[RESENHA #775] Ausência na primavera, de Agatha Christie

Escrevendo anonimamente sob o pseudônimo de Mary Westmacott, Agatha Christie, conhecida mundialmente como a Rainha do Crime, deixa de lado a investigaçăo policial para explorar a alma humana, seus conflitos e emoçőes.

Em "Ausęncia na primavera", Mary Westmacott conta a história de Joan Scudamore, uma típica dona de casa que está voltando do Oriente após fazer uma visita a sua filha em Bagdá. De seu casamento feliz com o advogado Rodney, Joan teve duas filhas e um filho. Mas um imprevisto muda bruscamente seus planos e a deixa presa em uma estaçăo ferroviária no meio do deserto. A solidăo do lugar obriga a refletir sobre seu casamento e sua vida... Teria ela sido tăo feliz assim?

RESENHA

Poema Ausência na primavera é um romance escrito por Agatha Christie sob o pseudônimo de Mary Westmacott, publicado pela primeira vez em 1944. A obra se diferencia dos tradicionais romances policiais da autora, pois não há nenhum crime ou mistério a ser resolvido, mas sim uma profunda análise psicológica da protagonista, Joan Scudamore.

Joan é uma mulher de classe média alta, casada com um advogado e mãe de três filhos. Ela se considera uma esposa e mãe dedicada, que sempre cuidou bem da família e da casa. Após visitar sua filha mais nova em Bagdá, ela fica presa em uma estação de trem no deserto, devido a uma enchente que impede a passagem dos trens. Nesse isolamento forçado, Joan começa a refletir sobre sua vida e seus relacionamentos, e percebe que nem tudo é tão perfeito como ela imaginava.

A narrativa é construída em forma de flashback, alternando entre o presente de Joan na estação e suas lembranças do passado. Aos poucos, o leitor vai descobrindo as verdades que Joan tentava esconder de si mesma, como o fato de que seu marido era infiel, seus filhos eram infelizes e ela era uma pessoa egoísta e manipuladora. Joan se vê diante de um confronto consigo mesma, que a leva a questionar suas escolhas e seus valores.

O estilo de Agatha Christie é simples e fluente, mas ao mesmo tempo profundo e envolvente. A autora consegue criar uma atmosfera de tensão e suspense, mesmo sem recorrer a elementos típicos do gênero policial. O livro é um retrato da sociedade inglesa do início do século XX, marcada pelo conservadorismo, pelo machismo e pela hipocrisia. A personagem de Joan representa a mulher que se submete ao papel de dona de casa, sem questionar sua própria felicidade ou realização.

O título do livro é uma referência ao soneto 98 de William Shakespeare, que diz: "De você eu estive ausente na primavera". Esse verso expressa a ideia de que a ausência do ser amado faz com que a primavera perca seu encanto e sua beleza. No caso de Joan, a ausência que ela sente é de si mesma, de sua essência, de sua verdade. Ela viveu uma vida de aparências, sem se conhecer ou se amar. A primavera, então, simboliza a possibilidade de renovação, de mudança, de despertar.

Uma das citações mais marcantes do livro é: "Ela tinha vivido uma vida de mentiras. Não mentiras deliberadas, mas mentiras para as quais ela mesma tinha contribuído, meio inconscientemente, mentiras das quais ela era a principal vítima". Essa frase resume o drama de Joan, que se enganou e se iludiu por tanto tempo, e que agora precisa enfrentar a realidade.

Poema Ausência na primavera é uma obra de grande importância e relevância cultural, pois mostra a capacidade de Agatha Christie de escrever não apenas histórias de suspense e mistério, mas também histórias de introspecção e reflexão. O livro é um convite para o leitor se questionar sobre sua própria vida, seus próprios sentimentos, seus próprios valores. É uma obra que fala sobre a busca pela identidade, pela autenticidade, pela felicidade.

A autora, Agatha Christie, foi uma das maiores escritoras de todos os tempos, tendo vendido mais de quatro bilhões de cópias de seus livros. Ela nasceu em 1890, na Inglaterra, e morreu em 1976. Ela ficou famosa por seus romances policiais, que criaram personagens icônicos como Hercule Poirot e Miss Marple. Ela também escreveu peças de teatro, contos e poemas. Ela usou o pseudônimo de Mary Westmacott para publicar seis romances de cunho mais pessoal e sentimental, entre eles Poema Ausência na primavera.

A crítica que se pode fazer ao livro é positiva, pois se trata de uma obra de grande qualidade literária, que surpreende e emociona o leitor. O livro é uma prova da versatilidade e da genialidade de Agatha Christie, que soube explorar diferentes gêneros e temas, sem perder sua originalidade e seu talento. Poema Ausência na primavera é um livro que merece ser lido e apreciado por todos os que gostam de uma boa história.

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