companhia das letras

CRÍTICA FILMÍCA: O diabo veste Prada, 2006

terça-feira, 21 de setembro de 2021

/ by Vitor Zindacta

Weisberger, Lauren. EUA, 2006, 109 min., FOX FILMES. Dirigido por David Frankel. Roteiro:  Aline Brosh McKenna, Don Roos

The Devil Wears Prada é um filme de comédia dramática de 2006 dirigido por David Frankel e produzido por Wendy Finerman. O roteiro, escrito por Aline Brosh McKenna, é baseado no livro de mesmo nome de 2003 de Lauren Weisberger. A adaptação cinematográfica é estrelada por Meryl Streep como Miranda Priestly, uma poderosa editora de revista de moda, e Anne Hathaway como Andrea "Andy" Sachs, formada que vai para Nova Iorque e consegue um emprego como co-assistente de Priestly. Emily Blunt e Stanley Tucci co-estrelam como a co-assistente Emily Charlton e o diretor de arte Nigel, respectivamente. ►Wikipédia.com
Narrado em 3ª pessoa, ainda que muitos digam ser a semibiografia de sua autora, o livro que deu origem ao filme O Diabo Veste Prada, narra um momento da vida da personagem Andrea Sachs. A jornalista recém-formada, consegue um emprego como assistente da editora de uma conceituada revista de moda de Nova York, a fictícia Runaway. O que para muitos seria “o emprego que um milhão de garotas dariam a vida para ter”, na verdade mostra-se um grande pesadelo. No entanto, não deixa de ser uma história envolta em glamour, num desfile de grande marcas como Prada, Marc Jacobs, Calvin Klein, Chanel, Valentino, entre outras.
A trama é centralizada na relação da secretária com sua chefe, Miranda Priestly, que é interpretada por Maryl Streep (indicada ao Oscar de melhor atriz por este papel, ano de 2007) e Anne Hathaway dá vida ao personagem de Andrea Sachs. Além disso, o elenco conta com nomes consagrados da moda como Gisele Bundchen, Heidi Klum e Valentino. A filmagem é feita na cidade de Nova York e uma pequena parte em Paris. Na trilha sonora, traz canções de KT Tunstall (Música de abertura), U2, Madonna e Moby.

Há muita especulação de que a personagem de Miranda Priestly é o alterego de Anna Wintour, principal executiva da Vogue americana e que fictícia Elias-Clark, editora que aparece no filme, foi modelada à Condé Nast, já que a autora trabalhou na revista como assistente da editora-chefe. No filme, Andrea passa a viver para agradar Miranda, que mal reconhece seus esforços e insiste em tratá-la de forma cruel, até certo ponto em que reconhece sua competência.
O Diabo Veste Prada, nos traz o mundo encantado da moda e revela de forma genial, irônica e por vezes até debochada os bastidores do universo fashion, particularmente os mecanismos que regem os editoriais de moda. Certamente, é um filme difícil de ser esquecido e será um clássico na história do cinema. O expectador, mesmo que sem perceber passa a simpatizar e torcer pelo sucesso da blasé Miranda, mesmo que ela humilhe suas funcionárias e faça com que todas as pessoas se submetam às suas vontades e caprichos por bem ou por mal.

A personagem Andrea, também ganha a torcida de quem a assiste, a menina sem “nenhum senso de moda” segundo a própria Miranda, chega à editora da revista Runway sem conhecer ninguém, inclusive a consagrada editora-chefe, é hostilizada por seus companheiros de trabalho, fica prestes a desistir do emprego, mas consegue passar por cima de tudo, mudar de estilo e mais que isso, consegue a simpatia quase inexistente da patroa. Para quem nunca se interessou por moda, para quem não reconhece como a moda move o imaginário das pessoas e a economia, as obras – tanto o livro quanto o filme- podem parecer apenas uma narrativa boba, mas ignorar o trabalho minucioso de artista que estilistas e editoras fazem, seria um pecado. Juntar as artes cinema e moda, é quase uma combinação infalível.

No fundo, mesmo com a sua “aura fútil”, o filme, apesar de mostrar o belo e o dramático que envolvem a moda, também é uma discussão sobre como o ser humano muitas vezes precisa se adaptar ao meio para sobreviver a vida adulta, e assim como Andrea, que deixa de ser a garota que não liga pra moda e passa a vivê-la para conseguir seu sucesso profissional futuro, temos que fazer concessões.
O filme, tal qual o livro é recomendado para amantes da moda, em especial pessoas que sonham em um dia estar próximas ao processo criativo, seja ele da passarela ou da parte de edição. Também é recomendado para críticos e fãs de Maryl Streep, atriz que encara todos os seus personagens com o profissionalismo que lhe rende indicações ao Oscar há anos, e neste filme, como de costume, tem uma atuação brilhante.
A adaptação foge bastante do livro: A protagonista deixa de ser uma mulher cínica que odeia a patroa, e se transforma em uma bondosa garota que tenta agradar a todos. A antagonista, Miranda, deixa de ser a mulher má e se transforma em uma casca dura cheia de bons sentimentos por dentro. Porém, isso acaba deixando a produção ainda melhor, já que nem tudo que funciona no livro daria certo no cinema.
Baseado no livro homônimo, que passou seis meses na lista de Best Sellers do New York Times, O Diabo Veste Prada, de Lauren Weisberger conta com detalhes as vantagens e o lado negro do mundo da moda. Aclamado pela crítica profissional, o filme tem duas indicações ao Oscar, sendo nas categorias melhor atriz e melhor figurino e três indicações ao Globo de Ouro. A autora, nascida em 1977, Pensilvânia, Estados Unidos, tem outros livros publicados, entre eles A vingança veste Prada (2013, editora Record), continuação da história após dez anos

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