[RESENHA #769] A cinza das horas, de Manuel Bandeira

Obra de estreia de Manuel Bandeira, escrito no sanatório onde estava em tratamento, nos mostra um poeta que fala sobre as agruras da condição humana, as dores do amor e da morte, do desamparo e da solidão. É este estado de espírito, o “cinza” das horas do título desta belíssima obra, que é compartilhado carinhosamente com seus leitores.

RESENHA

A cinza das horas é o primeiro livro de poesia do escritor brasileiro Manuel Bandeira, publicado em 1917. O livro é marcado pelo tom fúnebre, em virtude da doença do autor, que sofria de tuberculose e vivia sob o espectro da morte. Os poemas são influenciados pelo parnasianismo e pelo simbolismo, mas já apresentam alguns traços do modernismo que Bandeira iria desenvolver em suas obras posteriores.

O livro não possui uma estrutura narrativa ou personagens, mas sim uma voz lírica que expressa seus sentimentos de desencanto, solidão, melancolia e nostalgia. O título do livro remete à ideia de que a vida é uma cinza fria, resultado das horas ardentes de paixão e sofrimento. O autor utiliza uma linguagem simples, mas rica em imagens e ritmos, que revelam sua sensibilidade e musicalidade.

Alguns dos poemas mais conhecidos do livro são: Desencanto, Crepúsculo de Outono, A Última Canção do Beco, Ode ao Burguês, Os Sapos e Carnaval. Nestes poemas, o autor aborda temas como o amor, a natureza, a cidade, a arte e a sociedade. Ele também faz referências a outros poetas, como Baudelaire, Verlaine, Rimbaud e Bilac, mostrando sua erudição e sua admiração pela poesia francesa.

O livro A cinza das horas é uma obra importante para a literatura brasileira, pois representa o início da trajetória de um dos maiores poetas do país, que iria renovar a linguagem e a forma poética no movimento modernista. O livro também é um testemunho da experiência humana diante da dor, da morte e da esperança, que transcende o tempo e o espaço.

A cinza das horas é um livro que merece ser lido e apreciado por todos os amantes da poesia, pois oferece uma visão profunda e sensível da vida e da arte. O autor consegue transformar sua angústia em beleza, sua cinza em luz. É uma obra que nos emociona, nos inspira e nos faz refletir sobre o sentido da existência.

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