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“A loja de lámen”: em quarto livro, poeta paulistano Lucas Grosso elabora a crise do século XXI e debate identidade, valores e a ideologia neoliberal

Publicada pela editora Penalux, obra será lançada em São Paulo, capital, no dia 10 de outubro, na NaMiúda Café
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“Entre meditações, prismas e potes de vidro, a loja de lámen. ora refúgio de incertezas ora portal de imaginários amáveis. “tudo é mais ou menos fantasia ou imaginação””.
Trecho da orelha, assinada por Gabriele Rosa

“A loja de lámen”, novo livro de poesia do escritor Lucas Grosso (@lucasgrossooficial), aborda o efeito das crises do capitalismo tardio na psiquê de toda uma geração. Publicado pela editora Penalux (118 pág.), a coletânea de poemas conta com a orelha assinada pela poeta, contista e dramaturga Gabriele Rosa. O primeiro evento de lançamento acontece em São Paulo no dia 10 de outubro, uma terça-feira, às 19h, na NaMiúda Café (Av. Prof. Alfonso Bovero, 522, Sumaré).

O poeta trabalha as angústias, planos e ideais frustrados dos millennials, transformando a precarização do trabalho, o sentimento de inadequação e as decepções amorosas em corpo poético. Sobre isso, Gabriele Rosa afirma: “Lucas Grosso sutura poemas do cotidiano alargado – e restrito, paradoxalmente – pela pandemia de Covid-19, em travessia com outras formas baldias emocionais e performativas do pós-pandêmico. o autor elabora um narrador-espelho, se coloca em jogo poético.”

Em “A loja de lámen”, a cidade de São Paulo aparece e, a partir dela, o autor faz do isolamento, do não-pertencimento, das crises e da busca por algum tipo de alívio algo coletivo. E isso, nas palavras de Gabriele Rosa, se manifesta nas andanças, nos diálogos com outros escritores, nas canções, nas plantas e na paternagem como uma resposta às ruínas inevitáveis de um corpo que é vivo, e pulsa em direção ao outro.

Lucas considera que esse livro é uma continuidade de suas obras anteriores. Nele, acontece um esvaziamento de ideologias, padrões de vida, crenças pessoais, nacionalismo e demais formadores tradicionais do que se considera identidade. “A sociedade nos traiu ou não nos aceita como somos. Isso causa aflição, angústia, indecisão, e os choque geracionais são pesados”, evidencia. “A ideia que quero começar a defender: minha obra é uma tentativa de criar uma Comédia Humana do século 21. Se estou longe de escrever como Balzac, estou começando a parecer (fisicamente) com ele”, brinca.

A poética de Lucas Grosso como análise da existência individual e coletiva.


Nascido em São Paulo, em 1990, Lucas Grosso se formou em Letras pela PUC-SP e tem Mestrado em Literatura pela mesma instituição. Concursado pela Prefeitura de São Paulo, já participou de revistas como Mallarmargens, Zunái, Subversa, 7faces e Toró. Atualmente, colabora para os portais Fazia Poesia e Revista Úrsula. Lucas também é autor de “Nada” (Patuá, 2019), “Hinário Ateu” (Urutau, 2020) e coautor de “Terra dos papagaios” (Penalux, 2021).

Suas principais referências literárias são muitas e vão desde Tchekhov, Beckett e Milton Nascimento até Angélica Freitas, Lubi Prates, Aline Rocha, Julia Dantas e Ana Martins Marques. Na construção desse livro, o autor destaca como influência “As Helenas de Troia, NY” da Bernadette Meyer, “Uma estranha na cidade” de Carol Bensimon, “A teus pés” da Ana Cristina Cesar, “Não-lugares” de Marc Augé, os livros de Roberto Freire, o disco “Alucinação” de Belchior e Caetano Veloso como um todo. As oficinas ministradas por Gabriele Rosa também foram muito importantes para o processo criativo de “A loja de lámen”.

Sobre projetos futuros, Lucas tem uma coletânea de poesias a ser publicada em breve e alguns projetos em andamento, um deles envolve seguir essa escrita analítica, que lhe é cara, em uma obra que busca explorar o que significa romper com a tradição social e cultural anterior, reorganizando parâmetros e paradigmas, ressignificando valores e instituições. Também sonha em sistematizar sua escrita voltada para a literatura infantil, feita com e para sua filha de sete anos.


Confira o poema “quarta-feira ou domingo”:



em um dia azul

obscenamente azul

o céu brilha incoerência

inexatidão

melhor seria não ser céu

melhor seria não ser azul

dia com gosto de beijo de sereia

cenário assente ausente

panorama

quatro paredes furta cor

que prendem a extensão

dos meus dedos




antes o dia fosse sépia

e não existisse céu

antes o céu fosse

o sorriso da ellen maria

e o azul não fosse azul

talvez roxo ou lilás

como uma canção

da carminho




mas sépia não é

ellen não há

e carminho se cala




o que nasceu com o dia

e não se pode escapar

é o azul

obscenamente azul

inocente inútil

dessa ocasião

um dia acordei

e descobri que

nunca dormi





Adquira “A loja de lámen”, via site da editora Penalux:

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