[RESENHA #782] Assassinato no campo de golfe, de Agatha Christie

Em um legítimo romance policial, Agatha Christie criou mais um mistério a ser solucionado por Poirot, o principal protagonista de suas histórias. Monsieur Hercule Poirot recebe um desesperado pedido de ajuda de um milionário sul-americano, monsieur Renauld. Imediatamente Poirot e seu inseparável assistente Hastings partem para a cidade onde reside o milionário. Ao chegarem à casa de monsieur Renauld, descobrem que ele foi assassinado naquela noite em um crime brutal: apunhalado pelas costas e estirado ao lado de uma cova no campo de golfe da propriedade.

Quem teria motivos para assassinar monsieur Renauld? Por que Poirot tem a estranha sensação de que muitas coisas lhe são familiares neste caso? Monsieur Renauld tem ou não tem uma amante? E, no meio do caso, ainda surge um famoso detetive francês que coloca em dúvida os métodos utilizados por Poirot e briga por espaço. Com a curiosidade e a vaidade instigadas, Poirot terá que manter o sangue-frio para desvendar este mistério que faz um dos mais famosos clássicos de Agatha Christie. A nova edição da obra traz nova tradução de Marcelo Barbão e apresentação de Marcos Peres.

RESENHA

Assassinato no campo de golfe é o segundo livro da escritora inglesa Agatha Christie, publicado em 1923, que traz como protagonista o famoso detetive belga Hercule Poirot e seu fiel amigo e narrador, o capitão Arthur Hastings. A obra é considerada um clássico do romance policial, gênero no qual Agatha Christie se consagrou como a Rainha do Crime, vendendo mais de quatro bilhões de cópias de seus livros em todo o mundo.

A trama se inicia quando Poirot recebe uma carta urgente de um milionário sul-americano, Paul Renauld, que diz estar em perigo e precisa da ajuda do detetive. Poirot e Hastings partem imediatamente para a França, onde Renauld reside em uma luxuosa mansão à beira de um campo de golfe. Porém, ao chegarem lá, descobrem que o milionário foi assassinado na noite anterior, com uma facada nas costas, e seu corpo foi encontrado em uma cova aberta no campo de golfe.

A partir daí, Poirot se envolve em um intricado caso, cheio de reviravoltas, pistas falsas, suspeitos e mistérios. O detetive terá que usar toda a sua astúcia e suas "células cinzentas" para desvendar quem matou Renauld e por quê. Além disso, ele terá que lidar com a presença de um rival, o arrogante detetive francês Giraud, que também está investigando o caso e despreza os métodos de Poirot.

O livro é um exemplo do estilo de Agatha Christie, que combina suspense, lógica, humor e surpresa. A autora cria uma trama complexa e bem construída, que desafia o leitor a acompanhar o raciocínio de Poirot e tentar solucionar o enigma antes dele. Os personagens são bem caracterizados e apresentam diferentes motivações e personalidades. O cenário da França pós-Primeira Guerra Mundial também é retratado com detalhes e contribui para a atmosfera da história.

Um dos pontos altos do livro é a relação entre Poirot e Hastings, que proporciona momentos divertidos e emocionantes. Os dois são amigos leais, mas também têm suas diferenças e divergências. Poirot é um homem meticuloso, vaidoso e genial, que confia na sua intuição e na sua capacidade de observar e deduzir. Hastings é um homem simpático, corajoso e romântico, mas também ingênuo, impulsivo e propenso a erros. Os dois se complementam e se ajudam na investigação, mas também se provocam e se ironizam.

Algumas citações do livro ilustram o estilo de Agatha Christie e a personalidade de seus personagens:

- "O senhor é um homem inteligente, monsieur Poirot, mas, com todo o respeito, não é um detetive. O senhor tem ideias, mas não tem método." (Giraud para Poirot, capítulo 9)

- "Meu caro Hastings, a vida é infinitamente mais estranha do que qualquer coisa que a mente do homem possa inventar. Não nos atrevemos a conceber as coisas que são realmente meros lugares-comuns da existência. Se pudéssemos sair daqui, neste exato momento, e nos aventurar em qualquer uma dessas casas ao acaso, poderíamos deparar com algo que nos deixaria sem fala de espanto." (Poirot para Hastings, capítulo 10)

- "Não se pode confiar nas mulheres. Elas têm uma tendência a serem emocionais demais. Não são como os homens. Os homens são criaturas de razão. As mulheres são criaturas de sentimento." (Hastings, capítulo 13)

- "Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio." (Poirot, capítulo 17)

Assassinato no campo de golfe é uma obra que ensina ao leitor a importância do raciocínio lógico, da atenção aos detalhes, da análise dos fatos e da compreensão da natureza humana. O livro também mostra que nem tudo é o que parece e que as aparências podem enganar. Além disso, o livro oferece uma visão da sociedade da época, com seus costumes, valores, preconceitos e conflitos.

A obra tem uma grande importância e relevância cultural, pois faz parte da chamada Era de Ouro do romance policial, um período entre as duas guerras mundiais em que o gênero se desenvolveu e se popularizou, principalmente na Inglaterra. Agatha Christie foi uma das principais representantes desse movimento, que se caracterizava por histórias que privilegiavam o enigma, o desafio intelectual e a solução surpreendente. Seus livros influenciaram e inspiraram diversos autores e obras posteriores, tanto no campo literário quanto no cinematográfico, teatral e televisivo.

A autora nasceu em 1890, em Torquay, na Inglaterra, e teve uma infância feliz e privilegiada. Aprendeu a ler e a escrever sozinha e desde cedo demonstrou interesse pela literatura. Casou-se duas vezes, a primeira com o piloto Archibald Christie, com quem teve uma filha, e a segunda com o arqueólogo Max Mallowan, com quem viajou pelo Oriente Médio. Durante a Primeira Guerra Mundial, trabalhou como enfermeira e farmacêutica, o que lhe deu conhecimento sobre venenos, que usaria em muitos de seus livros. Em 1926, viveu um episódio misterioso, quando desapareceu por 11 dias, após descobrir a traição do marido. Foi encontrada em um hotel, sob um nome falso, e nunca explicou o que aconteceu. Escreveu mais de 80 livros, entre romances policiais, contos, peças teatrais e romances sentimentais, sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Criou personagens icônicos, como Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, entre outros. Foi condecorada pela rainha Elizabeth II com o título de Dama do Império Britânico, em 1971. Morreu em 1976, aos 85 anos, deixando um legado de sucesso e admiração.

Em conclusão, Assassinato no campo de golfe é um livro que merece ser lido por todos os fãs de romance policial e de literatura em geral. É uma obra que combina suspense, humor, inteligência e criatividade, e que revela o talento e a genialidade de Agatha Christie, uma das maiores escritoras de todos os tempos.

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