza. O livro é uma obra que me emociona, pela sua sensibilidade, pela sua sinceridade, pela sua ternura e pela sua sabedoria. O livro é uma obra que me ensina, pela sua simplicidade, pela sua clareza, pela sua lucidez e pela sua humildade. O livro é uma obra que me faz ver e sentir o mundo de uma forma nova, mais pura, mais imediata, mais natural. O livro é uma obra que me faz pensar sobre o

Postar um comentário

Comentários