[RESENHA #787] Um corpo na biblioteca, de Agatha Christie


Às 7 da manhã, os Bantry acordam e encontram o corpo de uma jovem em sua biblioteca, sem fazer ideia de como chegou ali. Chocada com os acontecimentos, a Mrs. Bantry chama sua amiga, Miss Marple, a detetive amadora mais famosa da pequena St. Mary Mead, para descobrir a identidade da garota e do assassino. Quando outro corpo surge em uma pedreira, cabe a Miss Marple desvendar a conexão entre eles e solucionar o caso.

RESENHA

Um corpo na biblioteca é um romance policial clássico da renomada escritora britânica Agatha Christie, publicado em 1942. O livro faz parte da série que tem como protagonista a detetive amadora Miss Marple, uma senhora idosa e astuta que vive na pacata aldeia de St. Mary Mead. Nesta obra, Miss Marple é chamada para ajudar a desvendar o mistério do cadáver de uma jovem desconhecida que é encontrado no tapete da biblioteca dos Bantry, um casal de amigos seus. A investigação se complica quando outro corpo é descoberto em uma pedreira, carbonizado dentro de um carro. Quem são as vítimas? Quem as matou? E qual é a conexão entre os dois crimes?

Agatha Christie é considerada a rainha do crime, e não é à toa. Seu estilo é envolvente, inteligente e cheio de surpresas. Ela cria tramas complexas e bem elaboradas, que desafiam o leitor a acompanhar as pistas e tentar solucionar o enigma antes da revelação final. Seus personagens são bem construídos e variados, desde os suspeitos até os coadjuvantes. E sua protagonista, Miss Marple, é uma figura carismática e sagaz, que usa sua experiência de vida e sua observação aguçada para resolver os casos mais intrincados.

Um dos ensinamentos da obra é que as aparências enganam, e que nem sempre as pessoas são o que parecem ser. Miss Marple sabe disso, e por isso não se deixa levar pelas impressões superficiais. Ela analisa o comportamento, os motivos e as contradições dos envolvidos, e consegue perceber as nuances e as mentiras que os outros não veem. Ela também mostra que a idade não é um impedimento para a atividade intelectual, e que o conhecimento adquirido ao longo dos anos pode ser muito útil e valioso.

Algumas citações da obra que ilustram o estilo da autora e a personalidade da detetive são:

“A verdade é que as pessoas são muito parecidas umas com as outras em qualquer lugar do mundo, e que as histórias, sejam elas de amor ou de assassinato, são as mesmas em qualquer lugar.” (Miss Marple)

“Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio.” (Sir Henry Clithering)

“Não se pode julgar as pessoas pela aparência. Às vezes, as pessoas que parecem mais inocentes são as mais culpadas.” (Miss Marple)

“O crime é muito interessante, especialmente quando o crime é cometido em um ambiente respeitável.” (Mrs. Bantry)

O período histórico em que o livro se passa é o da Segunda Guerra Mundial, mas isso não é muito relevante para a trama, que se concentra mais nos aspectos psicológicos e sociais dos personagens. O livro retrata a vida da classe média e alta da Inglaterra, com seus costumes, valores e preconceitos. A autora também faz algumas críticas à sociedade da época, como o machismo, a hipocrisia e a ganância.

Os personagens principais do livro são:

Miss Jane Marple: a detetive amadora que soluciona o mistério com sua perspicácia e sua intuição.

Coronel e Mrs. Bantry: o casal que encontra o corpo na biblioteca e que pede a ajuda de Miss Marple. Eles são amigos da detetive e são pessoas respeitáveis e bondosas.

Ruby Keene: a jovem que é encontrada morta na biblioteca. Ela é uma dançarina profissional que trabalha em um hotel e que tem uma personalidade alegre e simpática.

Josie Turner: a prima de Ruby, que também é dançarina e que a trouxe para trabalhar no hotel. Ela é uma mulher bonita e ambiciosa, que se envolve com um dos hóspedes ricos.

Conway Jefferson: o hóspede rico que se interessa por Josie. Ele é um homem idoso e paraplégico, que perdeu a esposa e os filhos em um acidente. Ele planeja adotar Josie e Ruby e deixar sua fortuna para elas.

Mark e Adelaide Jefferson: o genro e a nora de Conway, que dependem financeiramente dele. Eles são um casal infeliz e falido, que tem motivos para não querer que Conway adote as garotas.

Raymond Starr: o parceiro de dança de Josie e Ruby. Ele é um homem jovem e atraente, que tem um caso com Josie e que é um dos últimos a ver Ruby viva.

George Bartlett: o outro hóspede que se interessa por Ruby. Ele é um homem de meia-idade e solteiro, que vive chamando Ruby para dançar e para sair. Ele não tem um álibi para a noite do crime e se mostra muito confuso e nervoso.

Pamela Reeves: a outra jovem que é encontrada morta na pedreira. Ela é uma estudante que desapareceu no mesmo dia em que Ruby foi assassinada. Ela tem uma semelhança física com Ruby e isso é uma pista importante para o caso.

Inspetor Slack: o policial encarregado da investigação. Ele é um homem arrogante e impaciente, que não gosta da interferência de Miss Marple e que subestima sua capacidade.

Sir Henry Clithering: o ex-chefe da Scotland Yard e amigo de Miss Marple. Ele é um homem experiente e respeitado, que admira o talento da detetive e que a auxilia na solução do caso.

Algumas citações marcantes do livro são:

“Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio.” (Sir Henry Clithering)

“A verdade é que as pessoas são muito parecidas umas com as outras em qualquer lugar do mundo, e que as histórias, sejam elas de amor ou de assassinato, são as mesmas em qualquer lugar.” (Miss Marple)

“O crime é muito interessante, especialmente quando o crime é cometido em um ambiente respeitável.” (Mrs. Bantry)

“Não se pode julgar as pessoas pela aparência. Às vezes, as pessoas que parecem mais inocentes são as mais culpadas.” (Miss Marple)

A simbologia do livro está relacionada ao contraste entre as aparências e a realidade, e entre o bem e o mal. O corpo na biblioteca representa a invasão do mal em um ambiente que deveria ser seguro e tranquilo, e também a quebra da confiança e da harmonia entre os personagens. A biblioteca é um lugar de conhecimento e de cultura, mas também de mistério e de segredos. A jovem morta é uma figura que desperta a curiosidade e a compaixão, mas também a inveja e a cobiça. O carro na pedreira é um símbolo da violência e da destruição, mas também da confusão e da ilusão. O livro mostra que o mal pode estar escondido em qualquer lugar, e que nem sempre é fácil reconhecê-lo.

A importância e a relevância cultural do livro estão ligadas à sua qualidade literária e à sua influência no gênero policial. O livro é um exemplo da habilidade de Agatha Christie em criar enredos originais e surpreendentes, que mantêm o leitor envolvido e intrigado até o final. O livro também é um marco na carreira da autora, que consolidou a personagem de Miss Marple como uma das mais famosas e queridas detetives da literatura. O livro é considerado um clássico do crime, que inspirou e influenciou muitos outros autores e obras do mesmo gênero.

Agatha Christie nasceu em 15 de setembro de 1890, em Torquay, na Inglaterra. Ela foi uma escritora prolífica e bem-sucedida, que publicou mais de 80 livros, entre romances policiais, contos, peças de teatro e obras de outros gêneros. Ela é a autora mais vendida de todos os tempos, com mais de dois bilhões de cópias vendidas em todo o mundo. Ela é famosa por suas histórias de mistério e suspense, que têm como protagonistas os detetives Hercule Poirot e Miss Marple, entre outros. Ela também escreveu sob o pseudônimo de Mary Westmacott, que usava para suas obras de cunho mais romântico e psicológico.

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