[RESENHA #791] A casa torta, de Agatha Christie



Nos arredores de Londres há uma mansão com uma inusitada característica - ela é torta. É ali que o milionário octogenário Aristide Leonides mora com a esposa, cinquenta anos mais jovem, além de filhos, noras, netos e uma cunhada, irmã da primeira mulher. Quando a polícia descobre que o patriarca foi envenenado, todos os habitantes da casa se tornam suspeitos, e a discórdia passa a imperar entre os membros da família - sobretudo, olhares desconfiados recaem sobre a jovem viúva. A neta mais velha de Aristide, Sophia, junta-se ao namorado para tentar chegar ao fundo do mistério sobre a morte do avô.

RESENHA

A Casa Torta, de Agatha Christie, é um romance policial que envolve um misterioso assassinato em uma mansão habitada por uma família excêntrica. O livro foi publicado em 1949 e é considerado pela própria autora como um de seus dois trabalhos favoritos.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela construção de enredos complexos e surpreendentes, com pistas falsas, reviravoltas e revelações inesperadas. A autora também se destaca pela criação de personagens memoráveis, como os detetives Hercule Poirot e Miss Marple, que não aparecem neste livro, mas são substituídos pelo narrador Charles Hayward, um ex-diplomata que se envolve na investigação do crime por amor à sua noiva, Sophia Leonides, neta da vítima.

Os principais personagens do livro são os membros da família Leonides, que vivem na mansão torta, uma casa construída de forma irregular e que simboliza a distorção moral e psicológica dos seus habitantes. O patriarca da família, Aristide Leonides, é um milionário grego que foi envenenado com uma injeção letal de eserina, um medicamento para o coração. A principal suspeita é a sua jovem esposa, Brenda, que se casou com ele por interesse e que mantinha um caso com o tutor de um dos netos de Aristide, Laurence Brown. No entanto, outros possíveis culpados são os filhos de Aristide, Philip e Roger, que dependiam financeiramente do pai e que tinham conflitos com ele, as noras de Aristide, Magda e Clemency, que tinham ambições artísticas e intelectuais frustradas, os netos de Aristide, Sophia, Eustace e Josephine, que tinham personalidades distintas e que guardavam segredos, e a cunhada de Aristide, Edith de Haviland, que era a irmã da primeira esposa de Aristide e que cuidava da família com autoridade e dedicação.

O livro ensina que as aparências podem enganar e que nem sempre o óbvio é a verdade. A autora explora a psicologia dos personagens e mostra que cada um deles tem motivos, meios e oportunidades para cometer o crime. A solução do mistério é chocante e revela a natureza perversa e cruel do assassino, que é capaz de manipular e enganar a todos. Algumas citações do livro ilustram essa ideia:

- "Nada é o que parece ser nesta casa." (p. 35)

- "A verdade é que as pessoas são muito mais complicadas do que você pensa." (p. 64)

- "Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio." (p. 141)

O período histórico em que o livro se passa é o pós-Segunda Guerra Mundial, uma época de mudanças sociais, políticas e econômicas na Europa e no mundo. A autora retrata o contraste entre a velha e a nova geração, entre a tradição e a modernidade, entre a ordem e o caos. A família Leonides representa uma microcosmo dessa sociedade em transição, que busca se adaptar aos novos tempos e que enfrenta conflitos internos e externos.

A biografia de Agatha Christie é fascinante e inspiradora. Ela nasceu em 1890 na Inglaterra e começou a escrever histórias de mistério por diversão. Ela se casou duas vezes e teve uma filha. Ela viajou pelo mundo e conheceu diversas culturas. Ela publicou mais de 80 livros e se tornou a escritora mais vendida de todos os tempos. Ela morreu em 1976, deixando um legado literário incomparável.

A importância e a relevância cultural de A Casa Torta são inegáveis. O livro é um clássico do gênero policial e um exemplo da genialidade de Agatha Christie. O livro foi adaptado para o cinema em 2017, com um elenco de renome, como Glenn Close, Gillian Anderson e Max Irons. O livro também influenciou outros autores e obras, como o filme Os Sete Suspeitos, de 1985, dirigido por Jonathan Lynn e estrelado por Tim Curry, Madeline Kahn e Christopher Lloyd.

A crítica positiva acerca da obra é merecida e justa. A Casa Torta é um livro envolvente, inteligente e surpreendente, que prende a atenção do leitor do início ao fim. A autora demonstra sua maestria na criação de uma trama bem elaborada, com personagens bem desenvolvidos, com diálogos bem escritos e com um desfecho bem resolvido. A Casa Torta é um livro que merece ser lido e relido, pois é uma obra-prima da literatura policial.

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