[RESENHA #770] Estrela da manhã, de Manuel Bandeira


Em “Estrela da Manhã”, Manuel Bandeira rompe com o passado, expressando seu desagrado com os valores que a poesia tradicional havia consagrado. Ele nos convida a olhar o horizonte onde surge a estrela da manhã e nos guia pela beleza e o encantamento das coisas cotidianas que residem em cada um dos seus versos.

RESENHA

Estrela da Manhã é um livro de poemas do escritor brasileiro Manuel Bandeira, publicado em 1936. Considerado um dos principais representantes da primeira geração modernista no Brasil, Bandeira se destaca pela sua linguagem coloquial, pelo seu lirismo pessoal e pela sua liberdade formal. Neste livro, o poeta explora temas como o amor, a morte, a infância, a cidade, a arte e a própria poesia, com uma voz ora irônica, ora melancólica, ora humorística.

O livro é dividido em quatro partes: Estrela da Manhã, Momento Num Café, Poemas Traduzidos e Poemas de Outros Tempos. Na primeira parte, que dá título ao livro, Bandeira apresenta alguns dos seus poemas mais famosos, como "Estrela da Manhã", "Vou-me Embora pra Pasárgada", "Pneumotórax" e "Poética". Nesses poemas, o autor expressa o seu desejo de fugir da realidade, de encontrar a felicidade, de enfrentar a doença e de definir a sua concepção de poesia. Por exemplo, no poema "Estrela da Manhã", Bandeira procura uma mulher idealizada, que desapareceu com outro homem, e confessa que a quer "pura ou degradada até a última baixeza". No poema "Vou-me Embora pra Pasárgada", Bandeira cria um lugar imaginário, onde ele seria amigo do rei, teria todas as mulheres que quisesse e não teria medo da morte. No poema "Pneumotórax", Bandeira narra a sua experiência com a tuberculose, que o acompanhou durante toda a vida, e revela a sua angústia e o seu sarcasmo diante da doença. No poema "Poética", Bandeira resume a sua visão de poesia, que é "a arte de ser feliz", que não segue regras nem modelos, que é feita de "palavras que nunca te direi".

Na segunda parte, Momento Num Café, Bandeira retrata a vida urbana, com suas cenas cotidianas, seus personagens anônimos, seus contrastes e suas contradições. O poeta observa o movimento de um café, as conversas, os gestos, os sentimentos, as impressões, as lembranças que se misturam na sua memória. Nesses poemas, Bandeira mostra a sua sensibilidade para captar os detalhes, as cores, os sons, os cheiros, os sabores da cidade. Por exemplo, no poema "Momento Num Café", Bandeira descreve o ambiente de um café, com seus garçons, seus fregueses, seus jornais, seus espelhos, seus ruídos, seus aromas, seus reflexos. No poema "A Moça do Café", Bandeira se encanta com a beleza de uma moça que trabalha no café, e imagina a sua vida, os seus sonhos, os seus amores, os seus sofrimentos. No poema "A Flor e a Náusea", Bandeira contrasta a imagem de uma flor que nasce no meio do asfalto com a sensação de náusea que a cidade lhe provoca.

Na terceira parte, Poemas Traduzidos, Bandeira apresenta algumas traduções que fez de poemas de autores estrangeiros, como Dante, Shakespeare, Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé, entre outros. Nesses poemas, Bandeira demonstra a sua admiração e a sua influência desses poetas, mas também a sua capacidade de recriar os seus versos em português, com fidelidade e originalidade. Por exemplo, no poema "O Corvo", Bandeira traduz o famoso poema de Edgar Allan Poe, mantendo o ritmo, a rima, o tom e o sentido do original. No poema "Soneto de Separação", Bandeira traduz um soneto de Shakespeare, adaptando o vocabulário e a sintaxe ao português moderno.

Na quarta e última parte, Poemas de Outros Tempos, Bandeira reúne alguns poemas que escreveu antes da publicação do livro, mas que não foram incluídos nos seus livros anteriores. Nesses poemas, Bandeira revela a sua evolução poética, desde os seus primeiros versos, ainda marcados pelo Parnasianismo e pelo Simbolismo, até os seus poemas mais maduros, já com as características do Modernismo. Por exemplo, no poema "A Cinza das Horas", Bandeira expressa o seu desencanto e o seu pessimismo, com uma linguagem rebuscada e uma métrica regular. No poema "O Bicho", Bandeira critica a sociedade burguesa, com uma linguagem simples e uma forma livre.

Estrela da Manhã é um livro que revela a genialidade de Manuel Bandeira, um dos maiores poetas da literatura brasileira. Com uma poesia que mescla o sublime e o trivial, o sonho e a realidade, o riso e a lágrima, Bandeira nos convida a compartilhar da sua visão de mundo, da sua experiência de vida, da sua arte de ser feliz. É um livro que nos ensina a valorizar as coisas simples, a sentir as emoções profundas, a apreciar a beleza das palavras. É um livro que nos encanta, nos comove, nos surpreende, nos inspira. É um livro que merece ser lido, relido, estudado, admirado, aplaudido. É um livro que é uma estrela da manhã.

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