[RESENHA #773] O avesso das coisas, de Carlos Drummond de Andrade


Nesta surpreendente reunião de aforismos, o poeta das sete faces subverte de A a Z a ideia de “máximas” e define conceitos tão variados como amor, Deus, governo e infância.

Lançado originalmente em 1987, este volume reúne verbetes que, em ordem alfabética, elencam assuntos dos mais diversos diante do olhar aguçado de um dos nossos poetas fundamentais. Em O avesso das coisas, Carlos Drummond de Andrade compila, numa espécie de dicionário, suas próprias e idiossincráticas definições para cada palavra, convidando o leitor a “repensar suas ideias”. O resultado é um conjunto de aforismos perspicaz e extremamente bem-humorado.


RESENHA


O avesso das coisas é um livro de aforismos do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, publicado postumamente em 1987¹. Nesta obra, o autor oferece ao leitor suas definições pessoais e originais para diversas palavras, abordando temas como amor, amizade, política, literatura, morte, vida e muito mais. O livro é uma espécie de dicionário poético, que revela o olhar agudo, irônico e sensível de Drummond sobre o mundo.


Carlos Drummond de Andrade nasceu em 1902, em Itabira, Minas Gerais, e é considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa. Foi um dos expoentes da segunda geração do modernismo brasileiro, ao lado de nomes como Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Vinicius de Moraes. Sua obra é marcada pela linguagem coloquial, pela crítica social, pelo humor, pela reflexão existencial e pela busca de uma identidade nacional. Drummond morreu em 1987, no Rio de Janeiro, deixando um legado de mais de 40 livros de poesia, prosa, crônica e ensaio².


O avesso das coisas não tem personagens, nem enredo, nem narrador. É um livro de fragmentos, que podem ser lidos em qualquer ordem, sem prejuízo da compreensão. Cada verbete é uma pequena lição de vida, que convida o leitor a pensar sobre as coisas de uma forma diferente, às vezes surpreendente, às vezes divertida, às vezes profunda. O estilo de Drummond é conciso, direto e criativo, usando metáforas, paradoxos, antíteses e jogos de palavras para expressar suas ideias.


Alguns exemplos de aforismos do livro são:


- "Amar sem inquietação é amar sem amor."


- "Como as plantas, a amizade não deve ser muito nem pouco regada."


- "O amanhecer é uma festa para convidados que estão dormindo."


- "O amor ensina igualmente a ferir e ser ferido."


- "A administração, organismo autoritário, é feita de papel, isto é, de figuração de coisas."


- "A ambição torna os homens audazes; a audácia sem ambição é privilégio de poucos."


- "A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas.


- "Prisioneira do corpo, a alma vive em guerra com o carcereiro."


- "Tudo é simples diante de um copo d’água."


- "Não é obrigatório ter motivo para estar alegre; o melhor é dispensá-lo."


O livro pode ser lido como uma síntese do pensamento de Drummond, que abrange desde questões pessoais até questões universais, passando por aspectos da cultura, da história e da sociedade brasileira. O avesso das coisas é também uma forma de o autor dialogar com o leitor, compartilhando sua visão de mundo, sua experiência de vida e sua sabedoria.


O avesso das coisas é um livro que merece ser lido e relido, pois a cada leitura se descobre algo novo, algo que nos faz refletir, rir, emocionar ou questionar. É um livro que nos mostra que as coisas nem sempre são o que parecem, e que há sempre um outro lado, um outro ângulo, um outro sentido. É um livro que nos ensina a ver o avesso das coisas, e a encontrar nelas a poesia.


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