[RESENHA #793] O assassinato de Roger Ackrroyd, de Agatha Christie

Em uma noite de setembro, o milionário Roger Ackroyd é encontrado morto, esfaqueado com uma adaga tunisiana – objeto raro de sua coleção particular – no quarto da mansão Fernly Park na pacata vila de King’s Abbott. A morte do fidalgo industrial é a terceira de uma misteriosa sequência de crimes, iniciada com a de Ashley Ferrars, que pode ter sido causada ou por uma ingestão acidental de soníferos ou envenenamento articulado por sua esposa – esta, aliás, completa a sequência de mortes, num provável suicídio.

RESENHA 

O assassinato de Roger Ackroyd é um dos romances policiais mais famosos e aclamados de Agatha Christie, considerada a rainha do gênero. Publicado em 1926, o livro conta com a participação do detetive belga Hercule Poirot, que se vê envolvido na investigação de um misterioso crime ocorrido na pacata vila de King’s Abbott.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela construção de enredos complexos, cheios de pistas falsas, reviravoltas e surpresas. A autora também se destaca pela criação de personagens memoráveis, como o próprio Poirot, que usa sua inteligência e sua intuição para desvendar os casos mais intrincados. Christie também explora os aspectos psicológicos e morais dos personagens, mostrando as motivações e os conflitos que os levam a cometer ou a encobrir crimes.

O livro narra a história do assassinato de Roger Ackroyd, um rico industrial que é encontrado morto em seu quarto, esfaqueado com uma adaga tunisiana de sua coleção particular. O crime acontece logo após ele receber uma carta de sua amiga, a viúva Mrs. Ferrars, que se suicidou após ser chantageada por ter matado o marido. Na carta, ela revela o nome do chantagista, mas Ackroyd não chega a ler a mensagem antes de ser morto.

Os principais suspeitos são os familiares e os empregados de Ackroyd, que tinham algum interesse em sua fortuna ou em seu segredo. Entre eles, estão sua cunhada, Mrs. Ackroyd, sua sobrinha, Flora Ackroyd, seu enteado, Ralph Paton, sua copeira, Ursula Bourne, seu secretário, Geoffrey Raymond, seu mordomo, John Parker, e sua governanta, Elizabeth Russell. Cada um deles tem algo a esconder e a perder com a morte de Ackroyd.

O narrador do livro é o Dr. James Sheppard, o médico da vila e amigo de Ackroyd, que acompanha a investigação de Poirot e registra os fatos em seu diário. Ele também é o irmão de Caroline Sheppard, uma solteirona curiosa e fofoqueira, que se interessa pelo caso e tenta ajudar Poirot com suas observações e comentários.

O livro é uma obra-prima do gênero policial, pois apresenta um desfecho surpreendente e original, que desafia as convenções e as expectativas dos leitores. A solução do mistério é tão ousada e inovadora que causou polêmica na época de sua publicação, sendo elogiada por alguns críticos e rejeitada por outros. O próprio Poirot afirma que se trata de “um dos casos mais engenhosos que já encontrei”.

O livro também traz alguns ensinamentos sobre a natureza humana, a ética e a justiça. Poirot mostra que é preciso ter uma mente aberta e flexível para analisar as evidências e as contradições, sem se deixar levar pelas aparências ou pelos preconceitos. Ele também revela que o crime é um ato que envolve paixões, emoções e razões, que nem sempre são claras ou lógicas. Além disso, ele questiona os limites da lei e da moral, ao se deparar com um dilema sobre como agir diante do culpado.

O livro contém várias citações marcantes, que mostram o humor, a ironia e a sagacidade de Poirot e de outros personagens. Algumas delas são:

  • “Nunca se preocupe com o que você diz a um homem. Eles são tão simples que não percebem nada.” (Caroline Sheppard, capítulo 1)
  • “As pessoas mais honestas são as que mais facilmente mentem.” (Hercule Poirot, capítulo 4)
  • “A verdade, por mais feia que seja em si mesma, é sempre curiosa e bela para os que a procuram.” (Hercule Poirot, capítulo 10)
  • “Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio.” (Hercule Poirot, capítulo 13)
  • “O mal não é nunca radical, apenas humano, e é um erro humano que se pode perdoar.” (Hercule Poirot, capítulo 27)

O livro se passa na década de 1920, um período marcado por transformações sociais, políticas e culturais na Europa e no mundo, após a Primeira Guerra Mundial. A obra reflete alguns aspectos desse contexto, como o contraste entre a vida rural e a urbana, a ascensão da classe média, o papel das mulheres na sociedade, o desenvolvimento da tecnologia e da comunicação, e a influência de outras culturas e costumes.

O livro também tem uma simbologia interessante, que se relaciona com o tema do crime e da mentira. A adaga tunisiana, por exemplo, é um símbolo de exotismo e de perigo, que representa a origem estrangeira e misteriosa de Poirot, e também a arma usada para matar Ackroyd. A carta de Mrs. Ferrars, por sua vez, é um símbolo de revelação e de ocultação, que contém a chave para o mistério, mas que também é manipulada e escondida pelos personagens. O diário de Sheppard, por fim, é um símbolo de narrativa e de engano, que registra os fatos do caso, mas que também omite e distorce a verdade.

O livro tem uma grande importância e relevância cultural, pois é considerado um clássico da literatura policial, que influenciou e inspirou vários outros autores e obras do gênero. O livro também é um exemplo da genialidade e da criatividade de Agatha Christie, que soube inovar e surpreender os leitores com sua trama bem elaborada e seu final inesperado.

Agatha Christie foi uma escritora britânica, nascida em 1890 e falecida em 1976, que se tornou uma das mais populares e bem-sucedidas autoras de romances policiais de todos os tempos. Ela escreveu mais de 80 livros, entre romances, contos e peças de teatro, que foram traduzidos para mais de 100 idiomas e venderam mais de dois bilhões de cópias. Ela criou personagens famosos, como Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, e o casal Beresford. Ela também foi reconhecida por sua contribuição para a cultura e para a literatura, recebendo diversos prêmios e honrarias, como o título de Dama do Império Britânico.

Em conclusão, O assassinato de Roger Ackroyd é um livro que merece ser lido e apreciado por todos os fãs de literatura policial, pois é uma obra que combina suspense, mistério, humor e inteligência, com uma história envolvente e um desfecho impressionante. É um livro que mostra o talento e a originalidade de Agatha Christie, que soube criar um dos melhores e mais polêmicos romances policiais da história.

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