[RESENHA #779] Poirot perde uma cliente, de Agatha Christie

Todo mundo culpava um esperto cão terrier pelo acidente da srta. Emily Arundell, causado por uma bola de borracha deixada na escada. Mas quanto mais ela pensava no ocorrido, mais convencida ficava de que alguém estava tentando matá-la. Em 17 de abril, ela registou suas suspeitas em uma carta a Hercule Poirot. Misteriosamente, ele só foi receber a correspondênmcia mais de dois meses depois. Esse enigma é suficiente para fazer o investigador preparar as malas para conhecer a srta. Arundell, sem nenhuma ideia do que iria encontrar pela frente.

RESENHA

Poirot perde uma cliente é um romance policial da escritora inglesa Agatha Christie, publicado em 1937. O livro faz parte da série protagonizada pelo detetive belga Hercule Poirot, que é chamado para investigar a morte de uma rica senhora, Emily Arundell, que suspeitava que alguém de sua família queria matá-la por causa da herança. A única testemunha do crime é Bob, o cãozinho da vítima, que parece ter visto algo importante.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela construção de enredos complexos e surpreendentes, que desafiam a inteligência do leitor e o convidam a participar da solução do mistério. A autora também se destaca pela criação de personagens carismáticos e bem caracterizados, como o próprio Poirot, que usa seu método de raciocínio dedutivo e sua observação dos detalhes para desvendar os crimes. Além dele, outros personagens importantes do livro são o capitão Hastings, amigo e ajudante de Poirot, e a curiosa Miss Lawson, a secretária de Emily Arundell.

O livro pode ser considerado um clássico do gênero policial, que reflete o contexto histórico e social da Inglaterra da década de 1930, marcada pela crise econômica, pela ascensão dos regimes totalitários na Europa e pela mudança de costumes e valores da sociedade. A obra também aborda temas como a ganância, a inveja, a mentira, a lealdade e a justiça, que são universais e atemporais.

Algumas citações marcantes do livro são:

- \"O cão é uma testemunha muda, mas uma testemunha muito importante.\" (Poirot, capítulo 2)

- \"Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio.\" (Poirot, capítulo 5)

- \"O mal não é nunca radical, apenas humano.\" (Poirot, capítulo 17)

A simbologia do livro está relacionada ao papel do cão Bob, que representa a inocência, a fidelidade e a intuição, contrastando com a maldade, a traição e a racionalidade dos humanos. O cão também é um elemento de humor e de suspense, que alivia a tensão da narrativa e ao mesmo tempo desperta a curiosidade do leitor.

A importância e a relevância cultural do livro se devem à sua qualidade literária, à sua originalidade e à sua influência no gênero policial, que inspirou diversos autores e adaptações para o cinema, o teatro e a televisão. O livro também é um exemplo da genialidade de Agatha Christie, que foi a maior escritora policial de todos os tempos, tendo vendido cerca de quatro bilhões de cópias de suas obras em todo o mundo.

Agatha Christie nasceu em 1890, em Torquay, na Inglaterra. Era filha de um americano e de uma inglesa, e teve uma educação privilegiada. Aprendeu a ler e a escrever sozinha, e desde cedo demonstrou talento para a literatura. Casou-se duas vezes, a primeira com o piloto Archibald Christie, de quem se divorciou após um escândalo, e a segunda com o arqueólogo Max Mallowan, com quem viajou pelo Oriente Médio. Durante a Primeira Guerra Mundial, trabalhou como enfermeira e farmacêutica, o que lhe deu conhecimento sobre venenos, que usou em muitos de seus livros. Escreveu mais de oitenta romances, alguns sob o pseudônimo de Mary Westmacott, e criou personagens famosos como Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, entre outros. Foi condecorada pela rainha Elizabeth II com o título de Dama do Império Britânico, em 1971. Morreu em 1976, aos 85 anos, deixando um legado inestimável para a literatura mundial.

Em conclusão, Poirot perde uma cliente é um livro que merece ser lido por todos os fãs de Agatha Christie e de romances policiais, pois é uma obra que combina suspense, humor, inteligência e emoção, e que mostra o talento e a criatividade da autora. É um livro que nos faz pensar, nos diverte e nos surpreende, e que nos revela a complexidade e a diversidade da natureza humana.

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