[RESENHA #790] Por que não pediram a Evans?, de Agatha Christie

Após uma tacada especialmente ruim, Bobby Jones lança sua bola de golfe em um precipício. Ao procurá-la, encontra um homem acidentado que parece estar em seus momentos finais. Pouco antes de morrer, o moribundo abre os olhos e proclama suas últimas palavras: “Por que não pediram a Evans?” Assombrados pela pergunta, Bobby e sua amiga Frankie tentam descobrir quem é Evans e o que exatamente não lhe foi pedido. Porém, os dois logo percebem que, por mais que não sejam detetives profissionais, os perigos dessa investigação são muito reais

RESENHA

Agatha Christie é uma das mais famosas escritoras de romances policiais do mundo, conhecida por criar tramas envolventes, personagens carismáticos e surpreendentes reviravoltas. Em Por que não pediram a Evans?, publicado em 1934, ela apresenta uma história cheia de mistério, humor e aventura, protagonizada por dois jovens amadores que se envolvem em uma perigosa investigação.

O livro começa com Bobby Jones, filho do vigário de uma pequena cidade do País de Gales, que encontra um homem moribundo em um penhasco, após uma tacada de golfe. O homem, antes de morrer, pronuncia uma estranha frase: “Por que não pediram a Evans?”. Bobby, intrigado, descobre que o homem tinha uma foto de uma bela mulher em sua carteira, e que sua morte foi considerada acidental pela polícia. Porém, ele logo percebe que há algo de errado, quando alguém tenta envenená-lo e roubar a foto.

Bobby conta o ocorrido para sua amiga Frankie Derwent, uma jovem rica e aventureira, que decide ajudá-lo a desvendar o mistério. Os dois partem em busca de pistas sobre a identidade do homem, da mulher da foto e do tal Evans, e acabam se deparando com uma trama complexa, que envolve uma herança milionária, uma família suspeita, um sanatório sinistro e um assassino implacável.

O livro é um exemplo do estilo de Agatha Christie, que combina suspense, romance e humor, com diálogos ágeis e divertidos, e uma narrativa que prende a atenção do leitor do início ao fim. Os personagens são bem construídos e cativantes, especialmente os protagonistas, que formam uma dupla dinâmica e carismática, e que demonstram inteligência, coragem e lealdade. O livro também traz alguns ensinamentos, como a importância da amizade, da confiança e da intuição, e a crítica à ganância, à hipocrisia e à crueldade.

O livro se passa na década de 1930, em um contexto histórico marcado pela crise econômica, pela ascensão dos regimes totalitários e pela iminência da Segunda Guerra Mundial. Porém, a autora não se aprofunda nesses temas, e se concentra mais na ambientação dos cenários, que variam de uma pacata vila rural a uma luxuosa mansão, passando por um sombrio hospital psiquiátrico. A autora também explora a cultura e os costumes da época, como as roupas, os meios de transporte, as diversões e as relações sociais.

O livro contém várias citações marcantes, que revelam o humor, a personalidade e a visão de mundo dos personagens. Por exemplo, quando Bobby diz: “A vida é uma coisa muito estranha. Aqui estamos nós, todos nós, indo em frente dia após dia, sem saber o que nos espera. Você segue seu caminho e de repente – bang, você bate em algo inesperado.” Ou quando Frankie afirma: “Eu gosto de viver perigosamente. É o único jeito de viver, na minha opinião.” Ou ainda, quando Poirot, o famoso detetive criado por Agatha Christie, faz uma breve aparição no final do livro, e diz: “O crime é uma ocupação muito séria. Não é um jogo para crianças.”

O livro não possui uma simbologia explícita, mas pode-se interpretar que o título, Por que não pediram a Evans?, representa uma pergunta que instiga a curiosidade, a imaginação e o raciocínio do leitor, e que conduz toda a trama. Além disso, pode-se entender que o Evans é uma figura que simboliza a verdade, a justiça e a solução do mistério, e que, por isso, é ocultada e temida pelos vilões.

O livro tem uma grande importância e relevância cultural, pois é uma das obras mais populares e aclamadas de Agatha Christie, que é considerada a rainha do romance policial, e que influenciou e inspirou vários outros autores do gênero. O livro também foi adaptado para o cinema, o teatro e a televisão, em diferentes versões e países, o que mostra o seu sucesso e o seu alcance.

Agatha Christie nasceu em 1890, na Inglaterra, e desde criança demonstrou talento para a escrita. Casou-se duas vezes, e teve uma filha. Durante a Primeira Guerra Mundial, trabalhou como enfermeira, e foi nessa época que escreveu seu primeiro livro, O Misterioso Caso de Styles, que introduziu o personagem de Hercule Poirot. Em 1926, viveu um episódio dramático, quando desapareceu por 11 dias, após descobrir a traição do seu primeiro marido. O caso gerou muita repercussão na mídia, e nunca foi totalmente esclarecido. Em 1930, casou-se com o arqueólogo Max Mallowan, e viajou com ele pelo Oriente Médio, onde se inspirou para escrever vários de seus livros. Em 1971, foi condecorada pela rainha Elizabeth II com o título de Dama do Império Britânico. Morreu em 1976, aos 85 anos, deixando um legado de mais de 80 livros, entre romances policiais, contos, peças teatrais e autobiografias.

Por que não pediram a Evans? é, portanto, um livro que merece ser lido e apreciado por todos os fãs de literatura policial, e por aqueles que gostam de uma boa história, bem escrita, bem humorada e bem elaborada. É um livro que mostra o talento e a genialidade de Agatha Christie, que soube criar um enredo envolvente, com personagens cativantes, e que soube surpreender o leitor com um final inesperado e satisfatório. É um livro que diverte, emociona e desafia, e que prova que o crime não compensa, e que a verdade sempre prevalece.

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