[RESENHA #794] A noite das bruxas, de Agatha Christie

Era a vez da viúva Rowena Drake ser a anfitriã da tradicional festa de Halloween do vilarejo. Durante os preparativos, Joyce, uma irrequieta menina de treze anos, gaba-se por já ter testemunhado um assassinato. Ninguém lhe dá ouvidos e tudo transcorre bem em meio a brincadeiras do dia das bruxas, até que um crime interrompe a diversão. Hercule Poirot prepara-se para uma noite entediante quando é surpreendido por uma ligação aflita de sua velha amiga e escritora de livros policiais Ariadne Oliver, convicta de que só ele poderia desvendar esse mistério antes que um novo crime aconteça... Publicado em 1969, A noite das bruxas é um romance da maturidade de Agatha Christie e uma das últimas obras escritas pela Rainha do Crime.

RESENHA

A Noite das Bruxas é um livro de Agatha Christie, publicado em 1969, que traz mais um caso do famoso detetive belga Hercule Poirot. O livro é um exemplo do estilo da autora, que combina mistério, suspense, humor e uma trama bem construída, com pistas falsas, reviravoltas e um final surpreendente.

O livro começa com uma festa de Halloween organizada pela escritora de romances policiais Ariadne Oliver, amiga de Poirot. Durante a festa, uma menina chamada Joyce Reynolds afirma ter testemunhado um assassinato, mas ninguém acredita nela, pois ela tem fama de mentirosa. Pouco depois, Joyce é encontrada morta, afogada em uma bacia de água com maçãs. Ariadne Oliver pede a ajuda de Poirot para investigar o caso, e ele aceita o desafio.

Poirot descobre que a vítima morava em uma casa que era assombrada por fantasmas de crianças que morreram de peste, e que sua mãe, Rowena Drake, era uma mulher fria e controladora, que não queria que ela se casasse. Ele também descobre que há vários suspeitos, como o médico Leslie Ferrier, que sofria de estresse pós-traumático; a médium Joyce Reynolds, que conduziu uma sessão espírita na noite do crime; o jardineiro Michael Garfield, que cultivava flores venenosas; e o noivo de Joyce, David Baker, que tinha um passado obscuro.

Poirot usa sua inteligência e sua observação para desvendar o mistério, e revela que o assassino é Rowena Drake, que matou a própria filha por ciúme, e depois matou o médico e a médium, que sabiam demais. Ela usou o mel envenenado das abelhas de Garfield para enlouquecer Joyce, e depois a afogou na bacia. Ela também usou uma armadilha para fazer o médico se esfaquear, e uma faca escondida em uma maçã para matar a médium. Ela tentou incriminar Baker, mas Poirot descobriu a verdade e a confrontou.

O livro é uma obra que mostra a habilidade de Agatha Christie em criar histórias envolventes e intrigantes, que prendem a atenção do leitor até o final. A autora usa elementos como o Halloween, os fantasmas, as bruxas e as maçãs para criar uma atmosfera de terror e mistério, que contrasta com o humor e a ironia de alguns personagens, como Ariadne Oliver e Poirot. O livro também explora temas como a loucura, o ciúme, a vingança e a culpa, que motivam os crimes e as reações dos personagens.

Algumas citações marcantes do livro são:

  • “O mal está em toda parte sob o sol” (Poirot, capítulo 1).
  • “As crianças podem ser muito cruéis, você sabe. Cruéis e criativas” (Rowena Drake, capítulo 2).
  • “Eu não acredito em fantasmas, mas eles me assustam” (Ariadne Oliver, capítulo 4).
  • “Eu sempre digo a verdade, mesmo quando eu minto” (Joyce Reynolds, capítulo 5).
  • “Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio” (Poirot, capítulo 17).

O livro se passa na Inglaterra do final dos anos 1960, um período de mudanças sociais, culturais e políticas, que influenciaram a obra de Agatha Christie. A autora reflete sobre o papel da mulher, a violência, a guerra, a religião e a ciência, através de seus personagens e de suas opiniões. Ela também faz referências a outros autores e obras, como Shakespeare, Edgar Allan Poe, Arthur Conan Doyle e Lewis Carroll.

Agatha Christie foi uma das escritoras mais famosas e populares do mundo, com mais de 80 livros publicados, entre romances policiais, contos, peças de teatro e autobiografias. Ela nasceu em 1890, na Inglaterra, e começou a escrever aos 18 anos, inspirada por sua mãe. Ela criou personagens icônicos, como Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, e o casal Beresford. Ela também viajou pelo mundo, e usou suas experiências em suas histórias. Ela morreu em 1976, aos 85 anos, deixando um legado de sucesso e admiração.

A Noite das Bruxas é um livro que merece ser lido por todos os fãs de Agatha Christie e de literatura policial. É uma obra que mostra a genialidade da autora, que consegue criar um enredo complexo e fascinante, com personagens bem construídos e diálogos inteligentes. É um livro que diverte, emociona, surpreende e ensina, e que prova que Agatha Christie é, sem dúvida, a rainha do mistério.

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