[RESENHA #765] Libertinagem, de Manuel Bandeira


liberdade formal é uma das grandes marcas deste livro, publicado em 1930, numa tiragem do autor com quinhentos exemplares. Entre outros, dele consta dois poemas essenciais: “Vou-me embora pra Pasárgada” e “Pneumotórax”, que se enraizaram na alma de gerações de leitores e firmaram o nome de Manuel Bandeira entre os nossos maiores poetas.

Alguns poemas deste livro foram anteriormente publicados em revistas do movimento modernista de 1922 como estética, Klaxon e Revista do Brasil. 

Com efeito, em Libertinagem é possível captar a sedimentação do papel central exercido por Manuel Bandeira nesse movimento que tanta importância teve em nossa literatura. Também um tom de "brasilidade" ecoa em poemas como "Mangue", "Belém do Pará" e "Evocação do Recife", traço característico das mais importantes manifestações literárias dos anos 1920. 


RESENHA


Libertinagem é uma obra-prima da poesia modernista brasileira, escrita por Manuel Bandeira e publicada em 1930. Neste livro, o autor rompe com as convenções formais e temáticas da poesia tradicional e expressa sua visão de mundo com liberdade, humor, erotismo e musicalidade.


Manuel Bandeira nasceu no Recife, em 1886, e mudou-se para o Rio de Janeiro na adolescência. Estudou engenharia em São Paulo, mas teve que abandonar o curso por causa da tuberculose, doença que o acompanhou por toda a vida. Viajou para a Suíça, onde se tratou em um sanatório e entrou em contato com a poesia simbolista e pós-simbolista francesa, que influenciou seus primeiros livros, Cinza das Horas (1917) e Carnaval (1919). De volta ao Brasil, aderiu ao movimento modernista, mas sem romper totalmente com sua formação anterior. Escreveu Ritmo Dissoluto (1924) e Libertinagem (1930), entre outras obras. Foi também professor, crítico literário e tradutor. Morreu no Rio de Janeiro, em 1968.


Libertinagem é composto por 38 poemas, escritos entre 1924 e 1930, que abordam temas variados, como a vida urbana, as recordações da infância, o amor, a morte, o fazer poético, a cultura popular e a brasilidade. O livro apresenta uma linguagem coloquial, simples e direta, que contrasta com a linguagem rebuscada e artificial da poesia parnasiana e simbolista. O autor utiliza versos livres, sem métrica ou rima fixas, e explora os recursos sonoros, como as aliterações, as assonâncias, as rimas internas e os refrões. O livro também contém dois poemas em francês, que mostram a erudição do autor e sua familiaridade com a língua e a cultura francesas.


Alguns dos poemas mais famosos de Libertinagem são: Pneumotórax, que narra, com ironia e sarcasmo, a experiência do autor com a tuberculose; Pensão Familiar, que descreve, com humor e crítica social, a rotina de uma pensão no Rio de Janeiro; Profundamente, que expressa, com lirismo e melancolia, o sentimento de solidão e saudade do autor; Vou-me Embora pra Pasárgada, que revela, com imaginação e fantasia, o desejo de escapar da realidade e viver em um lugar idealizado; Evocação do Recife, que retrata, com nostalgia e sensibilidade, as lembranças da infância do autor em sua cidade natal; Poética, que resume, com simplicidade e clareza, as ideias do autor sobre a poesia moderna; e Poema Tirado de uma Notícia de Jornal, que transforma, com criatividade e originalidade, uma notícia de jornal em um poema.


Libertinagem é um livro que marcou a história da literatura brasileira, por inaugurar a fase plenamente modernista de Manuel Bandeira e por representar uma renovação do lirismo na poesia nacional. O autor soube conciliar a forma e o conteúdo, a tradição e a inovação, o erudito e o popular, o pessoal e o universal, o humor e a emoção, criando poemas que encantam e comovem os leitores até hoje. Libertinagem é, sem dúvida, uma obra indispensável para quem aprecia a arte da palavra.

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