[RESENHA #789] O cavalo amarelo, de Agatha Christie


Uma mulher à beira da morte se confessa a um padre, que, na mesma noite, é assassinado. O criminoso o revista tão abruptamente que rasga sua batina. O que ele estava procurando? Há alguma relação entre a morte do padre e a confissão da mulher? Mark Easterbrook está determinado a descobrir, e a única pista que tem é uma lista com nove nomes encontrada no sapato do sacerdote.

RESENHA

O cavalo amarelo é um romance policial de Agatha Christie, publicado em 1961, que mistura suspense, mistério e elementos sobrenaturais. A autora, conhecida como a Rainha do Crime, é a escritora de maior vendagem da história, com quatro bilhões de exemplares distribuídos por todo o mundo. Nesta obra, ela cria uma trama envolvente e surpreendente, que desafia o leitor a descobrir o segredo por trás de uma série de mortes aparentemente naturais.

O protagonista da história é Mark Easterbrook, um historiador inglês que se vê envolvido em um caso estranho quando seu nome aparece em uma lista encontrada no sapato de um padre assassinado. A lista contém nomes de pessoas que morreram recentemente ou que estão marcadas para morrer. Mark decide investigar o significado da lista e acaba chegando a uma antiga pensão chamada O Cavalo Amarelo, onde vivem três mulheres misteriosas que se dizem capazes de matar pessoas por telepatia. Com a ajuda da escritora Ariadne Oliver, uma amiga de Hercule Poirot, e de uma jovem chamada Ginger, Mark tenta desvendar o mistério e impedir que mais vítimas sejam feitas.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela construção de enredos complexos e originais, que mantêm o suspense até o final. A autora também se destaca pela criação de personagens carismáticos e bem desenvolvidos, que muitas vezes representam tipos sociais da época. Em O Cavalo Amarelo, ela explora temas como a superstição, a religião, a ciência, a moral e a justiça, questionando os limites entre o bem e o mal, o natural e o sobrenatural, o racional e o irracional. A obra também reflete o contexto histórico do pós-guerra, em que o mundo passava por transformações políticas, sociais e tecnológicas.

Algumas citações marcantes do livro são:

- "Não há nada de sobrenatural neste mundo. Só há coisas que não entendemos ainda." (Mark Easterbrook)

- "A morte é a coisa mais natural do mundo. Todos nós vamos morrer um dia. Por que não ajudar as pessoas a morrerem um pouco mais cedo?" (Sybil Stamfordis)

- "Não se pode brincar com a vida e a morte. Não se pode mexer com as forças ocultas. Há um preço a pagar." (Ariadne Oliver)

A simbologia do título O Cavalo Amarelo se refere ao quarto cavaleiro do Apocalipse, que representa a morte. O cavalo amarelo também é o nome da pensão onde as supostas bruxas vivem e praticam seus crimes. A obra faz alusão à peça Macbeth, de William Shakespeare, em que três bruxas profetizam o destino do protagonista. A autora usa essa referência para criar um clima de terror e fatalidade, mas também para ironizar a crença na magia negra.

A importância e a relevância cultural de O Cavalo Amarelo se devem ao fato de ser uma das obras mais originais e criativas de Agatha Christie, que demonstra sua habilidade em mesclar diferentes gêneros literários e criar uma atmosfera de suspense e mistério. O livro também é um exemplo da genialidade da autora em criar soluções inesperadas e surpreendentes para os seus casos, que desafiam a lógica e a imaginação do leitor. A obra foi adaptada para o cinema, o teatro e a televisão, sendo a mais recente uma minissérie da BBC em 2020.

A biografia de Agatha Christie é tão fascinante quanto suas histórias. Nascida em 1890 em Torquay, na Inglaterra, ela começou a escrever aos 18 anos, inspirada por sua mãe. Ela se casou duas vezes, sendo a primeira com o coronel Archibald Christie, com quem teve uma filha, e a segunda com o arqueólogo Max Mallowan, com quem viajou pelo mundo. Ela serviu como enfermeira e farmacêutica durante as duas guerras mundiais, o que lhe deu conhecimento sobre venenos e medicamentos, que usou em seus livros. Ela escreveu mais de 80 romances e contos, além de peças de teatro e poemas. Ela criou personagens famosos como Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, entre outros. Ela morreu em 1976, aos 85 anos, deixando um legado literário incomparável.

A crítica positiva que se pode fazer sobre O Cavalo Amarelo é que se trata de um livro que prende a atenção do leitor do início ao fim, com uma trama bem elaborada e cheia de reviravoltas. A autora consegue criar um clima de tensão e suspense, ao mesmo tempo em que insere elementos de humor e ironia. Os personagens são interessantes e bem construídos, cada um com sua personalidade e motivação. O livro também é uma reflexão sobre os dilemas morais e éticos que envolvem a vida e a morte, e sobre a relação entre o real e o fantástico. É uma obra que mostra a genialidade de Agatha Christie, que é considerada uma das maiores escritoras de todos os tempos.

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