companhia das letras

Resenha: Os miseráveis, de Victor Hugo

domingo, 22 de agosto de 2021

/ by Vitor Zindacta


Edição comemorativa do bicentenário de Victor Hugo (1802-1885), em tradução inteiramente revista e adequada à leitura contemporânea. Esse tratamento e a edição com 816 notas de pé de página, elucidativas do contexto histórico e cultural da França no século XIX, fazem desta a versão definitiva da obra em português. Hugo narrou seu romance magistral numa linguagem que representou para a literatura "o mesmo que a Revolução Francesa na História", segundo o crítico Sérgio Paulo Rouanet. O fio condutor é o personagem de Jean Valjean, que, por roubar um pão para alimentar a família, é preso e passa dezenove anos encarcerado. Solto, mas repudiado socialmente, é acolhido por um bispo. O encontro transforma radicalmente sua vida e, após mudar de nome, Valjean prospera como negociante de vidrilhos, até que novos acontecimentos o reconduzem ao calabouço.

Ficção / Drama / Política / Aventura / Romance / Suspense e Mistério / Crime

“Les Misérables”
“Os Miseráveis”
ISBN-13: 9788526246133
ISBN-10: 8526246135
Ano: 2002 / Páginas: 765
Idioma: português
Editora: Cosac Naify
A obra
Escrita por Victor Hugo, grande dramaturgo, nascido no século XIX na França. Durante sua vida, Hugo teve uma brilhante ideia, mais precisamente no ano de 1862, escreveu a bela história “Les Misérables (Os Miseráveis)”, que já foi traduzida para diversas línguas, teve várias edições, e mais recentemente foi feito um musical da Broadway em forma de filme sobre a obra.
A história
A história é contada na França em meados do século XIX entre grandes batalhas por liberdade e poder, e também pela famosa revolução francesa, que se consistiu em revoltas e ataques de grupos políticos radicais de esquerda, das massas de rua e de camponeses da região rural contra o Estado absolutista da época. Os princípios desta revolução eram: liberdade, igualdade e fraternidade. Na historia do livro é latente a presença destes princípios no querer dos personagens, mas muitos deles não conseguiram a tão almejada liberdade.
O protagonista central é Jean Valjean. Condenado a 5 anos de trabalhos forçados por roubar um pão, mas depois de tentar fugir das tormentosas galés, sua penitência foi de 19 anos de dor. Na época existia a estgmatização, a qual os presos eram marcados com um “passaporte é amarelo”, sendo considerados “ex-forçados” por toda a vida. O homem foi rejeitado pela sociedade, tratado como um criminoso, sem futuro, sem chances de se ressocializar, sem piedade, mas uma alma bondosa concedeu a dádiva do perdão para Jean. Bispo Myriel o ajudou, e sua vida foi mudada, mesmo Valjean tendo roubado do homem, o bispo o perdoou e lhe concedeu uma nova chance de ser alguém. Jean Valjean mudou de identidade, tornou-se proprietário de uma empresa e até prefeito de uma cidade, mas nada foi fácil na vida deste homem, principalmente por ser perseguido por toda a vida pelo inspetor de polícia Javert, que dês da época das galés, gravou a imagem de Jean em sua mente de uma forma tão forte, que nem mesmo muitos anos o fez esquecer daquele “ex-forçado”.
Outra personagem marcante da história é a costureira Fantine. Injustiçada por toda a vida, abandonada quando criança, e teve que fazer o mesmo com a sua filha Cosette, já que não tinha condições de criá-la. Fantine sofreu por ser mãe solteira. Demitida por este motivo, a prostituição foi o único caminho para não morrer de fome em meio à miséria francesa do século XIX. Antes de Jean Valjean conseguir unir mãe e filha pela última vez, Fantine não resistiu à tuberculose (doença comum na época) e morreu.
A filha de Fantine, Cosette, também sofreu muito quando criança. Ela morava com a família dos Thénardiers, que obrigavam a menina a fazer trabalhos forçados, e se houvesse recusa, ela era espancada sem piedade. Depois da morte de Fantine, Jean Valjean não mediu esforços para resgatar a menina da tormenta. Ele adotou a criança, a educou, e ela se tornou uma bela moça de cabelo loiro cacheado. Em uma parte mais intensa da história, com mais batalhas e lutas, Cosette se apaixona por Marius Pontmercy: jovem bonito e revolucionário foi o único a sobreviver à barricada, graças a Jean.
Do começo ao fim da história, o vilão, Javert, foi implacável na busca por Jean Valjean. Inspetor de polícia, obsessivo pela captura do “ex – forçado”. Jean Valjean teve a chance de matar Javert, mas deixou o homem fugir. O conflito interior de Javert o levou ao suicídio.
Cosette se casou com Marius Pontmercy e Jean Valjean morreu na velhice, de forma digna.
Comentários específicos do filme
O filme na realidade foi um musical adaptado, mas que trouxe todos os aspectos da história (mencionados anteriormente), com tons de suspense drama e muita emoção. As atrizes e os atores foram maravilhosos em suas interpretações. Não tem quem não chore com a interpretação da música “I Dreamed A Dream”, feita pela personagem Fantine, interpretada pela atriz Anne Hathaway. São 2h 38min de poucos diálogos e muita música.
O Protagonista Jean Valjean é interpretado pelo ator Hugh Jackman, aquele que faz o Wolverine nos filmes X-men. Sua interpretação foi digna de Oscar.
Para aqueles que têm sentimento, vale a pena assistir “Os miseráveis”
Relações e diferenças entre épocas no contexto social e penal
Esta parte do trabalho será direcionada para comparar e diferenciar a época em que a história do livro se passa e o atual contexto social e penal contemporânea, além de criar alguns “links” com a matéria já estudada em Direito Penal I.
A miséria, a ignorância, a falta de estudo, a falta de dignidade, a intensa divisão social de classes e os tipos penais excessivos, logicamente, não são semelhantes aos atuais, mas o que é diferente é a intensidade do acontecido, não que ele não acontece mais, por exemplo: O que levou Jean Valjean a tormenta por anos foi um “crime de bagatela”, e pelo atual princípio de direito penal da insignificância, este “delito” não seria punido por não atingir com gravidade o bem jurídico tutela, ou seja, a injustiça feita com este homem no passado não seria feita pelo atual direito penal. Outro aspecto que vai contra a atualidade é a estigmatização dos condenados, que se consiste em criar marcas nos presos para que a sociedade saiba que ele já foi um condenado. Essa prática impede que a pessoa se recupere em sociedade, tornando o ser um eterno condenado. O atual Direito Penal repudia essa prática, mas parte da sociedade ainda não evolui, e os preconceitos com pessoas que já foram presas ainda são altíssimos, portanto o que mudou de lá para cá foi à intensidade desta prática específica.
Obviamente que as “penitências” mudaram muito. A própria constituição de 1988 excluiu totalmente a pena de trabalhos forçados.
Em relação ao contexto social, naquela época o preconceito contra mãe solteira era muito maior que em tempos atuais, mas não quer dizer que não exista mais.
A miséria do século XIX era muito mais intensa que a atual, mas a pobreza e a fome ainda existem em grande número.
Praticamente não existia liberdade na época do livro, tanto que uma das marcas da história é a busca pela liberdade e as batalhas nas barricadas.
Os maus tratos sofridos por Cosette pela família dos Thénardiers seriam punidos pela atual legislação geral e especial.
O princípio fundamental e basilar do atual sistema constitucional e penal é o da Dignidade da Pessoa humana. Em Os Miseráveis, este princípio não existia. Não havia dignidade, não existia respeito pelo próximo; hoje em dia é um pouco diferente, até existe dignidade da pessoa humana, não como deveria ser, mas pelo menos existe.
O abuso e desvio de poder realizado por Javert, também seriam punidos pelo atual sistema penal, por que ninguém deve ser perseguido obsessivamente pelo Estado, já que o agente policial representa o próprio Estado, que tem a função de pacificar e ressocializar, não de impor medo e mais revolta, mas ainda existe perseguição, com menor intensidade. Há algum tempo ocorreu uma ditadura no Brasil, que perseguiu vários jornalistas, políticos e artistas, portanto a perseguição infelizmente ainda existe.
Estes são alguns pontos de Os miseráveis que são diferentes dos atuais, mas que sempre guardam alguma lembrava, já que o homem nunca foi e nunca vai ser perfeito.
Conclusão
Os Miseráveis não é apenas uma história para se emocionar, mas também para se pensar, raciocinar em cima dos antigos erros para não repeti-los novamente, e também guardar o exemplo de perdão dado pelo Bispo, pois todos merecem uma segunda chance; guardar o sentimento de amor, bondade, determinação e coragem de Jean Valjean, que superou todos os obstáculos da vida, amou Cosette como uma filha, cuidou de Fantine com carinho, salvou Marius da morte na barricada e não sujou suas mãos e seu caráter com sangue ao deixar Javert fugir. Ninguém nunca será perfeito, mas se existissem menos Javerts e mais Jeans Valjeans no mundo, a história atual da humanidade não seria a mesma.
Referências

HUGO, Victor. Os Miseráveis.
FILME, Os Miseráveis, de 2012.

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