companhia das letras

[ANÁLISE] Angústia, de Graciliano Ramos

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

/ by Vitor Zindacta


O livro “Angústia” conta a história de um imigrante nordestino chamado Luís Silva. O livro se baseia em recordações e nos conflitos existente na sua mente.
Luis da Silva era filho de um fazendeiro, Camilo Pereira da Silva, mas foi cuidado pelas escravas de seu pai. A fazenda onde ele morava era um lugar descuidado, cheio de goteiras e povoada por animais. Com a morte de seu pai, Luís da Silva vê a fazenda se transformar em um lugar sem dono, onde os credores entravam e saíam levando tudo o que viam pela frente. Assim, ele resolve imigrar para a capital e se torna um funcionário que escreve para o jornal do governo. Escrevia aquilo que lhes pediam, como mentiras e elogios ao governo. Além disso, vendia artigos a políticos que assinavam e publicavam como matérias próprias.

A vida de Luís da Silva na cidade grande não era muito diferente daquele que ele levava na sua cidade de origem. Vivia sozinho, em uma casa alugada, com esgoto a céu aberto e infestada por ratos. Sua mente era muito confusa. Ouvia com indignação as reclamações, as palavras pesadas e os gestos lentos das pessoas com as quais ele convivia nos cafés, no Instituto Geográfico. Foi neste instituto que Luís conheceu, devido a um esbarrão, um negociante de secos e molhados chamado Julião Tavares.
A primeira manifestação amorosa de Luís da Silva se deu quando ele conheceu a sua vizinha, Marina. Luís via nela uma companheira, por isso em pouco tempo eles começaram a se encontrar escondidos durante a madrugada. Mais tarde os dois resolveram assumir o romance e começaram os preparativos para o casamento, até o dia em que Marina trocou Luís por Julião Tavares, que era mais rico e poderia satisfazer todos os seus desejos e lhe proporcionar uma vida mais fácil.
Com essa separação, Luís volta a ter a vida solitária que levava. Observava tudo que havia em sua volta. Tinha obsessão pela intimidade dos outros e ficava sempre perdido nas suas idéias e lembranças. Sempre que Luís se lembrava de Marina, Julião Tavares aparecia e a carregava, por isso aparece em Luís da Silva a vontade de matá-lo, manifestando o desespero irremediável que sempre marcou sua vida.

2- PERSONAGENS:

Os principais personagens do livro são:

- Luís da Silva: Homem de 35 anos, tímido e solitário.

- Camilo Pereira da Silva: era o pai de Luís.

- Marina: era a vizinha de Luís. Pensava apenas em dinheiro. Tinha o desejo de ter roupas e sapatos. Teve um breve relacionamento com Luís, mas o trocou por um outro homem.

- Dona Adélia: era a mãe de Marina. Quando casou-se era corada, risonha, se tornou uma mulher lenta, disposta a suportar grosserias e repelões.

- Seu Ramalho: era o pai de Marina. Calado, sério, eletricista de uma empresa.

- Julião Tavares: homem rico, comerciante de secos e molhados.

- Vitória: era a criada da casa de Luís. Era meio surda e tinha a mania de enterrar dinheiro.

- Mercedes: mulher sempre bem vestida. Era sustentada por um importante político.

3 – TEMPO/ESPAÇO:

A história se passa no Rio de Janeiro, no início do século XX.

“Rua do Comércio. Lá estão as pessoas que me odeiam.”

4 – FOCO NARRATIVO:
O livro é narrado em 1ª. pessoa e o narrador é o personagem principal do livro. Isso pode ser comprovado pelos trechos:

“Conversa vai, conversa vem, fiquei sabendo por alto a vida, o nome e as intenções do homem”
“ Trabalho num jornal”.
“Comecei a odiar Julião Tavares”
“Ficamos um instante calados, olhando a rua constrangidos.”

5 – LINGUAGEM TÍPICA BRASILEIRA NA OBRA:

A linguagem típica brasileira pode ser percebida na obra por meio de gírias, palavras próprias e uso de palavras de baixo calão.

“Porcaria. Que gente!”
“Está pintando os beiços.”
“-Que sujeito burro! Puta que o pariu!”
“Às vezes eu estava espremendo o miolo para obter uma coluna de amabilidades.”
“Que diabo vem fazer este sujeito?”

6 – VIDA DO AUTOR:

Graciliano Ramos nasceu no dia 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, sertão de Alagoas, filho primogênito dos dezesseis que teriam seus pais, Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro ramos. Viveu sua infância nas cidades de Viçosa, Palmeira dos Índios (AL) e Buíque (PE), sob o regime das secas e das surras que recebia de seu pai, o que o fez alimentar a idéia de que todas as relações humanas são regidas pela violência.
Seu primeiro contato com as letras se deu no ano de 1894. em 1909, passa a colaborar com o “Jornal de Alagoas”, publicando o soneto “Céptico” sob o pseudônimo de Almeida Cunha. Em 1910, responde o inquérito literário movido pelo Jornal de Alagoas, de Maceió. Passa a colaborar com o “Correio de Maceió”, em 1911, sob o pseudônimo de Soares Lobato. Em 1914, embarca para o Rio de Janeiro, onde trabalha como revisor de provas tipográficas nos jornais cariocas. Em 1927 é eleito prefeito da cidade de Palmeira dos Índios.
O ano de 1933 marca o lançamento de seu primeiro livro, “Caetés”, que já trazia consigo p pessimismo que marcou sua obra. Esse romance Graciliano vinha escrevendo desde 1925. no ano seguinte publica “São Bernardo”.
Em março de 1936, é acusado de ter conspirado no malsucedido levante comunista de novembro de 1935. é preso em Maceió e enviado a Recife, onde é embarcado com destino ao Rio de Janeiro juntamente com 115 presos.
Seu livro “Angústia” é lançado no mês de agosto daquele ano. Esse romance é agraciado, nesse mesmo ano com o prêmio “Lima Barreto”, concedido pela “Revista Acadêmica”.
Em 1938 publica seu famoso romance “Vidas Secas”.
No ano de 1945, filia-se ao Partido Comunista e lança “Dois Dedos” e o livro de memórias “Infância”.
Em janeiro do ano de 1953 é internado na Casa de Saúde e Maternidade S. Vitor, onde vem a falecer vitimado pelo câncer, no dia 20 de março, às 5:35 horas de uma sexta-feira.

7 – CONCLUSÃO:
Ao ler e estudar o romance “Angústia” pode-se concluir claramente o pessimismo e a visão de uma vida mal-feita e dos homens mal-vividos que cercam as obras de Graciliano Ramos.
Embora de difícil interpretação, o livro é muito significativo e interessante. Nos grandes conflitos existentes na mente de Luís, nas suas dúvidas, ciúmes, desejos insatisfeitos e desilusões amorosas podemos ver a complexidade dos nossos pensamentos e o quanto as nossas lembranças podem influenciar nossos atos e o nosso relacionamento com os outros.
De um modo geral, o livro nos pareceu horas de um longo pesadelo.

8 – BIBLIOGRAFIA:

Ramos, Graciliano, 1892-1953
Angústia: posfácio de Otto Maria Carpeaux, ilustrações de
Marcelo Grasmann. – 48º ed. – Rio, São Paulo: Record, 1998.

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