[RESENHA #776] Os elefantes não esquecem, de Agatha Christie

Claire de Desmond querem se casar, mas a mãe do noivo é contra a união. Tentando descobrir algum podre sobre a jovem que leve o filho a romper o noivado, a mulher pede a ajuda de Ariadne Oliver para solucionar a causa da morte dos pais da moça. E quem melhor que Hercule Poirot para ajudar Mrs. Oliver? Os dois se juntam na investigação do caso que ocorreu anos antes ― a morte de um casal, aparentemente feliz, interpretada pela polícia como um pacto suicida ― e tentam solucionar o mistério: quem matou quem?

RESENHA

Os elefantes não esquecem é um romance policial da renomada escritora britânica Agatha Christie, publicado em 1972. O livro faz parte da série protagonizada pelo detetive belga Hercule Poirot, que conta com a ajuda da escritora de ficção policial Ariadne Oliver para desvendar um antigo mistério: a morte do casal Ravenscroft, pais da afilhada de Ariadne, Celia. A polícia concluiu na época que se tratava de um pacto suicida, mas Ariadne não se convence dessa versão e decide investigar o caso com Poirot, entrevistando as pessoas que conheceram o casal e que podem ter alguma lembrança relevante sobre eles. Essas pessoas são chamadas de “elefantes”, pois segundo a lenda, os elefantes nunca esquecem.

O estilo de Agatha Christie é marcado pela sua habilidade em criar tramas complexas e surpreendentes, com pistas falsas, reviravoltas e revelações inesperadas. A autora também se destaca pela sua ironia e humor, que aparecem nas descrições dos personagens e nos diálogos entre eles. Um exemplo disso é a própria personagem de Ariadne Oliver, que é uma paródia da própria Agatha Christie, pois ambas são escritoras de sucesso, mas sofrem com as exigências dos editores, dos fãs e dos críticos. Além disso, Ariadne Oliver cria um detetive finlandês chamado Sven Hjerson, que ela detesta, assim como Agatha Christie criou Hercule Poirot, que ela também não gostava muito.

Os principais personagens do livro são Hercule Poirot e Ariadne Oliver, que formam uma dupla dinâmica e divertida, pois têm personalidades e métodos diferentes, mas se complementam na investigação. Poirot é um homem meticuloso, racional e orgulhoso de sua “massa cinzenta”, que resolve os casos com base na lógica e na psicologia. Ariadne é uma mulher impulsiva, criativa e curiosa, que usa a intuição e a imaginação para seguir as pistas. Outros personagens importantes são Celia Ravenscroft, a filha do casal morto, que é uma jovem bonita, inteligente e independente, que quer saber a verdade sobre seus pais; e o general Alistair, um velho amigo do casal, que é um homem honrado, leal e corajoso, que guarda um segredo sobre o passado.

Um dos ensinamentos da obra é que o passado pode ter consequências no presente, e que nem sempre as aparências correspondem à realidade. O livro mostra que as pessoas podem ter diferentes versões sobre os mesmos fatos, e que a memória pode ser falha ou distorcida. Por isso, é preciso ter cuidado ao julgar os outros, pois nem sempre se conhece toda a história. Outro ensinamento é que a verdade pode ser dolorosa, mas é melhor do que a mentira, pois permite que as pessoas se libertem da culpa e da dúvida. O livro também ensina que o amor e a amizade são valores importantes, que podem superar as dificuldades e os obstáculos.

Algumas citações marcantes da obra são:

  • “Os elefantes não esquecem, mas os seres humanos sim.” (Ariadne Oliver, capítulo 1)
  • “Não há nada mais enganoso do que um fato óbvio.” (Hercule Poirot, capítulo 2)
  • “A verdade é sempre mais simples do que se imagina.” (Hercule Poirot, capítulo 13)
  • “O passado é um país estrangeiro. Eles fazem as coisas de maneira diferente lá.” (Ariadne Oliver, capítulo 14)

O período histórico em que o livro se passa é o início da década de 1970, na Inglaterra. É uma época de mudanças sociais, culturais e políticas, com o surgimento de novos movimentos, como o feminismo, o pacifismo e o ambientalismo. O livro reflete essas transformações, mostrando o contraste entre as gerações mais velhas e mais novas, e entre as tradições e as novidades. O livro também aborda temas como a guerra, a violência, a loucura, o ciúme, a traição e o perdão.

A simbologia do livro está relacionada ao título, que faz referência aos elefantes, que são animais que simbolizam a memória, a sabedoria, a força e a fidelidade. Os elefantes representam as pessoas que testemunharam o passado e que podem ajudar a esclarecer o presente. O livro também usa o simbolismo das cores, especialmente o vermelho, que representa o sangue, a paixão, o perigo e a morte.

A importância e a relevância cultural do livro estão ligadas à sua autora, que é considerada uma das maiores escritoras de todos os tempos, e que influenciou gerações de leitores e de autores do gênero policial. O livro também é importante por ser um dos últimos da série de Hercule Poirot, que é um dos personagens mais famosos e queridos da literatura. O livro ainda é relevante por abordar questões universais, como o mistério, a verdade, o amor e a justiça.

A biografia da autora é a seguinte: Agatha Christie nasceu em 1890, na Inglaterra, e morreu em 1976, aos 85 anos. Ela começou a escrever aos 18 anos, e publicou seu primeiro livro, O misterioso caso de Styles, em 1920, introduzindo o personagem de Hercule Poirot. Ela escreveu mais de 80 livros, entre romances, contos, peças de teatro e poemas, sendo a maior parte deles do gênero policial. Ela também usou o pseudônimo de Mary Westmacott para escrever romances sentimentais. Ela foi casada duas vezes, e teve uma filha. Ela viajou pelo mundo, e se interessou por arqueologia, o que inspirou alguns de seus livros. Ela recebeu diversos prêmios e honrarias, e foi nomeada Dama do Império Britânico em 1971. Ela é a escritora mais vendida da história, com mais de dois bilhões de cópias vendidas, e seus livros foram adaptados para o cinema, a televisão, o teatro e os quadrinhos.

Para finalizar, eu gostaria de fazer uma crítica positiva sobre a obra. Eu achei o livro muito bem escrito, envolvente e divertido. Eu gostei da forma como a autora construiu o enredo, com suspense, humor e inteligência. Eu me identifiquei com os personagens, especialmente com Poirot e Ariadne, que são carismáticos e simpáticos. Eu me surpreendi com o final, que foi inesperado e emocionante. Eu aprendi muito com o livro, sobre a história, a cultura e a psicologia humana. Eu recomendo o livro para todos os que gostam de uma boa história, de um bom mistério e de uma boa literatura.

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