[RESENHA #784] Morte nas nuvens, de Agatha Christie

Durante um voo de Paris a Londres, Madame Giselle, uma agiota, morre subitamente. A arma do crime não poderia ser mais absurda: um dardo envenenado cravado no pescoço da vítima. Mas quem conseguiria utilizar uma zarabatana dentro de um avião? E sem ser visto por ninguém? Todos os passageiros são interrogados pela polícia. Entre eles está Hercule Poirot: ele simplesmente não consegue aceitar que um assassinato foi cometido bem debaixo do seu nariz. O detetive começa a investigação, mas desta vez os riscos são altos – afinal, é um dos principais suspeitos do crime.

RESENHA

Morte nas nuvens é um livro de Agatha Christie, considerada a rainha do crime, que narra mais um caso do famoso detetive belga Hercule Poirot. O livro foi publicado em 1935 e se passa em um voo de Paris a Londres, onde uma agiota francesa é assassinada com um dardo envenenado lançado de uma zarabatana. Poirot, que estava no mesmo avião, se vê envolvido na investigação e precisa descobrir quem é o culpado entre os onze passageiros do compartimento traseiro.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela construção de enredos complexos e surpreendentes, que desafiam a inteligência do leitor e o convidam a participar da solução do mistério. A autora também se destaca pela criação de personagens memoráveis, como o próprio Poirot, que usa seu método de raciocínio dedutivo baseado nas "células cinzentas" do cérebro, e o inspetor Japp, que representa a polícia oficial e muitas vezes é auxiliado pelo detetive. Além deles, o livro apresenta outros personagens interessantes, como a condessa Horbury, que tem um caso com um cantor de ópera e é uma das devedoras da vítima; o dentista Norman Gale, que se envolve com a aeromoça Jane Gray; o escritor de mistério Daniel Clancy, que se inspira no caso para escrever um livro; e os arqueólogos Armand e Jean Dupont, que fornecem pistas importantes para Poirot.

O livro ensina ao leitor a importância da observação, da lógica e da psicologia na resolução de problemas. Poirot demonstra que é preciso estar atento aos detalhes, às contradições e às motivações dos suspeitos, e não se deixar levar pelas aparências ou pelas emoções. Ele também mostra que é preciso ter uma mente aberta e criativa, capaz de imaginar cenários improváveis e de testar hipóteses. Além disso, o livro ensina sobre a cultura e a história da época em que se passa, como as características dos aviões comerciais, as relações entre a França e a Inglaterra, e os costumes e valores da sociedade.

Algumas citações do livro que ilustram o estilo e o pensamento de Agatha Christie são:

- "O senhor não é um detetive, é um artista." (Poirot para Clancy, capítulo 9)

- "Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio." (Poirot, capítulo 10)

- "A verdade, por mais incrível que pareça, é sempre simples." (Poirot, capítulo 17)

- "O crime é um fenômeno muito humano." (Poirot, capítulo 18)

O livro se insere no período histórico do entre-guerras, quando a Europa ainda se recuperava dos efeitos da Primeira Guerra Mundial e se preparava para enfrentar a Segunda. Nesse contexto, o livro reflete algumas questões sociais e políticas, como o papel das mulheres, que começavam a ter mais independência e oportunidades de trabalho, como a aeromoça Jane Gray; a influência da tecnologia, que permitia viagens mais rápidas e confortáveis, mas também trazia novos perigos e desafios, como o assassinato em pleno ar; e a tensão entre as nações, que exigia cooperação e diplomacia, como a parceria entre Poirot, Japp e Fournier.

Agatha Christie nasceu em 1890 na Inglaterra e morreu em 1976. Ela é considerada a escritora mais vendida de todos os tempos, com mais de dois bilhões de livros publicados em mais de cem idiomas. Ela escreveu mais de oitenta romances e contos policiais, além de peças de teatro, poemas e livros de não ficção. Ela criou dois dos mais famosos detetives da literatura: Hercule Poirot e Miss Marple. Ela também foi uma mulher à frente de seu tempo, que viajou pelo mundo, trabalhou como enfermeira e farmacêutica, e se divorciou de seu primeiro marido para se casar com um arqueólogo.

Morte nas nuvens é um livro que merece ser lido por todos os fãs de literatura policial e de Agatha Christie. É uma obra que combina suspense, humor, romance e aventura, e que mantém o leitor intrigado até o final. É também uma obra que revela o talento e a genialidade da autora, que foi capaz de criar um crime original e uma solução brilhante, que desafia as expectativas e surpreende até o mais astuto dos leitores. É um livro que prova que Agatha Christie é, de fato, a rainha do crime.

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